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Foto: Apoena
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Qualquer dia da semana. Laranjeiras sempre anoitece suja. Na sua principal avenida, resquícios do dia. Lixo das lanchonetes, restaurantes, lojas e principalmente muitos panfletos. O chão fica coberto de papéis anunciando tudo o que o bairro oferece. E muita coisa é ofertada. Com lojas de portas fechadas. As ruas ficam vazias. Apenas ratos e baratas que tomam conta do pedaço. Nos primeiros raios do sol, vem a limpeza e muitas pessoas. Para no final terminar em mais sujeira.
Planejado para ser um pacato bairro residencial, se transformou na metade da década de 90 no maior pólo comercial e de serviços da Serra e um dos mais movimentados da Grande Vitória. Não tinha como ser diferente: quando falta planejamento, sobram problemas. Obviamente esse crescimento trouxe benefícios para a região e seus moradores. Hoje, encontra-se de tudo no bairro.
Supermercados, grandes lojas de eletrodomésticos, uma infinidade de sapatarias, lojas de roupas para todos os gostos e bolsos - tem até modinha coreana, quase todos os grandes bancos (falta a Caixa Econômica Federal), cinemas (com programação duvidosa) e um shopping. Além disso, serviços públicos também são disponibilizados no bairro, como atendimento jurídico, cartórios, procon. Ainda tem o terminal de ônibus e dois hospitais (um público e outro particular). Dá para ser fazer tudo sem sair do bairro. Ou melhor, quase tudo.
O fluxo de pessoas durante o dia é algo inacreditável. Calçadas lotadas de transeuntes e mercadorias. Um caos. Em épocas de fim de ano, volta às aulas, dias das mães, dos namorados e das crianças é pior ainda. Flanar pelas ruas principais é um festival de esbarrões, desvios de caminho e sempre com panfletos sendo distribuídos. O trânsito de veículos é ainda pior com “nós” que nunca desatam e se alastram por outras vias. Fazer com que um carro pare na faixa é um risco à própria vida. Enfim, ruas, avenidas e calçadas pequenas demais para tanto movimento.
Laranjeiras é extremamente carente de opções de entretenimento - mesmo quem se diverte comprando sente falta. Bares e restaurantes funcionam apenas em horário comercial. Situação bem diferente de 10 anos atrás, quando o bairro atraía pessoas de vários outros lugares à noite. Provavelmente seja mais rentável alugar os pontos comerciais para outros tipos de estabelecimento. Comprar um ponto é cada vez mais difícil. A região central de Laranjeiras tem um dos metros quadrados mais caros do Espírito Santo. Sempre tem uma casa sendo demolida - às vezes, pequenos prédios.
Sem diversão noturna, o jeito é ir para o shopping. Mas, sejamos sinceros, lá está mais para centro comercial do que para shopping center e mesmo assim, depois das 22 horas, fecha. As praças são uma das poucas opções saudáveis, mesmo assim não é suficiente e também ficam vazias à noite. O movimento noturno passa a ser dos trabalhadores indo para casa ou estudantes saindo da aula. Depois, nada mais resta. Na Avenida Central, cada vez não mora mais ninguém e transitar nela é como atravessar uma cidade fantasma de portas de aço e letreiros acesos. Nesse ambiente a insegurança aparece.
O Parque Residencial Laranjeiras não é violento. Porém, enfrenta sérios problemas de segurança a ponto de ser atualmente monitorado por câmeras de vigilância - daquelas com auto-falante. Um verdadeiro Big Brother. É a sociedade do controle sendo popularizada - fora que os postes onde as câmeras estão instaladas são horrorosos. Policiais até são visto com freqüência pelas ruas do bairro, mas a segurança particular já é mais ostensiva. Apesar disso, assaltos, furtos e seqüestros relâmpagos acontecem. A primeira medida de segurança foi a retirada gradual das árvores.
Muitas pessoas, carros, lixo e poucas árvores. Laranjeiras é um bairro sem charme. Não há canteiros nas ruas. O que resta é um cinturão verde que um dia prometeram fazer obras de paisagismo. Por enquanto só serve para esconder a feiúra de quem passa pela Avenida Civit - via que de limite vem se tornando um novo eixo do bairro. As novas construções não têm a menor preocupação com a arquitetura e se limitam a pré-moldados. Um mais horripilante que o outro. Some isso aos fios externos - por que fiação interna não virou moda? Calçadas irregulares compõem o cenário. Situação difícil de ser resolvida, uma vez que é coletiva e cada vez mais tudo é individual.
Dizer que não há solução para o bairro seria apocalíptico demais. Apontar soluções rápidas e curtas poderia dar a impressão que se tratam apenas questões corriqueiras. Enfim, é nítido que Laranjeiras precisa de uma reurbanização urgente e geral. Não adianta pensar em determinadas ruas ou quarteirões e sim no bairro todo. Limitar o comércio em algumas regiões, evitar o aumento excessivo do limite de andares por edifício. Incentivar a arborização das ruas - estão construindo um grande parque nos limites do bairro, por que não levar mais árvores para o interior? Laranjeiras tem que atrair mais vida, pessoas, cultura, arte porque o dinheiro sempre vem por tabela.
Saiba mais!
Clique aqui e leia a primeira parte,
Laranjeiras - Casas acima, publicada na última segunda-feira (3).
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