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Foto: Divulgação
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| Mirante
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No último dia 26 de julho foi inaugurada no Museu Vale do Rio Doce a exposição
Ficções, de Regina Silveira, com obras criadas para dialogar com o espaço. A mostra, segundo o curador Adolfo Montejo Navas, "levanta interrogações construídas no âmbito do site specific (o característico local da arte fomentado pelo Museu Vale do Rio Doce) e inscreve três situações diferentes. O denominador comum dos trabalhos é o céu, o horizonte celeste por extensão, e nossa própria escala problematizada, interrogada, em relação com as imagens apresentadas".
A exposição é composta por três obras principais:
Mirante,
Entrecéu (capa) e
Mil e Um Dias, que foram concebidas especialmente para ocupar diferentes espaços do museu, uma característica da artista que tem o poder de (re)inventar a imaginação a cada novo trabalho, fazendo leituras inéditas do espaço e da arquitetura com singulares desconstruções estéticas. Além destes três trabalhos, a mostra contará com uma sala complementar com maquetes e desenhos de outros trabalhos significativos da artista.
As obras
A primeira passagem da exposição é
Mirante, um poço negro numa sala escura onde está contido o cosmos. Uma esfera abaixo do chão, iluminada por um feixe de luz, sobre a qual o observador se debruça e vê o planeta do alto, em movimento, promovendo um olhar contemplativo e instigante. Uma proposta intimista que exige um olhar sozinho, individual.
No segundo momento, tudo é luz: o observador se vê dentro da obra em
Entrecéu. É abraçado por um gigantesco túnel celeste, amplo e coletivo, que toma conta da nave principal do galpão de exposições. Do teto ao chão.
Entrecéu se apropria da arquitetura do museu, criando uma situação poética de imagens paradoxais que mostram a força do tempo presente. É impossível não estar ali, dentro dele.
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Foto: Divulgação
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| Mil e Um Dias
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A terceira passagem,
Mil e Um Dias, leva o observador novamente a olhar o tempo, a voltar atrás, a seguir adiante, a ver sob uma outra perspectiva... Na parede do fundo da sala, a partir do centro de uma porta falsa, idêntica à porta de entrada do
Mirante, uma projeção de quatro minutos alterna imagens de dias e noites. A luminosidade do dia sai da porta e inunda a parede lateral; a noite some, tragada pela mesma porta. E volta o dia. Com ele, sons de vento, de crianças; com a noite, o barulho dos grilos.
Na opinião do curador,
Ficções fala da ordem cosmológica a que estamos incluídos. "Ninguém é alheio", diz Montejo Navas. "A mostra está intimamente relacionada também ao tempo, ao movimento, ao estar perto e distante das coisas", sentencia. Há interrogações de natureza cognitiva e espiritual. Ele explica que
Ficções fecha uma trilogia que Regina Silveira iniciou com duas outras exposições,
Claraluz (CCBB - São Paulo, 2003) e
Lúmen, (Palácio de Cristal - Madri, 2005), cujas obras (site specific) se vinculam à arquitetura do espaço e à nova importância que tem a luz como núcleo poético de seu trabalho.
As maquetes
Seis maquetes completam
Ficções, no segundo andar do edifício sede do museu:
Todas las Noches,
Desapariencia,
Gol Supersônico,
Duplo,
Paving the Way e
Lúmen. Os trabalhos - espécie de poemas-objeto que incorporam às suas propriedades físicas toda a poética da artista, mostrando os diversos cenários das situações que ela levanta - estão em perfeita sintonia com
Mirante,
Entrecéu e
Mil e Um Dias.
Eles correspondem a intervenções poéticas de Regina ao trabalhar a arquitetura dos espaços, dando-lhes vida própria como site specific ou obras públicas. Das seis maquetes, três revelam trabalhos que não se realizaram, mas que mantêm sua identidade artística da mesma forma que os outros três projetos realizados. A mostra inclui também desenhos/estudos da artista.
Serviço
A exposição
Ficções, de Regina Silveira, está no Museu Vale do Rio Doce, Antiga Estação Pedro Nolasco s/n - Argolas, Vila Velha. Visitas: de terça a domingo, das 10h às 18h; sexta, das 12h às 20h. Período: até 27 de setembro. Mais informações: 3333-2484.
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