Na última
Tópicos (revista trimestral do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Espírito Santo - CREA/ES) foi publicada uma matéria intitulada
Arquitetura contra o Crime onde o autor esclarece de maneira bem sucinta como a "ação dos criminosos pode ser inibida se os profissionais resolvessem melhor aspectos de acessibilidade, visibilidade e iluminação."
Apesar de concordar com alguns pontos que o autor menciona no referido artigo como, por exemplo, a abolição de muros altos e "cegos", acredito que ele se esquece que a questão da criminalidade é extremamente complexa e delicada, especialmente num país que enfrentou cerca de 400 anos de escravidão e exploração econômica.
Esse legado, principal causa, segundo diversas pesquisas, do maior problema das nossas cidades, a violência urbana, não vai ser resolvido adotando sistemas cada vez mais sofisticados de segurança. Estamos indo justamente no caminho oposto. Apesar de demandar operações de repressão urgentes e efetivas, a violência urbana e a criminalidade só será realmente diminuída com ações a longo prazo que passam por melhorias na educação e na distribuição de renda.
Acredito que a Arquitetura, ou melhor, os Arquitetos têm muito a contribuir para isso construindo uma cidade mais justa e mais democrática de fato. Abaixo alguns exemplos de verdadeiras
Arquiteturas contra o Crime.
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Foto: Nelson Kon, publicada originalmente na Revista PROJETODESIGN - Edição 325 de março de 2007
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| Ao centro, a unidade do Centro Educacional de Santo André (CESA), no bairro de Jardim Santo André, contrasta com a ocupação urbana desordenada e a cobertura vegetal remanescente nos morros.
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Foto: Carlos Kipnis, publicada originalmente na Revista PROJETODESIGN - Edição 296 de outubro de 2004
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O pátio coberto de recreação é aberto, dando origem à um espaço amplo que também pode ser utilizado pela comunidade fora dos horários de aulas.
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Apesar de não ser arquitetura...
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Foto: AP, publicada originalmente no site www.estadao.com.br em 13 outubro de 2006
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O pioneiro do microcrédito em Bangladesh, Muhammad Yunus, é rodeado por admiradores após ter sido agraciado com o Nobel da Paz.
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Muhammad Yunus através do seu banco, ao invés de dar o dinheiro, fornece crédito a pessoas que não se enquadravam nos perfis exigidos pelas grandes instituições financeiras. O pagamento do empréstimo é feito na base da confiança, já que o credor não precisa dar outras garantias ao pedir o dinheiro. Qualquer um pode se qualificar para um empréstimo, e a média do valor é de cerca de US$ 200. Para que o banco tenha um controle sobre a saída e entrada do dinheiro, os beneficiados são colocados em grupos de cinco pessoas. Enquanto dois recebem um empréstimo, os outros três devem esperar o pagamento do mesmo para conseguirem retirar os valores. Cria-se, então, uma rede auto-sustentável.
Vocês talvez possam estar se imaginando porque coloquei o bengalês do Grameen Bank e não o Lula do Bolsa-Família. Não é pelo deslumbramento do Prêmio Nobel, não! O Bolsa-Família, programa federal que, na verdade, é um desdobramento do Bolsa-Escola, programa do governo de FHC, é, assim como seu antecessor, paliativo e assistencialista. Ou, trocando em miúdos, não ensina ninguém a pescar, dá o peixe. É como esmola. Da mesma forma que a Princesa Isabel aboliu os escravos sem dar-lhes nenhum tipo de suporte ou estrutura, fazendo com que as primeiras favelas fossem criadas, a direita e a esquerda acreditam que dando esmola vão solucionar os problemas de distribuição de renda. Na pior das hipótese (ou na melhor, se visto na lógica dos políticos), vai gerar eleitores fiéis para os demagogos que acabam governando o Brasil.
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