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Foto: Divulgação
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O ouvido apurado de Paulo Moura sentiu a afinidade entre nosso mestre Tom Jobim e o mestre da canção norte-americana George Gershwin e surpreendeu quem nunca tinha pensado nisso. O CD
Pra Cá e Pra Lá (R$ 28,90 em média) gravado ao vivo em julho de 1998 e agora relançado pela Biscoito Fino, demonstra que a afinidade entre os dois craques da canção era mesmo surpreendente.
Qualquer dúvida a respeito cai por terra já na primeira faixa do disco, no pot-pourri que funde
Rhapsody in Blue, de Gershwin, com o
Samba do Avião e
Só Danço Samba, de Jobim, para terminar com
I Got Rhythm, de Gershwin. Algum desavisado pode pensar que as três canções são do mesmo autor.
À frente de um septeto instrumental - Cliff Korma (piano), Jarzy Milewsky (violino), Jota Moraes (vibrafone), Nelson Faria (guitarra), Rodolfo Stroeter (baixo acústico) e Paschoal Meirelles (bateria) - Paulo Moura juntou um punhado de clássicos e deu personalidade própria a cada um.
Alternando sax alto e clarineta em
Surfboard (Gershwin),
Água de Beber,
Falando de Amor (Jobim),
Prelúdio 2,
Lady Be Good, I´ve Got Plenty O´Nuttin,
The Man I Love,
Embraceable You e
Summertine (Gershwin), para terminar com outro pot-pourri, este só com canções de Tom Jobim:
Este Seu Olhar,
Eu Sei Que Vou Te Amar,
Eu Não Existo Sem Você e
Se Todos Fossem Iguais a Você, as três últimas, parcerias com Vinicius de Moraes, devidamente homenageado pois, apesar do show ser apenas instrumental, a platéia não resistiu às letras do poeta e cantou em coro.
Este repertório não foi escolhido em vão. No encarte deste relançamento, Paulo Moura admite à Halina Grynberg, que o mesmo traço comum da rítmica africana que rege sua respiração está nas composições de Gershwin e Jobim.
O primeiro, um emigrante judeu, enamorou-se do jazz americano e tingiu a dolente nostalgia das canções familiares do leste europeu com a melancólica bluenote dos africanos que viviam a seu lado no Harlem. Jobim, também um apaixonado do jazz, trançou-o com o negro samba carioca: "É clara a influência afro na obra desses dois compositores", declarou Moura na época da gravação. E completa no texto do encarte: "Fizeram-se brancos de alma negra".
(Com informações da Biscoito Fino.)
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