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Foto: Divulgação
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Alanis Morissette já não é mais uma cantora raivosa de multidões de jovens revoltados e com problemas mal-resolvidos. Talvez nunca tivesse sido e seu início na carreira musical fosse apenas uma microparte que foi levada como um todo. Assim, a cada novo lançamento da cantora canadense se espera uma volta a 1996, espera sempre frustrada. Mas, quem espera coisa nova dela agradece. Com o lançamento do novo disco,
Flavors Of Entanglement, as expectativas e frustrações se repetem. Não que Alanis seja a mesma, e sim porque todos esperam que ela regrida.
Após
Jagged Little Pill, qualquer disco de Alanis Morissette foi visto com adjetivos que se não era sinônimos de fracasso, davam a entender que "alguma coisa não saiu errado". As críticas chegam a ser repetitivas, em alguns casos basta substituir o nome do álbum nova na época e perceber que é exatamente o mesmo texto para um produto completamente diferente. De outro lado, a cantora ainda mantém seu público cativo que a adora com unhas e alienação, achando que tudo é maravilhoso. No final, parece que ninguém presta muita atenção no que Alanis produz.
Flavors Of Entanglement vem após um longo período sem grandes novidades da canadense, que atualmente também tem nacionalidade norte-americana. Entre o último álbum de inéditas (
So-Called Chaos, 2004) e o atual trabalho, Alanis lançou apenas dois trabalhos "caça-níqueis" - uma coletânea de sucessos (2005) e uma regravação acústica de
Jagged Little Pill (também em 2005). Depois, o que os fãs tiveram foi um longo hiato quebrado apenas por um vídeo na internet, onde Alanis fazia um cover da canção
My Humps, do Black Eyed Peas.
Apesar de a crítica especializada ser repetitiva e nostálgica ao falar de Alanis, não há como negar que os seus trabalhos desde
Supposed Former Infatuation Junkie (1998) ficaram a desejar e sempre vinha com uma carga tremenda de déjà-vu embutida.
Supposed... foi um álbum pós-furacão e chegou ao público com a singela responsabilidade de suceder
Jagged... que levou Alanis direto para
Guiness Book como a cantora que mais vendeu discos e este foi o mais vendido da década de 90 - isso sem falar dos prêmios, repercussão, etc..., que todo mundo está cansado de saber e sempre figuram no Google para quem ainda não sabe.
Supposed... é até hoje o melhor disco de Alanis Morissette. São 17 músicas onde ela esbanja novas sonoridades e letras precisas - na verdade, 16, porque
That I Would Be Good é terrivelmente chata.
Cinco discos em um?
Flavors Of Entanglement é um disco múltiplo - será por isso a palavra "entrelaçamento" já no título?. À primeira audição parece sem unidade sonora nenhuma. Dá a impressão que Alanis juntou várias músicas completamente diferentes e lançou o disco. Depois de outras escutadas, já é possível ver uma integração entre as canções que na verdade não estão isoladas umas das outras e sim divididas em grupos - estes sim, totalmente distintos. É lógico que as canções não são exatamente iguais umas às outras e que a junção pode soar arbitrária - pura questão de "ouvido" individual.
O primeiro grupo seria composto de músicas "sombrias" e experimentais. Lembram muito os elementos e guitarras de Alanis em
Supposed... e
Univited e
Still - canções avulsas da mesma fase. Porém, são músicas com marcas próprias como ruídos eletrônicos e vocais estranhíssimos.
Citizen of the Planet, que abre o disco, consegue resumir bem todos esses novos elementos e dialogar com o passado de Alanis, com exceção da letra sem excesso de raiva ou filosofia.
Versions Of Violence começa de maneira bizarra e lembra uma mistura de Cher com essas cantoras de New Metal. A "primeira voz" feita por Alanis é justamente o sombrio que dá caracteriza as músicas, quando entra a "segunda voz" a faixa realmente fica mais interessante - sim, a cantora ainda continua fazendo sobreposições da sua voz. Por fim,
Moratorium revela com sutileza o verso que dá nome ao disco - é, Alanis também continua usando desse artifício.
Underneath é a representante do grupo das canções "boas para tocar no rádio ou na novela". Não é à toa que ela seja a primeira música de trabalho - se é que hoje ainda exista isso. A faixa intercala momentos calmos com refrões cantados de maneira que fez e faz Alanis ser reconhecida. Se isso é bom, cabe a cada um dizer.
Straitjacket nos primeiros segundos engana e lembra uma das músicas sombrias. Ledo engano, a canção trás uma Alanis em roupagem pop-eletrônica nunca vista antes e inaugura o grupo "pista de dança". São músicas perfeitas para aquecimentos pré-noite de agito e, com os milhares remixes que provavelmente vai receber, será facilmente jogada nas pistas de danças e rádios "jovens". Esse é grupo onde a parceria de Alanis e o produtor Guy Sigsworth fica mais evidente.
Por fim, sobram os grupos das canções para "bocejar" e das para ouvir "para relaxar". É grupo não muito claro em relação ao que Alanis pretendia. Você até fica na dúvida na hora de definir. Não que sejam ruins, mas difícil chegar ao fim delas sem um bocejo antes. Um bom exemplo dos grupos
Not As We, uma canção bonita para um dia de chuva e tédio.
Flavors... ainda é composto por seis faixas-bônus que vem junto com a versão do disco comprada. Desse grupelho destaques para a "pop-eletrônica"
The Guy Who Leaves e a engraçadinha
On the Tequila.
Alanis Morissette apresenta um disco que é sem dúvida uma verdadeira metralhadora giratória. Experimenta e também se repete como nunca.
Flavors of Entanglement ganha a cara de disco entrefases. Será que ela finalmente virá com algo completamente diferente no próximo disco? Quais sonoridades, timbres e temas Alanis tratará daqui em diante? Será que ela realmente abdicará das fronteiras em que se confinou (foi confinada)?
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