Vitória (ES), edição de fim de semana
 
‘O espírito de solidariedade é muito comum na Antártica e
isso nos faz crer que estamos construindo um mundo novo’

Um sonho: andar, correr e, se der, voar





José Rabelo


(“O Homem é do tamanho do seu sonho”. Fernando Pessoa)

Cruzo o campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para chegar até o Cemuni-1 (Célula Modular Universitária). É nesse módulo com nome psicodélico que fica o Laboratório de Planejamento e Projetos da Ufes. No trajeto é possível perceber que a ressaca do carnaval ainda não acabou na universidade. Alguns calouros “perdidos” com os corpos pintados caminham sob a guarda dos veteranos, provavelmente indo fazer “pedágio” nos semáforos. Passo por uma porta de vidro que dá acesso ao Laboratório. Para minha surpresa, deparo-me com uma ampla sala tomada por diversas pessoas. Às 9h30 da manhã eles demonstram, concentrados nas telas dos computadores, que já estão trabalhando há algum tempo. No fundo da sala minha entrevistada e coordenadora do Laboratório, professora Cristina Engel de Alvarez, acena para que eu me aproxime. Realmente o ritmo do Laboratório contrasta com o marasmo da universidade. “Você deve ter notado que ainda há muitas salas fechadas, agora olha para esta sala e repara o tanto de gente que está aqui trabalhando. Nosso lema é trabalho. Eu trabalho cerca de 12 horas por dia e muitas vezes sábados, domingos e feriados. Se não for assim, não damos conta da demanda”, justifica a professora.

Talvez o sucesso alcançado pela equipe da professora se deva à seriedade com que o grupo encara o trabalho. Tanta dedicação também tem suas recompensas. É naquela sala, que mais parece uma incubadora de projetos, que são desenvolvidas soluções tecnológicas para a estação Comandante Ferraz da Antártica, para os arquipélagos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha, Atol das Rocas, Trindade e Abrolhos. Sem falar nos projetos desenvolvidos para as áreas de fronteira da Amazônia e outros de cunho institucionais para os meios urbanos.

Embora esteja à frente de vários projetos de importância estratégica para o País, a professora não esconde certa predileção pela Antártica, não só por causa dos pingüins que enfeitam a sua mesa ou das imagens da Antártica que figuram na proteção de tela de seu computador. A história de fascinação da arquiteta pelo continente gelado é bastante antiga, já dura mais de 20 anos. Ainda na faculdade Cristina participou de um concurso nacional que tinha como objetivo incentivar a participação das universidades nas pesquisas na Antártica. Seu trabalho de monografia sobre arquitetura na Antártica foi o vencedor do concurso e como prêmio ela ganhou uma viagem para visitar a estação Comandante Ferraz. Em 1987, recém-formada, Cristina era a primeira arquiteta a pisar na Antártica. De lá para cá, a arquiteta de 46 anos – ou 30 mais 16 como ela prefere falar - já esteve na Antártica outras 14 vezes. Se fizermos uma média de todo o período de estada da pesquisadora nesses mais de 20 anos de Antártica, que variam de 30 a 60 dias a cada viagem, podemos dizer que a professora já ficou na Antártica por quase dois anos. Tanta experiência acumulada já criou uma história de vínculo e uma relação de carinho da pesquisadora com a Antártica que ela não pretende abandonar tão cedo. “O sonho de nossa equipe na Antártica é de andar, correr e, se der, até voar”.

Século Diário: - Qual é o trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Planejamento e Projetos da Ufes?

Foto: Arquivo Pessoal
  
Pesquisadora Cristina Engel em uma de suas viagens à Antártica
Cristina Engel de Alvarez: - Primeiro é preciso esclarecer algumas diferenças entre ciência e tecnologia. A ciência não tem preocupação de resolver problemas e sim de gerar conhecimento. Já a tecnologia é praticamente a busca de soluções. O problema é apresentado e você vai atrás das soluções. Isso torna a tecnologia mais imediatista. Na estação brasileira da Antártica nós somos o único grupo que desenvolve tecnologia. O lado ruim desta história é que nossa equipe está sempre apagando incêndios. Por exemplo, alguém diz que o programa antártico brasileiro está tendo um consumo de combustível muito grande. Nossa equipe é então acionada para identificar os problemas e encontrar soluções para racionalizar esse consumo.

- Recentemente, já que a senhora tocou neste assunto entre ciência e tecnologia, Marcello Dantas – especialista em tecnologia e criador do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo – disse que a tecnologia que funciona é praticamente invisível. A senhora concorda com essa afirmação?

- É verdade. Eu sempre preparo a minha equipe para receber poucos elogios. Porque o elogio acontece quando as pessoas justamente não comentam nada. Quando você faz uma modificação em um ambiente qualquer e as pessoas não dizem nada é porque ficou bom. Por exemplo, desde a minha primeira viagem à Antártica, em 1987, lembro que havia um grande descontentamento com as janelas da sala de estar da estação. Nós conseguimos resolver esse problema recentemente com a instalação de janelões que dão vista para uma paisagem maravilhosa. Agora que está pronto, as pessoas não se dão conta de como foi o processo para chegar a essa solução. Quando ela chega ao camarote, no entanto, reclama do tamanho das janelas, que são realmente pequenas. Por ai você percebe que as pessoas reclamam do que não está satisfatório. O que agrada passa despercebido.

- O que exatamente a equipe do Laboratório de Planejamento e Projetos da Ufes faz na Antártica?

- Nós trabalhamos primeiramente com o planejamento territorial na Península Keller. Fazendo uma comparação, é como se fosse o plano diretor de uma cidade. Definimos o que pode e o que não pode ser feito na Península. Dentro dessa demanda de zoneamento territorial estão as edificações, construções e reformas. Somos responsáveis também por todas as questões relacionadas à acústica, ou seja, avaliamos o impacto que a produção de ruídos da estação gera para o ambiente interno e externo. Cuidamos também da avaliação de impacto na paisagem. Alguns animais, por exemplo, só retornam ao seu local de nascimento porque têm o registro da paisagem. Quando você altera essa paisagem, não basta preocupar-se somente se essa edificação está harmônica ou não com o meio ambiente; é preciso saber qual o impacto que ela pode ocasionar aos animais que vivem ali. Uma outra tarefa da nossa equipe é desenvolver tecnologia para conter a corrosão. As estações são de estrutura metálica e os problemas de corrosão na Antártica são enormes.

Foto: Ricardo Medeiros
  
- A estrutura metálica é o material mais conveniente e eficaz para uma estação? A impressão que se tem é de que ela não se harmoniza com o ambiente.

- Essa foi uma opção inicial tomada há 25 anos, quando a estação foi fundada, em 1984. Por uma série de motivos, entre eles porque o pessoal da Marinha é preparado para trabalhar com estrutura metálica. Por isso foi feita a opção por esse material. Agora fica complicado e caro para mudar esse sistema. Entretanto, em termos de material construtivo, não existe material mais eficaz que a madeira para a Antártica. Realmente você tem razão quando diz que a estrutura metálica não é harmônica ao ambiente. Nós estamos agora trabalhando em um novo projeto que prevê o uso da madeira e do PVC. A madeira tem muitas vantagens sobre os outros materiais. É o único que é renovável. O que pode estragar a madeira, fazer com que ela apodreça, são os fungos e os mofos. Para que isso aconteça é preciso de oxigênio, luz e calor. Na Antártica temos os dois primeiros, mas não temos calor. Sem esse elemento a madeira não corre o risco de apodrecer e duraria por tempo indeterminado. A estação polonesa, por exemplo, é quase toda construída de madeira.

- Existem muitas dificuldades para passar a utilizar a madeira?

- Primeiro há uma questão burocrática. Os meios de aquisição de madeira no Brasil são extremamente complicados. No processo licitatório para compra dessa madeira você não consegue geralmente garantir uma madeira de qualidade em grandes quantidades. E, para construir uma estação, nós precisaríamos necessariamente usar uma madeira de primeira qualidade, certificada etc.

- Todos esses projetos desenvolvidos pelo Laboratório demonstram uma preocupação muito grande com as questões ambientais. Esse é um princípio que orienta todo o trabalho da equipe?

Foto: Arquivo Pessoal
  
Vista da estação brasileira Comandante Ferraz na Antártica
- Sem dúvida. Nós trabalhamos a partir do tripé conforto, segurança e meio ambiente. Esses três quesitos obrigatórios, por sua vez, estão vinculados à logística. Nós não podemos desenvolver uma solução que não considere a logística, por mais fantástica que ela seja. É preciso pensar como levar esse material para lá, executar e manter o projeto. A gente brinca que todo projeto viável é aquele que podemos carregar nas costas. Tudo tem de ser pensado como um jogo de armar. Primeiro testamos em algum lugar e depois levamos para lá para ser montado. Nesse processo nada pode dar errado. Não dá para esquecer algum detalhe e depois pegar o telefone para dizer que faltou um parafuso. Essa logística tem de ter erro zero.

- Retomando, quais são os outros projetos do Laboratório?

- Eu falei do zoneamento territorial, da corrosão e da acústica. Um outro projeto que está num momento muito positivo é o de tratamento de água e esgoto. Como o inverno é muito rigoroso na Antártica, nós pegamos água dos lagos de degelo. Esses lagos são reentrâncias nas rochas que acumulam água. No inverno esses lagos ficam cobertos por uma camada de gelo que evita que a água se congele. Entretanto, os últimos invernos foram tão rigorosos que essa água ficou congelada O resultado foi que ficamos sem água. Agora estamos procurando uma solução para resolver esse problema. Outra coisa interessante é que toda água gera esgoto. O que fazer com esse esgoto? Porque o cocô também congela.

- Qual a relação que existe entre arquitetura e tratamento de esgoto?

- O nosso grupo é de tecnologia. Minha formação é em arquitetura na área de tecnologia. Na verdade, eu tenho um pé na engenharia. Aqui no Laboratório a maioria dos profissionais tem formação em arquitetura, mas eu os puxo para a área de tecnologia. A equipe toda, no entanto, é multidisciplinar. Eu tenho físicos, engenheiros de várias áreas, desenhista industrial, de tudo um pouco. Eu não aceito desenvolver projetos de arquitetura que não tenham esse viés interdisciplinar. Do contrário não funciona. Eu acredito nesse trabalho de equipe, nessa troca de experiências de diversas áreas do conhecimento. Quanto mais profissionais palpitando melhor será a solução apresentada. E esse princípio de trabalhar em equipe não serve só para a Antártica. Nenhum projeto sai do Laboratório sem essa visão múltipla.

- Quantas pessoas trabalham hoje no Laboratório?

- Atualmente no Laboratório são 28. Mas eu tenho profissionais do Núcleo Água, do Centro de Tecnologia, do Laboratório de Eficiência Energética da Elétrica, do Nexem (Núcleo de Excelência em Estruturas Metálicas). Todos esses da Ufes. Depois, em São Paulo, nós temos o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), que é o pessoal da física que desenvolve os projetos de acústica. Algumas vezes também consultamos o Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), que trabalha com energias alternativas. No Rio também trabalhamos com o Arsenal de Marinha, que nos ajuda na parte de corrosão. Por essas parcerias dá para perceber que a equipe, além de ser multidisciplinar, é interinstitucional.

- E qual foi a solução que o Laboratório desenvolveu para o problema do esgoto?

- O que eu acho muito interessante nesta solução que apresentamos para o esgoto é que essa experiência já havia sido desenvolvida em favelas aqui de Vitória e nós a aproveitamos na Antártica. Essa estação de tratamento tem os processos bastante semelhantes aos utilizados nas estações convencionais. Entretanto, no último estágio de tratamento, esse esgoto passa por um bombardeio de raios ultravioleta (UV). Nós descobrimos que esse mesmo UV que é emitido pelos raios solares que mata células e que provoca câncer de pele destrói também bactérias. O único cuidado que a tecnologia exige é com o manuseio das lâmpadas na hora da manutenção. Essa é uma tecnologia barata, fácil e eficiente que devolve para o mar a água 99% tratada. Essa solução inclusive tem sido bastante divulgada e já há outras estações na Antártica interessadas em replicar a tecnologia, principalmente as latino-americanas, que têm uma realidade semelhante à nossa. Os Estados Unidos, por exemplo, vivem uma outra realidade. Se eles têm dinheiro para juntar todo o esgoto produzido, embalar e mandar tudo de volta para a América, ótimo. Essa solução para nós seria inviável, porque sairia muito caro. A logística deles é uma, a nossa é outra completamente diferente. Já a Polônia, que está muito distante da Antártica, se interessou pela nossa tecnologia.

- Como se dá essa integração, troca de experiência e conhecimento entre os países que estão na Antártica?

- Por que eu trabalho com a Antártica há 20 anos? Quando somos adolescentes sonhamos com um mundo ideal. Boa parte dos jovens, pelo menos os da minha geração, tem essa vontade de mudar o mundo. Entretanto, na fase adulta, a maioria das pessoas acaba abandonando esse sonho por uma série de motivos. Acredito que na Antártica nós realmente estamos construindo um mundo novo. Primeiro porque é um mundo sem fronteiras; segundo porque é uma região totalmente preservada, o que nós dá a chance, graças ao conhecimento que temos em tecnologia integrado ao meio ambiente, de criarmos um lugar onde o impacto ambiental seja zero ou bem próximo disso; terceiro porque não existe transação monetária. Nós costumamos dizer que o nosso dinheiro é a solidariedade. Quando um país está passando por algum tipo de dificuldade, todos ajudam. Um exemplo foi o naufrágio de um navio de cruzeiro que afundou próximo à Antártica em novembro passado. Inclusive eu estava na Antártica e presenciei a grande mobilização que houve para ajudar os náufragos. Ninguém estava interessado em saber qual era a bandeira do navio. Todas as embarcações que estavam disponíveis ajudaram a resgatar as pessoas, os restos do navio, o óleo para evitar a poluição. Esse espírito de solidariedade é muito comum na Antártica. Todos ali estão alinhados a uma mesma meta, ideologia e forma de pensar. Isso nós faz crer que estamos construindo um mundo novo. Isso torna a relação com os outros países harmônica, saudável e generosa.

- Como começou essa sua fascinação pela Antártica?

- Essa é uma história longa. Quando eu era jovem já me interessava pelos movimentos sociais e políticos. Durante o movimento estudantil, na universidade, havia uma rivalidade entre arquitetos e engenheiros, que, aliás, já foi muito mais acentuada. Em uma dessas discussões calorosas eu estava defendendo a arquitetura e um estudante de engenharia disse que eu era doida, que queria colocar a arquitetura em tudo, e soltou: ‘Deste jeito ela vai querer levar a arquitetura até para a Antártica’. E eu pensei: por que não? Se existem pessoas lá é preciso desenvolver tecnologias para elas. Decidi então fazer meu trabalho de monografia da graduação sobre a Antártica. No mesmo tempo em que estava concluindo meu trabalho surgiu um concurso sobre a importância do Brasil na Antártica e a participação das universidades neste processo. O concurso previa projetos de diversas áreas, mas não havia nada relacionado nem à tecnologia e nem à arquitetura, que era o tema da minha monografia. Mas mesmo assim eu resolvi arriscar. Primeiro meu trabalho foi selecionado na universidade e eles não perceberam que eu estava fora da regra. Depois foi para o estado (Rio Grande do Sul) e eles perceberam o equívoco, mas mesmo assim enviaram meu trabalho para Brasília, porque era um concurso nacional. Meu trabalho acabou ficando entre os seis melhores do País. Eu participei da seleção muito tranqüila porque achava que não ganharia pelo fato do meu trabalho estar em desacordo com o edital do concurso. Para minha surpresa, acabei vencendo e o prêmio era uma viagem para a Antártica. Terminei a faculdade em 1986, no ano seguinte estava pisando na Antártica pela primeira vez.

- E qual foi sua sensação ao chegar à Antártica?

- Foi tudo muito engraçado. Eu já estava estudando o tema havia dois anos, mas quando percebi o tamanho da responsabilidade fiquei apavorada. Afinal de contas, eu era a primeira arquiteta brasileira a participar de projetos na Antártica. Eu tinha medo de fazer uma besteira e acabar com a minha carreira e ainda queimar toda a classe de arquitetos. Quando estava no nível máximo da angústia, procurei um professor em quem eu confiava muito, inclusive já falecido, para pedir um conselho. E ele me disse uma coisa que repito até hoje para os meus alunos: ‘Quem é o arquiteto que mais entende de Antártica e está indo para lá?’ Respondi: ‘Não tem outro, sou só eu’. Então ele disse: ‘Então vai pra lá e faça besteira. Afinal, você tem esse direito’. Isso me ajudou muito. Se ele tivesse dito pode ir tranqüila que você sabe tudo, eu continuaria apavorada, porque eu tinha certeza que não sabia. Esse foi o conselho mais sábio que eu recebi na minha vida. Quando cheguei à Antártica fiquei realmente deslumbrada. Depois percebi que o difícil não era chegar, mas sair de lá.

- Quanto tempo a senhora permaneceu na Antártica?

- Nessa primeira vez, cerca de 40 dias. Mas nessa época as coisas eram bem diferentes. Não havia nem telefone nem Internet e mal conseguíamos nos comunicar através do rádio. Tudo era muito mais difícil. Mas, como eu ia dizendo, difícil é sair de lá. Depois que você conhece aquele outro mundo percebe que todas as pessoas estão lá porque querem. É um trabalho voluntário. Não tem como você não ser feliz na Antártica. Essa história de ser herói lá não tem nada a ver. Você é herói aqui convivendo com a violência e outros problemas sociais.

- No final de janeiro deste ano, uma comitiva de parlamentares brasileiros visitou a Antártica. Entre eles estavam o deputado federal Lelo Coimbra e o senador Renato Casagrande. As notícias que chegavam à imprensa tratavam o prolongamento da permanência dos dois parlamentares na Antártica, devido ao mau tempo, como um verdadeiro suplício. Essa sensação de pânico é verdadeira ou foi um pouco de drama dos parlamentares?

- Nós, pesquisadores, somos treinados para enfrentar situações atípicas na Antártica. Porque de fato há riscos. Quem é veterano sabe o risco que significa uma arremetida do Hércules (avião da Força Aérea Brasileira que faz o transporte de carga e de passageiros para a Antártica). A pista é curta e de pedregulho, muitas vezes está coberta de neve. No final da pista não existe nada além de um precipício. Isso deixa qualquer um em pânico. Outra questão: para quem está lá trabalhando, é uma coisa. Agora, se você vai para lá ficar olhando para a paisagem e pensando na vida, é diferente. Se defrontar com uma tempestade de neve é assustador, assim como perceber que o mar de repente está se encrespando. Essa mudança de paisagem de uma hora para outra para muita gente é assustadora. Eles ainda estavam na estação chilena, o que deve ter tornado a adaptação mais difícil.

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