| |
Foto: Marcos Banina
|
|
| Buenos Muchachos
|
O rio da Prata é uma imensidade de água onde muitas vezes é impossível ver a outra margem. Alguns chamam de "mar dolce". E não por menos com navios, praias e ondas em nada se difere em aparência de um mar. Talvez, a graça seja justamente essa, parecer sem ser. Tão grande quanto a distância da margem oriental para a ocidental é o número de bandas de rocks que habitam cada lado. Demoraríamos mais tempo para falar de cada uma delas - menos se limitando as mais contemporâneas - do que o levaríamos para atravessar o rio a nado. Nessas horas é melhor pedir orientação daqueles que não só entendem como vivem essas músicas: os platinos.
Convoquei dois amigos para me fazer companhia nessa viagem, na verdade me conduzirem. Um argentino e outro uruguaio. Mais uma banda argentina e mais uma uruguaia. Agora como aval e indicação deles. Por mais que a internet possa me ajudar, nessas horas ainda é melhor contar com a subjetividade hermana. E lá vamos nós.
Falta pouco para Gonzalo Parma se tornar arquiteto. Uruguaio de Montevidéu, divide seu tempo entre aulas, estágios e viagens. Ao ler o texto sobre as bandas uruguaias, disse que a minha escolha foi precisa, que as duas bandas que eu tinha escolhidos - Buitres e No Te Va gustar - eram as mais midiáticas. Curioso, perguntou sobre as bandas argentinas também e me indicou Dividimos, uma banda clássica para o rock em espanhol. Sobre as bandas uruguaias questionou se era uma escolha minha ou se tinham me passado aqueles nomes. Respondi que era minha. "Bueno, de Uruguay no escuchaste nada de Buenos Muchachos? Es una banda que está pegando mucho ahora y hacen música muy en serio con muy buenas letras. El cantante se llama Pedro Dalton y tiene algunos libros de poesía escritos".
Segui a indicação de Gonzalo e fui atrás de informações e músicas dos Buenos Muchachos - nome mais cucaracho imposible! A banda surgiu no verão de 1991, em uma garagem de Montevidéu - esse filme se passa em todos os países. Na verdade essa é a versão poética do início da banda, há outra que eles começaram a tocar em um bar e com o sucesso se firmaram até gravar o primeiro disco. Como o vocalista é um escritor, todas as duas versões podem ser inventadas e a banda na verdade não passar de puro realismo fantástico.
Além de Pedro Dalton, o vocalista-escritor, a banda é formada atualmente por Gustavo Antuña (Guitarra), Marcelo Fernández (Guitarra), José Nozar (Bateria) e Alejandro Itte (Baixo). Indas e vindas de integrantes fizeram a banda ficar dois anos paradas no começo da carreira. Isso não alterou o sucesso da banda junto à juventude uruguaia que lotam os seus shows para ouvir o som com influências de Pixies, Sonic Youth e Nirvana. Desde 1996, já lançaram seis discos. O último foi em 2006, intitulado
Uno Con Uno y Así Sucesivamente. O disco tem uma sonoridade única se comparados aos anteriores e conta com diversos convidados. Destaque para
Cambió el Cuarto, uma música linda com um clipe intrigante que mostra um casamento cigano. O Uruguai pode ser surpreendente.
| |
Foto: Divulgação
|
|
| Árbol
|
Antes de descobrir as bandas de rock argentinas, fui descoberto por um argentino que se dizia "mi gemelo" por e-mail. O remetente assinava "Leonardo Viso" assim como o destinatário. Achei que era vírus, mas mesmo assim resolvi abrir a mensagem. Nisso encontrei um xará argentino e viramos amigos. Foi através desse argentino da província de Buenos Aires - não confudir com a cidade de Buenos Aires - que tentei informações sobre as bandas de allá. "!Vas mal conmigo! La verdad es que no me gusta la música nacional", foi a primeira coisa que o outro Leonardo Viso me respondeu. "No la escucho, así que no se que bandas están de moda hoy. Pero lo que más suena acá son las bandas de rock and roll", completou antes de me listar algumas.
Los Piojos, La Renga, La Bersuit Vergarabat, Las Pastillas de Abuelo e Babasonicos foram alguns dos nomes citados. Entre eles de uma banda mais nova que estava fazendo muito sucesso na Argentina: Árbol. Leonardo sabia do sucesso, mas não conhecia nenhuma música da banda. Nem sempre dá para contar com os argentinos, nem mesmo com aqueles que têm seu nome e sobrenome. Fui sozinho atrás das músicas e das informações sobre o Árbol. E achei.
O grupo se formou no fim de 1994, na cidade de Haedo, zona oeste da Grande Buenos Aires. Sua carateristica é versatilidade ao misturar instrumentos e ritmos ao rock de rap, ao reggae, passando pelo funk, country e chacarera (um ritmo local). O Árbol é composto por Hernán Bruckner (guitarra e voz), Martín Millán (bateria e voz), Pablo Romero (voz e guitarra) e Sebastián Bianchini (baixo e voz). O primeiro disco foi gravado independente em 1996. Pouco tempo depois, o grupo mexicano Café Tacumba, ao conhecer a obra, indicou o grupo ao renomado músico argentino Gustavo Santaolalla, que reeditou o disco no seu selo. Foi sucesso de norte a sul na Argentina e também no Uruguai.
Nesses 14 anos de carreira, o Árbol já lançou seis CDs e dois DVDs. Há quem diga que o grupo vem tomando um rumo "adolescente" e simplista. Há quem discorde. Não me meto em discussão alheia e faço meus destaques. Do primeiro disco,
Jardín Frenético, vale a pena a canção
Sexo.
Árbol, o disco seguinte, é o primeiro reeditado, mas com músicas duas novas. Nenhuma indicação do terceiro álbum
Chapusong's - não ouvi nada desse.
Guau! é o quarto álbum e tem
Pequeños Suemos de destaque, é seguido por
Miau! o primeiro disco ao vivo basicamente de sucessos anteriores.
O disco mais recente da banda é
Hormigas, lançado em 2007. Com 14 faixas trazem a mistura e versatilidade sonora do grupo, se despedir
Soy Vos,
Plata e
Sobrinos. Árbol mostra que os argentinos podem ser bons de tangos e de outros ritmos também. Nunca os subestime. Eles ainda podem dominar as nossas paradas de sucesso - ok, não os superestime, eles já se acham o bastante sem nossa ajuda.
Saiba mais!
Clique aqui e visite o site dos Buenos Muchachos.
Clique aqui e leia textos de Pedro Dalton.
Clique aqui e visite o site do Árbol.
Clique aqui e leia
Sonidos del Plata (Margen Occidental).
|