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Foto: Divulgação
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Há uma coisa desconfortável nos discos da Maria Rita que pode não saltar aos olhos imediatamente, mas, com um pouco de atenção, fatalmente aparecem. Nos dois anteriores foram assim,
Maria Rita (2003) e
Segundo (2005), e se repetem nesse
Samba Meu (Universal, R$ 34,90 em média), seu rebento mais recente: as execuções são todas impecáveis. Impecáveis, perfeição elevada ao quadrado.
A “impecabilidade” de um disco poderia ser um ponto a favor. Mas, até aqui, não nos disco dela e um pouco menos em
Samba Meu. Antes de qualquer coisa, é saudável salientar que o disco é bom, agradável. Como o são os dois anteriores. Mas aí entra aquele probleminha incômodo.
Vez por outra, as músicas são carentes de espontaneidade, ou, o que é pior, são de uma espontaneidade pré-fabricada, meio impessoal. Com o tempo, tanta habilidade pode (pode...) cansar. Não falam nada porque falam demais.
Essa “verborragia” fica um pouco mais evidente em
Samba Meu, um disco que, declaradamente, se apega à tradição do samba. Nele, Maria Rita traz nomes consagrados como Arlindo Cruz - responsável por seis das 14 faixas -, Gonzaginha (
O Homem Falou) e novatos como Edu Krieger, cujo
Novo Amor também se faz presente no novo disco de Roberta Sá,
Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria (e está melhor aí, diga-se de passagem).
Um das faixas bem resume a sensação de perfeição que o disco exala. A penúltima,
Corpitcho, é saborosamente faceira, o refrão dizendo que
para manter esse corpitcho bacana, acho até que vou virar marombeira, corro o calçadão de Copacabana de segunda a sexta-feira. Mas o travesso bom humor da letra é arrefecido por um arranjo sério, pedante até.
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Foto: Divulgação
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Há, claro, os momentos legais, que ficam com
O Homem Falou, um sambão daqueles de estremecer as quadras das escolas, que teve participação da Velha Guarda da Mangueira.
Maria do Socorro também merece nota.
Outra coisa: cronologicamente, a Maria Rita é da mesma feminina geração que há pouco nasceu. Ela está nos seus 30, assim como, um pouco mais, um pouco menos, a Céu, a Mariana Aydar, a Marina de La Riva, a Roberta Sá, a Adriana Maciel, entre outras.
É a mais bem sucedida também - aí não por méritos estritamente estéticos. A impressão de que fica em comparação com as demais é de que a menos autoral delas é a Maria Rita. Pior: fica a impressão de que, não fossem as benesses publicitárias de que dispõe, Maria Rita seria facilmente ofuscada por elas. O que sugere-se com isso? Que falta lhe ousadia. Uma bela voz ela já tem. Mas isso não basta.
Henrique Alves é o pedante editor do Caderno A.
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