Fiquei seis meses no estaleiro. Fui passageiro do sinistro ônibus da Viação Penha que capotou próximo à cidade de João Monlevade, em Minas Gerais, em agosto do ano passado.
Na volta, o que estou encontrado na vida sindical do Estado: centrais preocupadas apenas com o seu lado. Sendo mais preciso, com o seu caixa. Fizeram o maior lobby no Congresso Nacional para reverter uma situação posta por eles mesmos quando opositores em seu sindicato.
Acabar com o imposto sindical. E não é que eles todos foram para o Congresso para manter o imposto sindical? É verdade, pode acreditar meu caro leitor. Mantiveram o imposto sindical via negociação, crentes que conseguiriam pacificamente numa assembléia com os trabalhadores.
Estão ignorando o grau de capacidade do patronato. Porque é o fim dessa linha. Se o patrão não concordar, ela aprova na negociação e entra com o seu poder do emprego para ser recusada pela assembléia. Quer dizer, entregaram ao patrão a decisão do imposto sindical.
Voltando ao passado, o mecanismo era mais garantido: aprovava na assembléia para o patrão descontar. Agora, se o patrão quiser, a coisa fica mais difícil para o sindicato colocar a mão no imposto sindical.
E tudo isto ocorreu sob o comando das centrais sindicais. Vale aqui uma observação: a Cut entregou o comando do processo à Força Sindical, pela primeira vez da vida das centrais. Claro que a visão da Força prevaleceu e levou à reboque as demais centrais.
Reflexo no trabalho do capixaba? Claro. Ainda mais que por aqui os grandes empregadores são as transnacionais. E elas não gostam nem um pouco de sindicatos. Este é o processo de terceirização dos seus empregos que ameaçam às categorias. É como agem a CST, a Aracruz Celulose, Vale do Rio Doce, Samarco etc.
Enfim, as centrais sindicais pisaram na bola.
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