A informação de que a produção de celulose é uma das causas do aquecimento global deve ser levada aos consumidores na Europa, nos Estados Unidos da América, no Japão e na China. A sugestão é de Dorizete Cosme, um dos coordenadores estaduais do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Espírito Santo.
Dorizete Cosme analisou a afirmação de que a produção de celulose é prejudicial ao ambiente, também por aumentar a temperatura do planeta, feita por ativista norte-americano Julian Drix, da organização Maré Crescente, que combate o aquecimento global. Drix deu entrevista sobre o tema a Raquel Casiraghi, da Agência Chasque.
Explicou o porquê da responsabilidade das empresas produtoras de celulose: "Primeiro, para plantar eucalipto, eles destroem completamente a mata atlântica. Segundo, os agrotóxicos que eles usam. Os agrotóxicos são baseados em petróleo, que são a maior fonte de aquecimento global. E também o processo para produzir o papel precisa muita energia e tem muitas emissões de carbono. Estas grandes indústrias e os latifúndios são a fonte do aquecimento global", afirmou Julian Drix na reportagem.
Para Dorizete Cosme, o ambientalista norte-americano não só está certo, como devem ser agregados outros problemas no plantio de eucalipto e outras espécies usadas na produção da celulose. Entre eles que "os plantios são feitos com máquinas, que também consomem combustíveis fósseis".
É o caso da produção de eucalipto da Aracruz Celulose. O dirigente do MPA lembrou que "a empresa vem intensificando o uso de agroquímicos nos últimos cinco anos". Entre os agrotóxicos, a empresa usa um mar de herbicidas e formicidas, principalmente.
E aplica em alta escala adubos como o sulfato de amônia, à base de nitrogênio, o potássio e o fósforo. Estes produtos, como o nitrogênio sintético, acabam saturando o solo e contaminando a água. O excesso funciona como um veneno para espécies vegetais e animais.
No Espírito Santo e em outros estados, a Aracruz Celulose realiza o chamado Programa Produtor Florestal. "Os produtores que aderem ao programa realizam com freqüência a destruição de mata atlântica em regeneração para em seu lugar fazer os plantios de eucalipto", afirma Dorizete Cosme.
Ao dar razão ao ambientalista norte-americano, o dirigente do MPA disse que acredita que ele esteve no Brasil para fazer levantamentos sobre os danos ambientais e sociais das plantações de eucalipto e pinus, para denunciar em nível internacional.
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Veja a íntegra da reportagem da Agência Chasque
Celulose contribui para o aquecimento global
Reportagem: Raquel Casiraghi
Porto Alegre (RS) - Empresas de celulose também são responsáveis pelo aumento da temperatura do planeta. A afirmação é do ativista norte-americano Julian Drix, da organização Maré Crescente, que combate o aquecimento global. Para ele, três argumentos colocam as empresas entre as principais causadoras do problema ambiental:
"Primeiro, para plantar eucalipto, eles destroem completamente a Mata Atlântica. Segundo, os agrotóxicos que eles usam. Os agrotóxicos são baseados em petróleo, que são a maior fonte de aquecimento global. E também o processo para produzir o papel precisa muita energia e tem muitas emissões de carbono. Estas grandes indústrias e os latifúndios são a fonte do aquecimento global", afirma.
De acordo com o norte-americano, estas e outras empresas poluidoras usam o mercado de crédito de carbono e a propaganda para melhorarem suas imagens, sem atacarem o verdadeiro problema.
"Grandes empresas de petróleo, de carvão mineral, de outras coisas estão "lavando" suas imagens, por comprarem créditos de carbono que vem de plantações daqui ou de outros países do sul. Tem uma coisa nos Estados Unidos que se chama US CAP, que é um grupo de grandes empresas que dizem que estão fazendo algum coisa contra o aquecimento global, para buscar alternativas de energia, mas são as mesmas empresas que são o problema", declarou.
Entre as empresas que devem utilizar o crédito de carbono como propaganda de preservação do meio ambiente, o ativista destaca o banco Bradesco, a multinacional de petróleo Exxon Mobil e as empresas de celulose Aracruz e Stora Enso. Somente no Rio Grande do Sul, Aracruz e Stora Enso detêm cerca de 150 mil hectares plantados de pínus e eucalipto.
Julian Drix esteve no Brasil pesquisando para a produção de um filme sobre a monocultura de eucalipto, produção de celulose e o aquecimento global, que deverá ser realizado ainda este ano.
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