Os índios Tupinikim e Guarani vão se reunir nesta terça-feira (10), em Aracruz, no norte do Estado, para definir uma data para a Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciar o estudo etno-ambiental nas aldeias capixabas. O órgão havia prometido que o estudo seria realizado junto com a demarcação física da área reconquistada, o que não aconteceu.
A demarcação física iniciada em abril já foi finalizada, mas segundo o assessor do órgão, Mayson Fonseca, não há previsão de quando o estudo será iniciado. Além da falta de precisão sobre o começo da pesquisa, os índios têm que lidar com o conflito de informações dentro da própria Funai, que atualmente classificou o estudo prometido de ecológico, afirmando que o etno-ambiental deveria ter sido realizado antes mesmo da demarcação física.
Em meio aos desentendimentos, os índios ressaltam que não irão mais tolerar atrasos da Funai. Reafirmam que o prometido foi um estudo etno-ambiental, para avaliar as condições da terra, os prejuízos culturais causados pela exploração na região, as formas de vida no passado e como isso poderá ser resgatado, gerando sustentabilidade em meio à realidade indígena atual. Com o estudo, as áreas deverão ser zoneadas de acordo com produção de alimentos, reconstrução de aldeias e reflorestamento.
"Trata-se de um estudo etno-ambiental, como combinado com eles nas discussões sobre o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Também não existe isso de não haver prazos, eles passaram os prazos e não cumpriram, agora nós vamos estabelecer um prazo.", ressaltou o cacique de Caieiras Velha, Cizenando.
A expectativa é reverter a situação de degradação em que se encontra o território indígena. Com a ocupação da Aracruz Celulose, além da mata atlântica que foi devastada, sofreram ainda os animais da região, que debandaram, os rios foram contaminados e, conseqüentemente, a comunidade se viu sem recursos de subsistência.
O órgão também se comprometeu em realizar o inventário da madeira da Aracruz Celulose para que, enfim, toda madeira seja retirada pela empresa de dentro das terras indígena. A atividade não foi realizada e nenhuma satisfação foi repassada aos índios sobre o atraso.
Neste contexto, a reunião que será realizada na tarde desta terça deverá discutir não só o prazo para o início dos estudos, mas também do inventário. Há pressa para que a empresa retire o eucalipto da terra indígena. Sem isso e o estudo etno-ambiental, as comunidades indígenas Tupinikim e Guarani se dizem de mãos atadas.
Ao todo, o Espírito Santo abriga 2.466 índios Tupinikim e Guarani distribuídos em sete aldeias. Além destas, mais três aldeias aguardam para ser finalizadas, assim que o zoneamento for definido. São elas as aldeias de Olho d'Água, Areal e dos Macacos.
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