Reclamamos sempre da "pequenitudade" da cidade. De encontrar as mesmas pessoas sempre. De ir aos mesmo lugares, mas aí quando nos deparamos com placas de ônibus com destino a lugares como Muribeca, Putiri, Bubu, Inhaguetá, Bandeirantes, Boa Sorte, Vila Cajoeiro, Taquara e para citar alguns, temos a sensação que ainda há muito que se conhecer da Gran-Vix. Muitos e muitos destinos desconhecidos.
Para ilustrar, vou usar a relação que há entre Serra e Vila Velha. Mundos completamente distantes um do outro. E não estamos falando de geografia. É lógico que existem várias Serras dentro da Serra e diversas Vilas Velhas dentro de Vila Velha. Se por um lado, todo mundo conhece (ou já ouviu falar de) Laranjeiras, Maguinhos, Jacaraipe, Nova Almeida e Carapina. Do outro, Praia da Costa, Itaparica, Itapoã, Glória e Prainha também são conhecidos. Agora, comece a citar os bairros mais distantes e veja se um morador do outro município conhece (muitas vezes nem da própria cidade).
Não, não espere um explicação ou um tese sobre o motivo dessa não-integração. Até porque para isso teríamos que jogar na roda os outros municípios da região metropolitana e os bairros "lado b" de Vitória - apesar de estar no meio e ser passagem de um lugar para o outro, certas partes da ilha são quase "virgens" para a grande maioria da população. O que temos aqui é apenas uma constatação ou ainda um pequeno retrato - menor que três por quatro.
Alguns casos podem desenhar ainda mais esse panorama. Uma amiga, moradora da cidade histórica, foi contratada para trabalhar em uma empresa na Serra. Dúvidas básicas como que ônibus pegar eram pequenas diante de um "onde estou". Idas a bairros como Valparaíso e Jardim Limoeiro eram quase safáris pela savana africana. Imaginem se fosse a parte mais bucólica da cidade como Pitanga, Serra-Sede, Divinópolis ou a uma das Serras Douradas. Ao ouvir "Mata da Serra", achou que se depararia a uma versão serrana da "Mata da Praia". Sim, até ela acha graça da situação.
Com outra amiga, a situação foi inversa. Habitante de Carapina - ou seria André Carloni - recebeu uma proposta de emprego em Vila Velha. Já saberia que teria que enfrentar ônibus cheios e trânsitos do tipo Fernando Ferrari, Reta da Penha e Terceira Ponte todos os dias. Abstraiu esse detalhe e foi para onde seria o seu novo local de trabalho. Ficava em "Primeiro de Maio". Um nome sui-generis para um bairro, mas isso não vem ao caso. Lá foi ela, duas horas depois chegou. Longo tempo de viagem, o bastante para decidir não aceitar o emprego. Hoje, trabalha feliz na Ilha de Santa Maria.
Indiscutivelmente há situações bem mais extremas que essas citadas, como existir quem não ligue com as distâncias que de fato são pequenas se comparadas a capitais vizinhas. Quem mora em Bangu e trabalha no Leblon, no Rio, sabe o real significado de longe. Assim, como os moradores da zona leste paulistana devem saber quando vão para a oeste. Mas, assim como o tempo o espaço também pode ser psicológico. Conheço pessoas que qualquer lugar fora dos limites de Jardim da Penha (Pedra da Cebola ao norte, Ponte Airton Senna ao Sul, Praia à leste e Ufes à oeste) é quase uma viagem.
Fica então a dúvida se a cidade é realmente pequena ou se somos nós. Deviria haver dias pela integração da região metropolitana, algo como "pegue um transcol e vá o mais longe que puder por apenas R$ 1,90!". Seria interessante termos moradores de Jardim Camburi passando o dia em Nova Brasília ou moradores de Soteco em um dia de sol na Ilha do Frade. Quantos intercâmbios interessantes e possíveis work-experiences sem a necessidade de vistos e se sujeitar aos subempregos do primeiro mundo. Alguém topa em abrir uma agência ou organizar excursões?
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