Vitória (ES), edição de 20 de março de 2008

Sindipúblicos reage: R$ 121,22
é o piso salarial do servidor



Renata Oliveira
Foto capa: Divulgação Sindipúblicos

Os servidores públicos reagiram com indignação ao alarde criado pelo governo para anunciar o reajuste de 5% para os trabalhadores da administração direta. No site do Sindicato dos Servidores Públicos (Sindipúblicos), a categoria denuncia que o piso salarial, na verdade, é de R$ 121,22 e o aumento não repõe o poder aquisitivo dos servidores públicos.

“O governo apenas cumpre o que determina a Constituição, com
a obrigação de revisar anualmente os salários. Quando o assunto lhe chama a responsabilidade, se faz de desentendido, empurra com a barriga, impõe decisões, sem ter atitude com o essencial: uma tabela salarial arcaica
congelada por quase 12 anos, remunerando a maioria dos servidores públicos com um salário base vergonhoso, que não chega sequer a um terço do salário mínimo”, diz a nota publicada no site.

A proposta de reajuste foi encaminhada à Assembléia Legislativa e vai ser aprovada com facilidade pelos deputados. A categoria nega a afirmação do governo de que hoje o piso salarial é de R$ 530,00. Na verdade, esse valor é relativo ao piso remuneratório, que engloba outros benefícios além do piso.

“Que venha o reajuste, mas que fique bem claro que a decisão imposta não atende às justas reivindicações do funcionalismo. Os servidores públicos têm direito a remuneração de tabelas salariais dignas, incorporada a novos planos de carreira e que valorize o conjunto de trabalhadores para prestar serviços com eficiência e qualidade”, dispara a direção do sindicato na nota.

A proposta de reajuste de 5% é linear para os 81,6 mil servidores da administração do Poder Legislativo e deve ser incorporada aos vencimentos já a partir de abril. O governo estuda a possibilidade de conceder abonos e outros benefícios durante o ano, mas ainda não há nada concreto.

Os servidores defendem a adoção de um plano de carreira diferenciado para as categorias que compõem a intersindical dos servidores públicos. A proposta foi enviada ao secretário de Gestão de Recursos Humanos, Ricardo Oliveira.

Mas até hoje não houve resposta do governo em relação à pauta de reivindicações. Paralelamente a isso, o governo contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para prestar consultoria na elaboração de um plano de carreira para os trabalhadores da administração direta.