Sempre que se ouve a expressão "um novo Espírito Santo" é forçoso associá-lo à imagem do governador Paulo Hartung. Repleto de simbolismo, esse jargão, que figura em todas as peças publicitárias do governo, é também a propaganda de um sistema econômico perverso em prática no Estado.
Esse sistema privilegia apenas as grandes empresas em detrimento ao Estado, mais especificadamente da arrecadação estadual. As maiores beneficiadas são as transnacionais Aracruz Celulose, ArcelorMittal Tubarão (ex-CST), Samarco, além da ex-estatal Vale, do "amigo do Estado e marqueiteiro de Hartung" Roger Agneli.
Para isso, o governador se municiou de diversas ferramentas para isentar de tributos e até mesmo conceder repasses às grandes empresas. O leque é amplo e contempla desde os repasses dos famigerados créditos de ICMS, oriundas da Lei Kandir, até o Invest-ES (Programa de Incentivo ao Investimento no Estado), talvez esse o seu mais engenhoso plano.
Separados ou combinados em uma verdadeira moqueca de vantagens tipicamente capixaba, os mecanismos operados por Hartung funcionam como um sofisticado sistema de benefícios que agregam isenção de tributos, regimes especiais e até mesmo a concessão dos indevidos créditos de ICMS.
Causa estranheza que. como não pagam seus tributos, essas recebam tais créditos. Mas, como para tudo há um jeitinho, como dizem por aí, as grandes empresas burlam essa condição, de que só há créditos quando existem débitos, e vendem os créditos para outros devedores de ICMS que saldam suas dívidas e deixam a conta para o Estado.
Todos esses mecanismos funcionam como um "agrado" às grandes empresas que, em troca, financiam as campanhas políticas de Hartung e seus aliados, além de blindar essas grandes empresas e seus impactos, propagandeados como responsáveis pelo progresso do Estado.
Tudo isso resulta em um excelente negócio. As transnacionais enchem seus cofres, o governador enche o peito com o jargão e a população fica refém dessa lógica no mínimo perversa. A claque do governador não liga para isso. Quer apenas um pedacinho desse bolo.
Pena que o "novo Espírito Santo" seja dele e de seus amigos estrangeiros.
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