Vitória (ES), edição de 20 de março de 2008

Presidente de Comissão de Saúde diz
que Hucam não pode ‘pedir esmolas’



Cristina Moura


O objetivo da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, a partir da próxima terça-feira (25), é propor um diálogo com diversas forças da sociedade para que o Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), o Hospital das Clínicas, não fique, sucessivamente, "pedindo esmolas". Quem garantiu a discussão foi o presidente da Comissão, Hércules Silveira (PTB).

Para ele, o hospital, referência na região, não pode ficar, de vez em quando, assustando a população e sucateado por falta de recursos.

Na terça-feira, às 8h, a Comissão vai se reunir no gabinete do reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Rubens Rasseli, no campus de Goiabeiras. Em seguida, às 10h, vai promover uma audiência pública, no auditório do Hucam, localizado em Maruípe, Vitória.

"O órgão pertence ao governo Federal. O governo estadual dá sua contribuição e a prefeitura de Vitória também, mas temos que encontrar a melhor forma de resolver. Imagine se fechar, quanto a população, quantos alunos, médicos em residência, enfermeiros e outros profissionais iriam sofrer com isso", questionou.

Na audiência pública, os deputados querem reunir o secretário de Estado da Saúde, Anselmo Tozi, além de prefeitos e secretários de Saúde da Grande Vitória, representantes do Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF), Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Sintufes) e da classe estudantil.

Com a notícia de não fechamento do setor de Urologia do Hucam, um dos mais prejudicados, a população começa a sentir algum resultado, depois dos acontecimentos desta semana. Durante a crise político-econômica do órgão, aconteceu a renúncia do diretor-superintendente do hospital, Gerson Thomé Marino, na última terça-feira (18).

Marino alegou "problemas de saúde", mas não deixou de revelar o quadro de desgaste físico do hospital, que atualmente enfrenta um déficit mensal de R$ 600 mil. A expectativa é para que ocorram novas eleições, dentro de um prazo regimental de 30 dias, e que sejam abertas novas vagas para concurso público.