Vitória (ES), edição de 17 de junho de 2008    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
Conexões caóticas



Leonardo Viso
Atualizado toda terça, às 16 horas


Um ano tinha se passado. Eu estava de volta à cidade descolorida. Quem mais passaria o resto de férias em uma cidade como São Paulo? Nada de sol ou tranqüilidade. A semana prometia mais gente que toda a população do Espírito Santo. E para piorar, eu nem morria de amores por essa cidade. Mesmo assim, voltei. Não havia o que reclamar. Não estava obrigado ali, pelo contrário.

Antes de embarcar tentei me refamiliarizar. Mas, isso nunca é possível. São Paulo é sempre diferente, mesmo sendo sempre igual. Antítese forçada? Não, não mesmo. É um lugar que quando você pensa que descriptografou, te joga em conexões caóticas. Fui no Google Earth, olhei onde eu me hospedaria. Vi a avenida que deveria descer de ônibus. Tentei ver a redondeza e me perdi. A nova ponte festejada só aparecia pela metade. Melhor seguir sem essas fotos.

Dormi a viagem inteira. Até mesmo nos momentos em que meus olhos estavam abertos. A temperatura era mais alta do que indicavam. Casacos era apenas um charme - até os locais não o dispensaram. Aqueles sons paulistanos no ouvido. Erres fortes, mas não como os de Piracicaba. As buzinas das motos. O ruído do intervalo entre metrôs.

Pela primeira vez, conseguia encaixar meio que "parkinsonamente" as peças chamadas bairros. Já sabia que no fim da Paulista (que na verdade é o começo) encontraria a Vila Mariana e do lado dela a Liberdade. Distingue a Consolação (rua) da Consolação (bairro) - nunca confundi com a Consolação (cemitério). Percebi quando Pinheiros e Jardins eram próximos e que a Bela Vista é do outro lado da avenida. O Butantã e a Cidade Universitária não são tão próximos um do outro - apesar da segunda estar dentro do primeiro.

Não perdi meu tempo decorando estações de metrô e nem de paradas de ônibus. Quando se vive com ferramentas paulistanas como chip de celular 011 e cartão de bilhete único, sua locomoção pela cidade é mais tranqüila. Qualquer equivoco é só descer do ônibus, ligar para um amigo local e pegar a linha certa sem pagar nada por isso. Quem quiser seguir isso, vai a dica: pesquise bem antes de comprar o chip e pode economizar 200% (mesmo que fique sem sinal algumas horas do dia. telefonia é ruim sempre) e compre o cartão na primeira oportunidade sem medo de não gastar tudo.

Nos dez dias na cidade, fiz coisas mais interessantes do que criar mapas na cabeça ou andar de ônibus. Sejamos sinceros, qual a graça de listar passeios realizados que não vão se repetir, ou filmes assistidos, ou bocas beijadas? Nem sempre diário de viagem é interessante. Indicar onde achar um bom papel e caneta, sim. Cabe a cada um escolher a cor, a textura, a marca ou ainda procurar um outro lugar. Guias só desnorteiam as pessoas. Geralmente, eu até os leio - dias depois de voltar para casa ou então para tentar fazer diferente do que sugerem.

Depois que desembarquei e já estava aqui, na minha casa, de frente para meu computador, tinha certeza que dessa vez pude me localizar diante do constante deslocamento. Eu poderia não saber onde estavam as coisas, mas tinha certeza (e sentia) da existência de cada uma delas. Mesmo quando as portas estavam fechadas, ou os ônibus não circulavam mais. Em São Paulo, depois da meia noite, ou é carona ou é táxi. Motoristas de ônibus lá dormem.

Clique aqui e leia a coluna anterior "As travas andam de Fusca"





 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico