Vitória (ES), edição de fim de semana    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
A arte dos obituários



Da Redação



  
Foto: Divulgação
  

Este título da coleção Jornalismo Literário, da Companhia das Letras, apresenta ao leitor brasileiro uma pequena amostra da arte de escrever obituários. O Livro das Vidas (312 págs, R$ 48 em média) reúne uma seleção de textos publicados na seção de obituários do New York Times, com ênfase nas histórias de pessoas comuns, cujas vidas ganham outra dimensão ao serem descritas com o olhar curioso e afetuoso dos repórteres do diário americano.

Em detalhado posfácio que acompanha o volume, Matinas Suzuki Jr., coordenador da coleção, mostra como a seção de obituários foi ganhando importância nos jornais americanos e ingleses ao longo das últimas quatro décadas. Suzuki relembra a trajetória de Alden Whitman, imortalizado por Gay Talese como o Sr. Má Notícia (em perfil incluído na coletânea Fama & Anonimato), que deu novo impulso a este tipo de texto ao entrevistar figuras famosas com o objetivo declarado de recolher informações para os seus futuros obituários.

“A seção de obituários do Times é uma cerimônia de adeus diária de bom jornalismo e uma das campeãs de leitura do jornal mais influente do mundo. Há quem pense que a valorização do obituário pela imprensa de língua inglesa seja um ritual de morbidez, mas isso é uma falsa impressão”, escreve Suzuki.

Para além dos “mortos ilustres”, esta coletânea mostra como a seção de obituários pode alcançar grandes momentos ao descrever, com humor, ironia e notável poder de síntese, histórias de pessoas que dificilmente freqüentariam as páginas dos jornais. Gente como Angelo Zuccotti, o sujeito que cuidava da porta de El Marocco, famosa boate nova-iorquina, e que considerava sua atividade uma arte. Ou Anton Rosenberg, amigo dos beatniks Jack Kerouac e Allen Ginsberg, que tinha uma atitude tão cool e uma despreocupação e indiferença tão grandes que “nunca chegou muito a nada”.

Entre os autores dos obituários desta coletânea, um merece atenção especial: Robert McG. Thomas Jr., que levou ao requinte literário a tarefa de sintetizar a vida dos personagens em uma única frase, a primeira do texto. Autor de 657 obits - ou McGs, como ficaram conhecidos - no New York Times, morto aos sessenta anos, tornou-se ele próprio personagem de um texto nesta coletânea.

 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico