Idiotas do som sem limites




Geraldo Hasse


Eles proliferam perigosamente nas cidades, concorrendo para ampliar a poluição sonora. São os idiotas da sonoplastia motorizada. Equipados com uma quantidade descomunal de alto-falantes, saem pelas ruas em marcha lenta, procurando ler nos olhos dos pedestres o impacto que causam.

Esses arautos da alta voltagem se acham no direito de atulhar os ouvidos alheios com a estridência de suas mensagens publicitárias e o tuntuntum de suas lamentáveis preferências musicais. Enquanto uns atordoam por lazer, outros fazem barulho com a desculpa de que estão ganhando a vida. Igualam-se assim na ignorância mais profunda. Parecem convencidos de que a via pública lhes dá o direito de invadir a privacidade alheia e agredir os tímpanos de todo mundo.

Nas cidades grandes, esses sons se diluem na parafernália sonora. Nas cidades pequenas, são dominantes e quebram a paz típica do interior. Em Imbituba, SC, cidade de 32 mil habitantes com uma situação geográfica equivalente à da aprazível Anchieta, no Espírito Santo, um tagarela vestido de palhaço e com alto-falante a tiracolo passa o dia enchendo o saco alheio nas ruas centrais da cidade.

Quem o autorizou a poluir o ambiente? A prefeitura talvez, em troca de uma taxa simbólica anual. É assim em toda cidade brasileira: autoriza-se com facilidade a veiculação de propaganda sonora, mas não há notícia de qualquer fiscalização ou repressão a essa espécie de crime ambiental, que se soma a um grande rol de contravenções impunes. É como se o Brasil fosse uma terra de ninguém.

Os adeptos da permissividade sonora argumentam que não se pode negar o direito nem coibir a iniciativa dos empreendedores dispostos a disputar consumidores com outros meios de comunicação já estabelecidos, como a imprensa, o rádio, a TV e os painéis de rua.

De acordo com esse argumento, negar licença para o barulho emergente das ruas seria como garantir o monopólio aos bichos-papões da mídia, manipulados por agências de propaganda dominadas pela mediocridade.

É aí que a porca torce o rabo...

A propaganda televisiva de cerveja, por exemplo, sugere que todos os consumidores dessa bebida são estúpidos, babões e barulhentos.

Na propaganda de automóveis, todos os homens parecem imbecis que ainda não saíram da adolescência.

A julgar pelos comerciais, as senhoras usuárias de sabão em pó são completamente idiotas, sempre dispostas a ser enganadas.

Já as mensagens das Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza e outros grandes magazines passam a impressão de que o berreiro é indispensável para convencer os clientes.

Estamos literalmente nivelados por baixo. Se proibir não é simpático e vetar não pega bem, o que fazer? Não tendo ainda desistido da idéia de que é possível melhorar o mundo em que vivemos, esta coluna está aberta a sugestões.

Plantão ambiental

"A natureza faz do homem um ser natural. A sociedade faz dele um ser social. Somente o homem é capaz de fazer de si um ser livre." (Rudolf Steiner)

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