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Foto: Divulgação
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"Lá fora o mundo é outro, menino", bem poderiam dizer nossos avós. Transpor a porta que separa dois mundos é quase sempre um passo lento e dolorido; experiência que Thiago viveu na alma: é pelos olhos dele que vemos o quão amargo é o mundo adulto. E é nos olhos dele que vemos o silencioso ruir do santuário de sua inocência. Filme que encerrou o último Vitória Cine Vídeo, e que está em cartaz desde a última sexta-feira (25) no Cine Metropolis,
Mutum conta como foi espinhoso para o menino Thiago trocar o solo fértil de sua meninice pela terra dura do sertão mineiro (isso em vários sentidos).
Inspirado na história de Miguilim, da novela
Campo Geral (Manuelzão e Miguilim), de Guimarães Rosa,
Mutum, além de ser um lugar onde a modernidade nunca esteve, vai ver se perdeu no caminho, é também o lugar onde vivem Thiago e sua família, Thiago e seu rude pai, Thiago e seu irmão e único amigo Felipe.
Fazer filme sobre infância é uma tarefa que pode ser ingrata, o risco de se cair num dramalhão de apelo fácil é grande. Mas o filme soube captar a sutileza do universo de Guimarães Rosa. Nada ali é dado de graça ao espectador. Experiências que poderiam ser largamente exploradas - o primeiro contato com a morte, a violência, amargura -são transmitidas pelo silêncio. O sentido está no não-dito.
Para a história ganhar humanidade, a diretora Sandra Kogut (do comovente documentário
Um Passaporte Húngaro, 2002) preferiu que o elenco fosse composto por atores não-profissionais. E é assim em grande parte. Thiago e Felipe, por exemplo, são fruto de um grupo de 25 crianças escolhidas a dedo pela diretora.
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Foto: Divulgação
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Sandra preferiu sair ela mesma à cata de não-atores pelo sertão de Minas Gerais, "explorado" durante cerca de um ano e meio. A diretora entendeu que a vida dos personagens e a daquelas pessoas apartadas do mundo não eram tão distantes assim uma da outra.
No site oficial de
Mutum, Sandra conta como a história de Guimarães Rosa lhe tocou fundo na alma: "Apesar de a história ser uma espécie de faroeste, de se passar num mundo de vaqueiros, bem distante do meu, tenho o sentimento de entender profundamente as sensações da infância que o livro conta. Sempre me senti íntima do Miguilim, como se o conhecesse muito bem".
Guimarães Rosa é assim mesmo. Embora suas histórias se passem num mundo distante de nós, homens/mulheres supostamente urbanos, modernos, elas tratam de temas universais. Seja em Mutum, Vitória, Londres ou Nairóbi, a empatia com os sentimentos e vivências dos personagens é imediata. Os sabores e dissabores da vida devem ser as únicas coisas democraticamente distribuídas neste mundo.
Serviço
Mutum (Idem, Brasil/França, 2007, 95 minutos, Livre) está em cartaz no Cine Metropolis. Av. Fernando Ferrari, 514, Ufes. 15h30 e 17h10.
Saiba mais!
Clique aqui e acesse o site oficial de
Mutum.
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