Vitória (ES), edição de 05 de março de 2008
 
Rede protesta no BNDES contra
empréstimos para monoculturas

Ubervalter Coimbra


Um ato público será realizado no próximo dia 26, às 10 horas, em frente à sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. Será um protesto nacional contra a política do banco de financiar prioritariamente os plantios de eucalipto, cana-de-açúcar e de pinhão-manso, entre outras espécies, para produzir biocombustível.

Um dos objetivos do ato é protestar contra o pedido de financiamento da Aracruz Celulose para ampliar seus plantios de eucalipto no Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. A empresa quer R$ 1 bilhão do BNDES para consolidar seus plantios, ampliar a produção de suas fábricas e construir novas unidades.

Uma das novas fábricas da Aracruz Celulose será construída no Espírito Santo: será a quarta unidade da empresa no Estado. A Aracruz vem aumentando seus plantios no Espírito Santo, ampliando sua penetração nas regiões noroeste, serrana e sul.

A manifestação será realizada pela Rede Alerta Contra o Deserto Verde, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entre outras organizações. Estão sendo mobilizadas lideranças camponesas nos estados, e trabalhadores de base no Rio de Janeiro.

A convocação para o ato no BNDES já está sendo feita às instituições. É informado na convocatória que o eixo central da manifestação “é a mudança do modelo econômico, por mais investimento público na reforma agrária e agricultura familiar e contra os impactos sócio-ambientais provocados pelas monoculturas, o latifúndio e agronegócio”.

E que os principais pontos são “a crítica aos financiamentos bilionários que historicamente têm sido concedidos pelo BNDES ao agronegócio e para expansão de monoculturas predatórias, e que são os maiores responsáveis pelo aumento dos desmatamentos e destruição do patrimônio ambiental”.

Isto “enquanto os pequenos agricultores familiares e os assentamentos da reforma agrária, que produzem a maioria dos alimentos consumidos nos centros urbanos e geram trabalho e renda para milhares de famílias em todo o país, dificilmente conseguem ter acesso a estes recursos públicos”.

Com o ato os movimentos sociais reivindicarão “investimentos para construção de agroindústrias, incentivo à produção agroecológica, fortalecimento da assistência técnica rural de caráter público, financiamento de logística e transporte para armazenagem e escoamento da produção agrícola para as cidades, fomento ao ensino rural, apoio ao cooperativismo agrícola, etc”.

Os organizadores exigem se reunir com o presidente do BNDES no dia da manifestação. A organização do ato público no BNDES será concluída em reunião no próximo dia 11, às 19 horas, no Sindipetro, no Rio de Janeiro.



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