Não escapa nem coronel





Logo depois de o governo informar ao jornal A Gazeta que vai investir R$ 1 bilhão, em 2008, a bandidagem, que anda solta no Estado por falta de policiamento, seqüestrou, em pleno bairro de classe média, Santa Lúcia, o tenente-Coronel PM, Glauco Carminat, que comanda o setor de relações públicas da Polícia Militar.

Detalhe: os seqüestradores pegaram o coronel, que estava fardado, tomaram-lhe o revólver e o celular. E o largaram na Rodovia do Contorno. É o fundo do poço. É a impunidade total. É desrespeito ao governo e não ao coronel. O coronel foi vítima, como tem sido vítima a população do Estado, devido a falta de policiamento na rua.

Mas não podemos deixar de lamentar o seqüestro do coronel, mas ao mesmo tempo, esperamos que o governo tire desse lamentável episódio a necessidade de completar o contingente de policiais, cujo déficit chega à casa dos cinco mil. E o déficit não está só na Polícia Militar. Na Polícia Civil também.

O ideal de delegados seria de 60, mas há apenas 21; de investigadores 62, o efetivo é de apenas 48; e dos escrivães o ideal seria 180 contra um efetivo de 27. É o fim da picada, pois se trata da própria negligência de um governo que vive à custa de confete da imprensa amiga. Que, inclusive, dá às costas para a situação caótica da segurança no governo Paulo Hartung.

O capixaba está sendo assaltado e seqüestrado todos os dias. E o governo não se dá conta da sua irresponsabilidade diante do problema da segurança. Não adianta sacar números de investimentos no setor. Números, apenas números, quando esses recursos não se fazem presentes nas áreas mais vulneráveis do setor.

O governo tem que aproveitar-se desse seqüestro do tenente-coronel PM para, enfim, se dar conta da gravidade da situação da segurança. Se os seqüestradores não estão aliviando sequer os oficiais da PM, o que pode acontecer com a população civil, que hoje é meramente estatística.

Os seqüestros são tantos que viraram rotina. Mas de coronel de PM é novidade e chama represália que pode custar muito caro ao governo.