Nesta sexta-feira (14) os participantes da III Conferência Estadual do Meio Ambiente definem as teses do Espírito Santo que serão levadas à Conferência Nacional, em maio próximo. O tema central é o aquecimento global, causado pelos gases estufa.
Se não houver manipulação dos conferencistas pelas empresas poluidoras, como ocorreu na II Conferência, estarão na berlinda as empresas que mais emitem estes gases no Espírito Santo, que são a Vale, ArcelorMittal Tubarão e Belgo, Aracruz Celulose e Samarco. Existem outras, igualmente importantes, que não devem ser esquecidas, inclusive as que destroem os sumidouros de carbono no mar.
Há igualmente muita destruição do pouco que resta da vegetação de mata atlântica. E a destruição da vegetação contribui significativamente para produção de gases que estão levando o planeta a ficar mais quente, com conseqüências desastrosas, a mais fácil de comprovar sendo o aumento do nível das águas dos oceanos.
A posição do Brasil não é nada boa no plano mundial: o país é o quinto maior emissor de gases estufa do planeta. O Brasil emite nada menos do que um bilhão de toneladas de gás carbônico por ano. Vários estudos apontam que aproximadamente 75% destes gases são produzidos por desmatamento, principalmente na Amazônia, mas que ocorrem em todos os biomas, como na mata atlântica e no cerrado.
No último dia 6, relatório de pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que o Brasil, China, Índia e Rússia emitirão por ano mais dióxido de carbono (CO2) do que todos os países ricos juntos até 2030. A China responderá por cerca 50% destas emissões. O CO2 é o mais importante gás do efeito estufa.
Quando a China não emite os gases em seu próprio território, ela terceiriza: vem para o Espírito Santo uma unidade de sua principal siderúrgica, a Baosteel. Na China, a produção desta empresa é de 30 milhões de toneladas anuais, aproximadamente. Só a empresa já constituída em parceria com a Vale, a Usina Siderúrgica Vitória, em Ubu, já começa com a produção de 5 milhões de toneladas anuais, podendo dobrar a produção a curtíssimo prazo.
Sabemos que há possibilidade de que o crescimento econômico ocorra de modo sustentável. Mas não é esta a ótica dos governos em todo o mundo. E no Brasil, como no Espírito Santo, não é diferente. Os projetos poluidores que estão sendo desenvolvidos no Estado têm apoio do governador Paulo Hartung. E são aprovados, sempre a toque de caixa, como as empresas querem.
Os olhos dos conferencistas nesta sexta-feira deverão estar voltados para estes problemas e apontar soluções. Não devem esquecer ainda as muitas outras fontes de emissão dos gases estufa, como os veículos automotores. E a degradação da água, da terra e das matas nativas pela extração irracional do mármore e do granito, do petróleo, e a contaminação produzida pelos agrotóxicos.
Para os problemas e as soluções para conter o aquecimento global devemos estar todos de olhos bem abertos, e o tempo todo.
Afinal, atitudes como não comprar produtos dos grandes emissores de poluentes, como dos Estados Unidos e da China, só para exemplificar, podem ser um bom começo!
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