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Foto: Leo Drumond
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São várias as técnicas de se fazer papel e diversas podem ser as matérias-primas. Eucaliptos é uma boa opção, mas há que prefira flores. Outros usam de papel para fazer papel. Reciclam. Hilal Sami Hilal usa emoções, memórias e dicotomias. Usa tantos elementos que no final o papel vira arte e potencializa sua função de condutor. Nesta quinta (25), Hilal abre a exposição
Seu Sami onde o resultado da mistura (e por que não separação?) desses elementos “compositivos” ocupa o espaço do Museu Ferroviário.
Seu Sami é uma homenagem do artista ao seu pai que serve de ponto de partida para outras discussões e interpretações. “O assunto da exposição é mais direcionado a ausência do pai na contemporaneidade. Faça essa discussão ligando com a minha vida particular”, conta Hilal, que perdeu seu pai quando tinha 12 anos.
Na psicanálise a figura paterna é tida como presente mesmo quando ausente. Ela sempre é substituída, seja por um pai postiço ou pela mãe. Hilal substituiu a figura paterna pela arte. “A arte, possibilidade de expressão, fez com que eu constituísse meu sujeito. A arte me viabiliza como pessoa”, explica. São mais de 30 anos ligados à arte e fazendo da ausência muito mais que vazio.
Apesar de ser impossível ser fiel ao trabalho do artista se fosse ser descrita, a exposição
Seu Sami é composta, além da obra homônima, por outras instalações e espaços. A primeira obra que o público vai encontrar é o
Globo, elaborado a partir de moldes de silicone, que também lembram grandes páginas. Mais de cem, penduradas no espaço, uma de frente para a outra, criando perspectiva numa profundidade de quatro metros.
A instalação
Seu Sami - a obra em si - é uma seqüência de luz e sombras que ocupa toda a extensão (de 60 metros) da grande sala de exposições divididas em dois pólos: a
Sala do Amor (rendilhados florais, românticos, vivos!) e
Sala da Dor. O público ainda poderá conferir
Sherazade, título que corresponde ao nome da narradora de
As Mil e Uma Noites. A obra tem a forma de um grande livro ramificado.
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Foto: Leo Drumond
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O trabalho com papel e cobre serve como metáfora para as muitas dicotomias e contrastes que podem ser encontrados na obra de Hilal. O próprio artista é uma metáfora: um brasileiro de família de origem libanesa e religião ortodoxa. “A obra traz muito da questão do sincretismo religioso do Brasil. Além disso, entra a minha proximidade com o zen-budismo e por conta de uma herança familiar o islamismo, mais como cultura do que como religião”, diz Hilal.
Sobre o uso do papel e do cobre, o artista espera inverter a idéia de fragilidade atribuída ao primeiro e perenidade ao outro. “Na minha obra o cobre é que se fragiliza. O papel é pensando como um meio de se conectar ao outro e resistência. E se relaciona com o cobre, que também é um condutor de energia, de eletricidade”, completa. Falar mais sobre obras seria matar as surpresas. E Hilal Sami Hilal não quer isso.
Serviço
A exposição
Seu Sami, com instalações e objetos de Hilal Sami Hilal, será aberta nesta quinta-feira (25), às 20h30, para convidados, no Museu Vale do Rio Doce. Antiga Estação Pedro Nolasco, s/n, Argolas, Vila Velha. A mostra estará aberta ao público a partir desta sexta-feira (26). Visitação de terça a domingo, das 10h às 18h. Sexta, das 12h às 20h. Até 17 de fevereiro de 2008. Entrada franca.
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