Vitória (ES), edição de 09 de abril de 2008
 
Justiça cita professora
processada pela Aracruz Celulose


Ubervalter Coimbra



A professora Elda Alvarenga terá que comparecer à Segunda Vara Cível de Aracruz, no norte do Estado. Ela está sendo processada pela transnacional Aracruz Celulose em ação para impedir seu trânsito nas terras que ocupa. Ela não é a única vítima da empresa em ação deste tipo: quatro outros trabalhadores também estão sendo processados pelo mesmo motivo.

A citação da professora Elda Alvarenga foi publicada na página 20 da edição desta quarta-feira (9) do jornal A Gazeta. O edital é de responsabilidade do Juízo da Segunda Vara Civil e assinado apenas pela escrivã Vânia Lúcia Ribeiro Paranhos.

A ação é de "Interdito Proibitório" requerido pela Aracruz Celulose no processo 6050038345. São requeridos "Emil Schubert, Luiz Alberto Soares Loureiro, Elza de tal e Lígia Sâncio". O Edital de Citação, com prazo de 30 dias, diz que o juiz da Segundo Vara Civil cita a "requerida: Elda Alvarenga, brasileira, professora, atualmente em lugar incerto e não sabido, de todos os termos da presente ação para, querendo, oferecer contestação".

A seguir, faz "advertências". Entre elas que "o prazo para contestar a presente ação é de 15 dias, a partir do prazo supracitado" e que "não sendo contestadas a ação, presumir-se-ão aceitos pela parte requerida como verdadeiros os fatos alegados na inicial, salvo no que diz respeito aos direitos indisponíveis". O edital está publicado no Fórum de Aracruz.

Com os processos, a Aracruz Celulose visa intimidar as pessoas que ajudam os índios na luta pela recuperação das terras que ocupa no Espírito Santo. A Aracruz ocupou e explora as terras indígenas desde sua implantação, durante a ditadura militar, há 40 anos. Do mesmo modo, ocupou e explora o território quilombola e áreas devolutas em vários municípios do Estado.

A Aracruz Celulose tem favorecimentos dos governos federal, estadual e municipal. Mesmo, assim os índios conseguiram recuperar uma parte dos cerca de 40 mil hectares que a empresa tomou: começou nesta segunda-feira (7) a demarcação física dos 11.009 hectares de terras indígenas recém reconquistados pelos índios Tupinikim e Guarani. Os trabalhos estão sendo realizados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e começaram com mais de três meses de atraso. No total, os índios reconquistaram 18.027 hectares de suas terras tomadas pela Aracruz Celulose.

   
Justiça também cita espólio

Um outro edital publicado pela Segunda Vara Civil de Aracruz ao lado do que cita a professora Elda Alvarenga, tem como requerido o "Espólio de Wilker Ker". É citada a inventariante Cláudia Menezes Nascimento Ker. Contra o espólio, a Aracruz Celulose faz uma ação Rescisória, no processo 6060069777.

A inventariante tem prazo de 15 dias para contestar a ação. E que não sendo contestada a ação "presumir-se-ão aceitos pela parte requerida como verdadeiros os fatos alegados na inicial, salvo no que diz respeito aos direitos indisponíveis".

   


Leia mais:
  • A saga de uma repórter que acompanhou a luta dos índios pela retomada de suas terras:
    Meninos, eu vi jorrar sangue, suor e lágrimas nos eucaliptais!

    (reportagem publicada em 01/09/2007)


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