Na última terça-feira (15), o assassinato do advogado Antônio Denadai completou seis anos. O caso entra na sua fase final e a juíza da 4ª Vara Criminal de Vila Velha, onde o processo está tramitando, Elza Maria de Oliveira Ximenes, deve marcar no próximo mês o julgamento do acusado de ser o mandante do crime, o empresário e ex-PM Sebastião Pagotto.
O julgamento acontece em um momento favorável para Pagotto, já que quase não há testemunhas do caso, apesar dos diversos indícios do mando na morte de Denadai e de ser o maior favorecido com o desaparecimento do advogado. Uma delas já chegou a mudar o depoimento, depois de ser ameaçada, e outra é a irmã de Denadai, a deputada Aparecida Denadai.
Entretanto, o julgamento do acusado de ser um dos executores do advogado, o soldado-PM Dalberto Antunes da Cunha, não tem data para acontecer. Isso porque a defesa dele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, ele aguarda o julgamento preso. A mulher dele, a major-PM Fabrícia Soares da Cunha, que também é acusada de participar do crime, está em liberdade.
Pagotto foi indiciado pela Polícia Federal na época do assassinato como mandante do crime. Segundo investigações, o empresário mandou matar Denadai porque ele faria denúncias sobre suas ligações com a prefeitura de Vitória, durante a gestão tucana, de Paulo Hartung e de Luiz Paulo Vellozo Lucas.
O advogado Joaquim Marcelo Denadai foi liqüidado a tiros no dia 15 de abril de 2002, enquanto caminhava no calçadão da Praia da Costa, em Vila Velha. O fato aconteceu um dia antes de encaminhar à Justiça uma queixa crime em que, segundo o coordenador do extinto Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO), do Ministério Público Estadual (MPE), promotor Fábio Vello, citava o envolvimento de 12 empresas, algumas administradas por laranjas, em fraudes em licitações, concorrências e serviços públicos nas 78 prefeituras existentes no Espírito Santo e outras no Rio de Janeiro.
Pagotto foi preso por três vezes, uma delas por tentar subornar testemunhas do caso. Mas nunca ficou muito tempo na prisão. Já os demais envolvidos no crime, sejam testemunhas ou participantes, temem pela vida. Desde o início do caso, seis delas foram assinadas. A última foi Leonardo Maciel Amorim, o Léo, morto a tiros em junho de 2004. Ainda entre os mortos está o ex-tenente da PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, que era segurança e amigo de Sebastião Pagotto, e foi executado com mais de 30 tiros, exatamente um mês após ter sua prisão preventiva suspensa por força de um habeas-corpus.
Em março de 2003, o comerciante Eduardo Victor Vieira, 28, foi morto dentro de seu ferro-velho, localizado em Vila Velha. O local foi invadido por dois homens armados, que anunciaram um assalto. Eduardo iria depor contra Pagotto na semana seguinte ao seu assassinato.
Foi neste ferro-velho que a Polícia Federal encontrou um veículo gol branco, que havia sido clonado e que foi dirigido por Dalberto para dar fuga ao assassino de Denadai. Também foi morto o mecânico Carlos Alberto Almeida, 36. Este último, ao que parece, foi assassinado por engano.
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