A cada dia fica mais evidente o propósito de setores do empresariado de torpedear a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) de Santa Cruz e a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas, no norte do Estado. Na última quarta-feira (19), durante a votação de uma moção de apoio às Unidades de Conservação (UC), houve um fato inédito nas reuniões do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema): um pedido de vistas,
Jamais houve isso. O ato de Roosvelt da Silva Fernandes, representante da Findes e que trancou a votação com seu peido, deixa claro o quanto de desprezo essa parcela do empresariado dedica a uma das medidas mais salutares da grave questão ambiental capixaba.
O pedido de vistas foi feito sob a alegação de que a moção trata de uma matéria complexa. Ora, isso não é motivo para atravancar o processo. Com a maior cara de pau, o conselheiro alegou ter necessidade de se inteirar melhor do assunto para poder se posicionar.
A quem ele pensa enganar? Seu gesto obedeceu a uma posição coletiva do capital ali representado. Ou seja, está enquadrada na orquestração da Findes contra as duas iniciativas.
Insere-se, portanto, no contexto político criado pelas grandes poluidoras do Estado, que se mobilizam, de forma sempre organizada e articulada, para impedir a adoção de medidas que preservem o ambiente da ganância e da falta de escrúpulos.
Isso já aconteceu em relação à bancada federal capixaba, num episódio que teve também a impressão digital do governo do Estado. Governo, grandes poluidoras e seus satélites não aceitam a criação de áreas naturais, lançando mão de argumentos que não se sustentam na realidade.
Por trás de tudo está a poderosa ONG Espírito Santo em Ação, uma entidade da qual não se conhecem detalhes importantes, como seus meios de sustentação e a origem dos recursos que a movimentam. O discurso desse grupo é o velho e suado apelo ao desenvolvimento econômico do Espírito Santo.
Tudo gente bem posta na vida. Gente que não está nem aí para as agressões ambientais. Eles atuam como espiroquetes, marcando posição sempre que a lota ambiental tenta avançar. Nesse caso específico, é evidente que um absurdo pedido de vistas não terá influência decisiva no processo. A moção, apresentada pelo conselheiro representante da Comissão Espírito-santense de Folclore no Consema, Sebastião Ribeiro Filho, será aprovada.
Mas irrita ver esses grupos tramando nos bastidores contra a qualidade de vida do povo capixaba. Ao todo, 23 entidades já manifestaram apoio à criação das Unidades de Conservação (UCs), além do Ministério do Meio Ambiente, que ressaltou a importância ecológica da região, não só para o Estado, mas para todo o planeta.
Comprovam essa avaliação os 12 anos de estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Não deixa de ser gratificante, portanto, ver um processo tão saudável avançar, ainda que a passos lentos e sob fogo cerrado dos grandes poluidores e de seus serviçais.
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