Vitória (ES), edição de 10 de setembro de 2007
 
Comunidades relatam prejuízos do
eucalipto em evento na Ufes

Flávia Bernardes


Os impactos causados pela monocultura do eucalipto da Aracruz Celulose no Espírito Santo, sob a ótica das comunidades tradicionais impactadas, é o foco da Semana Contra o Deserto Verde, que começou nesta segunda-feira (10), na Ufes. Durante três dias, serão exibidos vídeos documentários e promovidos debates, para alertar os capixabas sobre o problema.

O vídeo que abriu a semana foi o "Autodemarcação", retratando a saga dos Tupinikim e Guarani na retomada de suas terras. Abordou o movimento de retomada dos 11.009 hectares indígenas ocupados pela transnacional, cujas portarias declaratórias que devolvem aos índios capixabas o território, foram assinadas recentemente pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

Após a exibição, foi ainda realizada uma mesa de debates, composta por Tupinikim e Guarani, representantes da Rede Alerta Contra o Deserto Verde e pela professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Celeste Cicarone.

A semana segue nos próximos dias, ressaltando a luta dos quilombolas e dos pequenos agricultores. Nesta terça-feira (11), será exibido o vídeo "Cemitério Quilombola", sobre os prejuízos sociais, culturais e econômicos dos extensos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose.

O cemitério foi tomado dos quilombolas pela empresa, e é parte dos 50 mil hectares do território que a Aracruz ocupa pertencente aos descendentes de escravos. A destruição desta região e da sua cultura gerou revolta nas comunidades. Após 40 anos, a área chegou a ser reocupada em protesto dos quilombolas contra a Aracruz, no ano passado.

A seqüência de vídeos e debates vai até esta quarta-feira (12). Neste dia, o vídeo "Rompendo o Silêncio" será exibido na presença de representantes dos movimentos camponeses do Estado como o Movimento Sem Terra (MST) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Em seguida, o assunto será debatido com o professor da Ufes e doutor em Geografia, Paulo Scarim.

O vídeo retrata a articulação do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), MST, MPA, Pastoral da Juventude Rural (PJR), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) contra a expansão dos plantios de eucalipto e o plantio transgênico da espécie, realizado em março de 2006, em um viveiro da Aracruz Celulose.

A Semana Contra o Deserto Verde é um movimento realizado pela Brigada Indígena, grupo que apóia a luta dos índios no Estado desde 2005, e pelo CA de Serviço Social da Ufes. O evento é realizado no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE).



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