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Foto: Divulgação
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Edson Chagas atendeu ao telefone usando o viva-voz do celular. A mente se dividia entre o trânsito e as perguntas. Apenas o som no lugar das imagens com as quais ele, fotográfo, prende diariamente com sua câmera. O resultado da conversa não ilustraria nenhuma manchete, mas sem dúvida levaria a muitas outras cenas. Remeteria ao passado recente quando Chagas saiu em busca das mulheres de Tucum.
Entre os anos de 2000 e 2003, Edson Chagas documentou o cotidiano das mulheres encarceradas na Penitenciária de Tucum, em Cariacica. "Foram aproximadamente oito meses de trabalhos", explica Chagas. No começo do trabalho eram 100 detentas e no fim quase o dobro. O número desde então não pára de crescer.
Cada presa com sua história e um agir. Antes de qualquer clique era preciso saber se movimentar lá dentro. "Tive um pouco de receio e cuidado por estar em um ambiente hostil. Não fui recebido com flores", revela o fotográfo. Ele sabia que precisaria criar uma empatia entre as presas, mas sabia que sempre haveria um limite a ser respeitado. "Sempre tentei ser sincero com elas. As ouvia e dava atenção", conta.
Um corpo estranho transitando livremente entre os corredores e celas. Chagas acabou por se tornar involuntariamente um contato com o mundo exterior. Por orientação, ele recusou esse papel de Hermes, o mensageiro. "Me avisaram que iria receber muitos pedidos. Elas pediam tudo. Minha caneta, dinheiro e que eu desse recados. Adotei o critério de não prometer nada porque o volume de pedidos era muito grande", relata. Porém, uma vez ele se comoveu e passou um recado de uma detenta para a família.
Entre grades e mulheres, Chagas enfatiza que seu maior compromisso ali era com a fotografia e afirma que seu olhar não foi alterado. "Evitava que o meu trabalho diário no fotojornalismo [ele é fotógrafo do jornal
A Gazeta] não contaminasse esse outro trabalho. Tentei evitar o clichê nas fotos, mas as grades estavam muito presentes e era difícil fugir disso", diz. Para Chagas, a racionalidade e técnica que usa no trabalho diário foram trocadas pela liberdade de fotografar. "O que seria um erro para o jornal, nesse trabalho poderia ser um grande acerto", afirma.
O ambiente hostil e as solicitações das detentas não foram encarados com uma grande dificuldade para Edson Chagas. Para o ele, o "fazer" foi a grande dificuldade. "Tinha que abrir mão de ir à praia com a família ou mesmo de algum trabalho remunerado para ir a uma cadeia com o desejo de fotografar. Muitas vezes saía de lá com uma dor no coração de ver aquela situação", lembra.
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Foto: Divulgação
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As incursões de Edson Chagas a Tucum resultou, em 2003, no livro
Mulheres de Tucum, com texto e fotos do fotógrafo. A publicação também foi lançada também em Paris, no Espaço Reuilly, durante o
I Salão do Livro e do DiscoM. Cinco anos mais tarde é a vez das fotos serem expostas em uma exposição homônima que será aberta nessa sexta-feira (30), na Aliança Francesa de Vitória:
Mulheres de Tucum é a derradeira exposição do projeto Vitória Foto.
Quem for a abertura da exposição terá a chance de ver uma exibição de slides inéditos de imagens que não foram usadas nem no livro e nem na exposição. "Será uma releitura do trabalho. Usei slides vencidos na hora de obter essas imagens. Hoje, com o uso da fotografia digital as pessoas nem têm muito noção disso. Quem gosta de fotografia ficará interessado", destaca Chagas. Fim da ligação.
Serviço
A exposição
Mulheres de Tucum, de Edson Chagas, será aberta nesta sexta-feira (30), a partir das 20h, na Aliança Francesa. Rua Alaor Queiroz de Araújo, 200, Enseada do Suá, Vitória. Visitação de 2 a 15 de junho.
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