Vitória (ES), edição de fim de semana    
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Lá sou amigo do rei



Da Redação



  
Foto: Divulgação
  

Bandeira de Bolso (L&PM, 168 págs, R$ 12 em média) é uma antologia reúne 149 poemas entre os mais populares e os mais significativos de Manuel Bandeira (1886-1968). A apresentação na ordem cronológica em que foram publicados possibilita observar a evolução estética da poesia do autor e as diferentes fases ao longo de sua carreira literária.

Nos seus primeiros poemas, publicados em A Cinza das Horas (1917), já é possível perceber algumas das características marcantes de sua lírica que o tornariam precursor de modernismo como: o uso do verso livre, a adoção de uma linguagem mais coloquial e a presença da ironia, através da qual zomba da sua condição de tísico. Também neste livro de estréia o autor já apresenta seus temas mais caros, que perpassam a sua produção lírica: a infância, o amor e a morte.

Carnaval (1920), seu segundo livro, de tom ainda predominantemente simbolista, já apresenta outra característica marcante de sua obra: o uso do português brasileiro, com marcas da fala cotidiana, ao contrário da herança lusa muito em voga na literatura da época.

Já nos poemas de Libertinagem (1930), o poeta canta as casas, as ruas, a cidade, o povo, e, indiretamente, abraça a busca da nacionalidade, que é um dos carros-chefe dos modernistas. É também neste livro que foi publicado Vou-me embora pra Pasárgada, de longe o poema mais divulgado do poeta e um dos mais emblemáticos da literatura brasileira.

Sobre Bandeira
Manuel Bandeira nasceu em 1886 em Recife. Aos quatro anos, mudou-se com os pais para o Rio de Janeiro, passando por Santos, São Paulo, Petrópolis e voltando ao Recife em 1892, para uma estadia de quatro anos que marcaria a infância do escritor. Em 1896, a família retorna ao Rio de Janeiro, cidade na qual Bandeira toma contato com a literatura e publica os primeiros versos, no Correio da Manhã.

Com 18 anos, preparando-se para entrar na universidade, Bandeira é diagnosticado tuberculoso. A partir de então busca tratamentos para atenuar a doença. Desenganado pelos médicos, passa a esperar a morte, que só viria aos 82 anos. Entre a publicação de um livro e outro, colaborou com artigos e crônicas para a imprensa, traduziu e lecionou.


 

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