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Foto: Divulgação
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Depois de ousar escrever a história de Cristo contada pelo próprio Jesus, Norman Mailer compôs mais uma obra polêmica: em
O Castelo na Floresta (Companhia das Letras, 432 págs, R$ 55 em média), narra a infância e adolescência de Adolf Hitler, um dos maiores tiranos de todos os tempos. Não se trata de uma obra de história, mas de um romance baseado em fatos supostamente reais, escorado em seis páginas de impressionante bibliografia.
Mailer vasculha as origens do ditador nazista em busca de explicações para sua monstruosidade e, com esse objetivo, lança mão de um artifício literário: cria um narrador que se apresenta na primeira linha do livro como um oficial da SS nazista, mas que logo revelará sua verdadeira identidade: trata-se de um demônio de hierarquia menor que foi encarregado pelo Diabo de "cuidar" de Adolf Hitler desde sua concepção, pois ele se destina a grandes feitos malignos.
Em tom levemente mordaz, esse demônio tem amplos poderes para contar a história da família Hitler e de seu mais famoso rebento, pois é capaz de penetrar em seus pensamentos, interferir em seus sonhos e possuí-los. O narrador desenrola uma história eivada de incestos que culminam com o nascimento de Adolf, e de acontecimentos aparentemente triviais de sua infância, mas que servem de subsídios para possíveis explicações da figura mais terrível da história do século XX.
Nessa reconstituição romanesca da vida familiar do menino Adolf Hitler é difícil saber o que é fato, o que é ficção. Mas como disse o prêmio Nobel J. M. Coetzee em resenha publicada no
New York Review of Books, Norman Mailer nunca hesitou em "seguir o espírito e os métodos da investigação ficcional para obter acesso à verdade de nosso tempo, numa aventura que pode ser mais arriscada que a dos historiadores, mas oferece recompensas mais ricas".
Sobre o autor
Norman Mailer, como muitos sabem, morreu em novembro último, aos 84 anos. Nascido em 1923, em Nova Jersey, e criado no Brooklyn nova-iorquino, Mailer é considerado um dos autores mais polêmicos e importantes da literatura americana, seja por seus romances, como
Os Nus e os Mortos (1948) e
O Parque dos Cervos (1955), seja por seus livros de não-ficção, como
Os Exércitos da Noite (Prêmio Pulitzer de 1968),
Por que Estamos no Vietnã? (1967) e
Marilyn: Uma Biografia (1973).
Com freqüência, rompeu a barreira entre os dois registros, como em
A Canção do Carrasco (Prêmio Pulitzer de 1979). Em 2005, foi premiado pela National Book Foundation por sua contribuição à literatura americana.
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