"1. A proliferação de Flips, Flaps, Flops, Baladas e Copas Literárias, e até Raves Culturais, nas quais a literatura aparentemente se afirma como evento globalizado de massa ou motivo de festa popular, associada a fenômenos alegadamente deleitosos como batuque, botequim, noitada, e, por que não?, celebridades, pois nem elas querem ficar por fora da grande "novidade" da leitura, assim como os novos "leitores" não querem deixar de tirar uma lasquinha ao vivo de seu astro, que digo?, de seu "autor favorito". Dessa tendência, a pergunta relevante é saber em que medida a imaginação da literatura, trabalhada pelo marketing dito "cultural", pode contribuir para incrementar o hábito festeiro, pois a questão contrária, isto é, de que modo a festa pode contribuir para a literatura, é apenas uma piada de salão."
O trecho pertence a um texto de Alcir Pécora, professor livre-docente de Teoria e Crítica Literária e diretor do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), escrito para o jornal
O Estado de S. Paulo.
As palavras de Pécora podem parecer, e parecem, às vezes, irônicas e excessivamente pessimistas, resvalando mesmo num certo conservadorismo.
No entanto, temos trechos que chacoalham o intelecto: "7. O uso da literatura como repertório de narrativas edificantes, figuras comoventes e sentenças judiciosas para auxílio da filosofia em situações que demandem a adesão imediata do ouvinte não especializado, como no caso exemplar de programas de TV, onde filósofos sem preconceitos em relação à grande mídia se esforçam para ajudar o cidadão comum a encontrar a luz compreensiva da... cultura". É clara a crítica ao rasteiro manuseio da literatura, da filosofia, etc..., uma inocente manipulação para validar supostos princípios redentores da literatura, etc.... Alô, Viviane Mosé!
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