A Fundação Nacional do Índio (Funai) está deixando os índios de Aracruz, no norte do Estado, apreensivos. O órgão não deu satisfação aos índios de quando começará o estudo étnico-ambiental nas aldeias. Uma reunião deveria ter sido realizada há duas semanas, mas não ocorreu. Com isso, os índios se mobilizam para ir a Brasília cobrar providências da Funai.
"Até agora não falaram nada. Vamos a Brasília na próxima semana, exatamente para resolver isso", disse o cacique Cizenando, da aldeia Caieiras Velha.
Segundo ele, esta é a pauta dos debates em todas as aldeias. O cacique conta que na última semana a promessa era de que técnicos iriam à aldeia pra discutir os prazos, mas isso não aconteceu.
Os índios apontam que a demarcação física das aldeias está no seu estágio final e que, primeiramente, a promessa era de que o estudo étnico-ambiental seria realizado no mesmo momento da demarcação. Depois, o acordo foi de que assim que terminasse a demarcação os estudos seriam iniciados. Mas até agora, a Funai não se manifestou.
O estudo tem o objetivo de avaliar as necessidades apontadas pelos índios aos técnicos da Funai e o grau de degradação das terras exploradas com a monocultura do eucalipto. A partir disso, serão elaborarados projetos de plantios de alimentos, entre outros, que possam suprir as necessidades das comunidades. Sem ele, ressaltam os indígenas, fica difícil nortear o desenvolvimento dos projetos que irão auxiliar as famílias indígenas.
A expectativa dos índios é que esses projetos de sustentabilidade auxiliem no resgate às suas raízes e, consequentemente, possibilitem que a comunidade volte a viver em harmonia com sua cultura e com a natureza destruída pela Aracruz Celulose, depois de anos de ocupação das terras indígenas.
Para a realização dos estudos, um grupo da Funai esteve em Aracruz, no início do ano, para conversar com a comunidade e conhecer melhor as necessidades dos indígenas. Na ocasião, chegou a prometer que os estudos seriam iniciados ainda em janeiro. Mas houve atraso no início da demarcação física e, consequentemente, para o início dos estudos.
Entre os projetos previstos pela comunidade, estão o reflorestamento da área com espécies nativas, a produção de alimentos e o cultivo de peixes em tanques. A intenção é que a iniciativa amenize os prejuízos gerados pela destruição das matas, o desaparecimento da caça e a degradação dos rios causados pela monocultura do eucalipto na região.
Com a reconquistas de suas terras, o território indígena Tupinikim e Guarani no Estado passa de 7 mil para 18.027 hectares, reconhecidos oficialmente. Destes, 11.009 encontram se degradados pelos extensos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose.
A Funai foi procurada para esclarecer quando irá começar os estudos nas aldeias, mas até o fechamento desta edição, nada foi declarado pelo órgão.
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