A demarcação física dos 11.009 hectares de terras indígenas recém reconquistados pelos índios Tupinikim e Guarani do Estado, finalmente começou. Os trabalhos iniciam com mais de três meses de atraso da Fundação Nacional do Índio (Funai). Contarão com uma equipe técnica de funcionários do órgão e mais um índio de cada uma das sete aldeias existentes na região.
A demarcação física da área será finalizada em 90 dias. O objetivo é assegurar a proteção dos limites demarcados, impedindo assim uma nova ocupação por terceiros na área. Além disso, permitirá que a Aracruz Celulose inicie a retirada dos eucaliptos do território indígena. Sem a demarcação, os índios estão desde o início do ano de mãos atadas. Com a madeira em suas terras, a comunidade continua impedida de iniciar os projetos de sustentabilidade para a região.
Depois de finalizada a demarcação, o processo será submetido ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para que enfim seja homologado. O prazo para isso é de 30 dias, no Cartório de Imóveis da comarca correspondente e no Serviço de Patrimônio da União (SPU).
Com a retomada dos 11.009 hectares, o território indígena Tupinikim e Guarani passou de 7 mil para 18.027 hectares de terras indígenas. A intenção da comunidade é que com o fim do processo se inicie a recuperação das terras, assim como os projetos que recuperam a cultura indígena na região.
Um Termo de Referência chegou a ser elaborado pelos índios, para garantir o Estudo Étnico-ambiental que será realizado pela Funai na região, que irá zonear as áreas destinadas à reconstrução de aldeias destruídas no passado, e nortear o reflorestamento e o plantio de alimento para os índios.
A expectativa é reverter a atual situação de degradação das terras. Com a chegada da Aracruz Celulose na região, além da devastação da mata atlântica, sofreram os animais que debandaram, os rios que foram contaminados e, conseqüentemente, a comunidade, que se viu sem recursos naturais para sua subsistência.
Ao todo, o Espírito Santo abriga 2.466 índios Tupinikim e Guarani distribuídos em sete aldeias. Além destas, mais três aldeias estão sendo finalizadas na área retomada. São elas as aldeias de Olho d'Água, Areal e dos Macacos. Segundo os índios, a comunidade está vivendo um sentimento de liberdade jamais experimentado pelas gerações mais novas dos povos Tupinikim e Guarani.
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