Vitória (ES), edição de 17 de abril de 2008
 
Agricultores defendem mobilização social
contra benesses às transnacionais


Ubervalter Coimbra



A sociedade deve reagir a projetos que destinem dinheiro público às empresas privadas. Tais recursos públicos deveriam ser aplicados prioritariamente em educação, saúde e reforma agrária, entre outros setores. A opinião é de Valmir Noventa, um dos coordenadores do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Estado.

O dirigente apontou o absurdo da aplicação de dinheiro público na área privada ao analisar a inclusão do Portocel no Plano Nacional de Viação. A inclusão foi aprovada esta semana pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O relator do projeto foi o deputado federal Neucimar Fraga (PR-ES). O Portocel é da Aracruz Celulose (51% das ações) e da Cenibra (49%).

O dirigente do MPA entende que decisões como a tomada com a iniciativa do deputado Neucimar Fraga "agridem e são desrespeitosas com o povo". Valmir Noventa lembra que estas ações "transferem dinheiro público para empresas privadas. O dinheiro público deve ser aplicado em áreas essenciais para a população", apontando a seguir a falta de recursos em áreas essenciais.

Parlamentares que servem aos interesses das empresas como a Aracruz Celulose "não merecem a confiança do povo capixaba". Valmir Noventa entende que Neucimar Fraga, da mesma maneira que outros parlamentares, é apenas usados pelas empresas, verdadeiras autoras do projeto. E tudo com a conivência do governo brasileiro.

Afirma o dirigente do MPA: "O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal nada mais é do que transferência de recursos públicos para as empresas. Dinheiro em grande quantidade e a juros baixos, com prazos longos para pagamento".

Valmir Noventa acredita que com a inclusão do porto no Plano Nacional de Viação, o deputado federal Neucimar Fraga está pagando alguma conta à Aracruz Celulose. "Pode ser uma gratificação por financiamento de campanha", diz.

De fato, só na campanha eleitoral de 2006, Neucimar Fraga recebeu da Aracruz Celulose R$ 45 mil, segundo relatório divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Aracruz Celulose não foi a única empresa poluidora a financiar a campanha de Neucimar Fraga. Também a Caemi Mineração S/A (da Vale) contribuiu com R$ 50.000,00; a ArcellorMittal Tubarão (então CST) R$ 40.000,00; Flexibras Tubos Flexíveis Ltda, R$ 50.000,00, e Cepemar Serviços de Consultoria em Meio Ambiente, R$ 15 mil.


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