Entrou em vigor a lei que torna obrigatórias as aulas de história e cultura indígena e afro-brasileira, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As aulas serão obrigatórias para os alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares. A intenção é ensinar aos alunos os aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir da história destes povos.
De acordo com o Ministério da Edcuação (MEC), a nova disciplina será implementada gradualmente, de acordo com o desenvolvimento do material didático e da formação de professores capacitados para ensinar a matéria. Eles serão capacitados para ensinar história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil.
A expectativa é que as escolas consigam valorizar o papel do negro e do índio na formação da sociedade, resgatando sua contribuição social, econômica e politica.
No Estado, não há conhecimento da introdução da história sobre as comunidades tradicionais do Estado nas escolas capixabas. Entretanto, centenas de índios Tupinikim e Guarani vivem no norte do Estado. Ao todo, são sete aldeias indígenas Tupinikim e Guarani e 37 comunidades quilombolas no norte do Estado que resistiram à ocupação de suas terras pela Aracruz Celulose.
Estas comunidades sobreviveram rodeadas pela monocultura do eucalipto, acuadas e com poucos meios de subsistir, já que as condições para a agricultura familiar e as fontes de água estão deterioradas.
Em 2007, os Tupinikim e Guarani reconquistaram suas terras que ainda estavam em domínio da transnacional. Os quilombolas, que já possuem algumas comunidades reconhecidas, lutam pela recuperação de todo o seu território, que ao todo soma cerca de 50 mil hectares no norte do Estado.
As pesquisas apontam que os negros foram forçados a abandonar suas terras: em Sapê do Norte, onde viviam centenas de comunidades na década de 1970. Ainda naquela década, pelo menos 12 mil famílias de quilombolas habitavam o norte do Estado; atualmente resistem entre os eucaliptais, canaviais e pastos cerca de 1,2 mil famílias.
Estas comunidades, que contribuíram para a construção da cultura capixaba, resistem em seu território em busca de manter sua identidade e, consequentemente, vivem em um conflito permanente com a Aracruz Celulose.
Nos processos que buscam reaver as terras tradiconais, a Aracruz Celulose é citada como detentora de títulos incidentes no referido território quilombola, juntamente com os outros oito ocupantes, além da empresa.
A Secretaria de Educação do Estado (Sedu) foi procurada para informar se há, ou quando haverá, a educação sobre as comunidades tradicionais nas escolas, mas até o fechamento desta edição nada foi informado.
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