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Foto: Divulgação
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Da prosa à poesia. Nessa terça (03), Secretaria de Estado da Cultura (Secult) lança os cinco livros publicados por meio do edital 06/2006, destinado à seleção e à difusão de obras literárias de autores residentes no Espírito Santo. Neles uma variedade de gêneros e estilos literários pode ser contemplada. Para marcar o lançamento, os autores vão participar de uma noite de autógrafos no Salão São Thiago, no Palácio Anchieta, das 18h30 às 22h.
O edital contemplou nomes, como os poetas José Irmo Gonring, com a obra
Garimpo de Estrelas; e Erly Vieira Júnior, que publica seu primeiro livro de prosa com o título
-sse. Três autores terão seus trabalhos publicados pela primeira vez: Alessandro Darós, com
Sqizo ou As Patas do Velho Sátiro; Andréia Delmaschio, com
Mortos Vivos; e Elton Pinheiro, com
Orações com vícios de linguagem.
O livro
Garimpo de Estrelas foi escrito do início dos anos 70 ao ano de 1985, quando o autor colocou o ponto final na obra, que ficou na gaveta até 2006, a enviou para o edital da Secult. José Irmo Gonring publicou outros dois livros de poemas, nesse tempo; escreveu e montou uma peça; passou a se dedicar ao jornalismo; e à vida acadêmica, como professor de Comunicação Social, na Ufes, até escrever a dissertação
A Carne da Alma - a escritura de salvação em Clarice Lispector, no mestrado em Estudos Literários, na Ufes, em 2001. Em
Garimpo de Estrelas estão só os poemas curtos escritos até 1985. São vários estilos - hai-kais, menos que hai-kais, aforismos, quadrinhas e até um flerte com a poesia concreta. De acordo com o autor, "a proposta é valorizar os espaços, as pausas, para sobrar um templo para a reflexão, para o leitor perguntar-se: 'O que esse cara quer dizer com isso?'". A mesma reflexão que o autor pretende que seus poemas sejam, após uma minuciosa e acurada contemplação do espetáculo do mundo. "Por isso o tom algumas vezes é solene, grave, mas no mais das vezes é bem humorado, leve, pois assim é o mundo". Para José Irmo fica clara essa proposta no poema "Fazendeiro Ioguin", que é assim: "O mundo está virado./ Planto bananeira/ para não olhar errado".
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Foto: Divulgação
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Em outro livro selecionado,
Sqizo (título inspirado na palavra esquizofrenia), o professor universitário Alessandro Darós trabalhou os maneirismos, os erros e as "coisas esquisitas da nossa língua", como ele mesmo define. A obra traz prosas sobre sexualidade, paternidade, loucura, violência urbana e diversas experiências cotidianas em textos fragmentados, repletos de musicalidade e técnicas que o autor adquiriu nas salas de aula do Mestrado em Estudos Literários, na Ufes. Plantar indícios para o leitor é um dos métodos utilizados na construção do livro. "O leitor é que se vire", desafia Alessandro que diz ter feito armadilhas intencionais para instigar esse leitor a pensar. O tempo todo, o texto fala de vários assuntos, de vários temas. São histórias cotidianas, algumas fictícias, outras não. Mas todas "com o pé na realidade", como acrescenta o autor.
Já "Orações com vícios de linguagens", obra do escritor, professor de música e estudante de artes visuais Elton Pinheiro, trata da língua, do claustro da linguagem, e do universo possível nela. Trata da idolatria, das várias práticas de oração entregues ao paganismo do consumo contemporâneo. "Autobiográfico e com o pouco possível da infância, o livro usa um emaranhamento de supostas contradições para acontecer: delírio e elipse; o mundo burocrático e contido, o pós-moderno ou o contemporâneo; mestres; crianças; Copacabana; Civit; Radiohead; Apocalipse; eruditos; mendigos", explica o autor. A partir de contra-dicções poéticas o livro flerta com uma poética conservadora para deixar vir à tona em alguns momentos a fratura da pós-modernidade, como salienta Elton. "O Eu da modernidade está esgotado, falido, multifacetado em objetos imaginários ou reais".
Construído sobre o pilar do cristianismo, segundo o autor, não é sua égide apostólica romana que prevalece nos poemas, nem o rigor burocrático de uma catequese quantitativa. "Expostas mazelas sociais pelas quais a classe média busca privilégios e privilegiados mantém sua estrutura social, nesse caso, a salvação não está na língua traduzida, absorvida ou aceita, mas resta na linguagem possível de ser falada, desde que haja quebrantamento para ela". Elton acredita que é dessa linguagem e seus vícios, que o homem nasce. Através dela é possível nascer de novo, o discurso que tem erros e vícios pode desejar esse nascimento.
Todos os textos foram selecionados por uma comissão julgadora integrada por especialistas de renome: os escritores Francisco Aurélio Ribeiro, Deny Gomes e Sérgio Blank, representando, respectivamente, a Academia Espírito-santense de Letras, o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Literatura do Espírito Santo (vinculado ao mestrado em Estudos Literários da Universidade Federal do Espírito Santo) e a Secult. Os livros serão distribuídos para as bibliotecas públicas estaduais e também para o público que comparecer ao lançamento.
Serviço
Lançamento de cinco livros do edital 06/2006 da Secult
Garimpo de Estrelas;
-sse;
'Sqizo ou As Patas do Velho Sátiro;
Mortos Vivos; e
Orações com vícios de linguagem, terça-feira (05), as 18h30, no Salão São Thiago, Palácio Anchieta, Vitória.
Saiba Mais
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-sse e
Mortos Vivos
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