Texto do antropólogo Hermano Vianna em seu espaço no
Overmundo,
Isso é Calypso - ou A Lua Não Me Traiu conta como viu nascer e crescer a banda comandada por Joelma e Chimbinha, um dos maiores fenômenos musicais brasileiros dos últimos anos.
Hermano mostra como Chimbinha é uma figura de vulto na cultura paraense, herdeiro musical de figuras preciosas da cultura nacional, como os mestres Vieira e Aldo Sena; e mostra como o Calypso chegou ao sucesso sem a mediação de gravadoras ou da mídia - pode parecer um clichê romântico, mas foi mais ou menos assim.
O texto escorrega às vezes num certo melodrama -
Mesa posta, Chimbinha veio me apresentar cada prato. Ele falava sobre detalhes da vida de cada peixe (...): "mas como você sabe isso tudo?" A resposta veio natural, não era nada para causar espanto: "ora, eu vendia peixe na feira com meu pai." Nova ficha caiu, dessa vez com peso de toneladas. Meus olhos lacrimejaram, pensei comigo contendo o choro: "outro dia ele vendia peixe na feira, agora está aqui numa mansão num condomínio em São Paulo, de um extremo a outro da injusta estrutura social do país, quase sem escalas, totalmente na marra... que símbolo incrível das mudanças pelas quais o Brasil está passando!".
Mas é valiosíssimo por algumas simples conclusões sobre a relação cultura/mídia:
O que o novo sucesso popular brasileiro, criado à revelia da mídia, ainda busca na mídia é a legitimação, o selo de que é mesmo sucesso e se possível "cultura".
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Isso é Calypso - ou A Lua Não Me Traiu.
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