Vitória (ES), edição de 27 de março de 2008

Eucalipto: monocultura encarece
hectare e domina terras capixabas



Nerter Samora


A grande expansão da monocultura do eucalipto está encarecendo o valor da terra no Espírito Santo. O posto de quinto hectare mais caro do País é reflexo da especulação que atinge as terras agrícolas, em especial com o alto preço pago por áreas destinadas ao eucalipto. Pressionando os preços, a Aracruz Celulose evita concorrente e estabelece o monopólio de terras no Estado.

A constatação é o resultado de uma análise mais profunda sobre os resultados da pesquisa do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) e a empresa capixaba Ruralter, divulgada pelo jornal "A Gazeta", onde as terras capixabas figuram entre as cinco mais caras do País.

O valor médio capixaba de R$ 4.770,00 fica atrás apenas dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Apesar de os índices da agricultura serem irrelevantes, esse alto valor médio é o preço pago pela presença de um grande projeto sem que o Estado possua a mesma dimensão territorial para comportá-lo.

Isso porque, desconsiderando as zonas urbanas, cerca de 30% de toda terra agrícola do Estado já estão ocupados com o plantio de eucalipto para a produção de celulose. Esse alto índice de comprometimento das porções cultiváveis do solo capixaba acaba pressionando os valores da terra para cima.

A forte especulação neste mercado é proposital. A empresa paga altas somas pelas terras e congela o mercado, já que não as negocia, acabando com o movimento de compra e venda destas terras. E até mesmo as regiões começam a ser delimitadas pela ação da Aracruz Celulose.

Como a empresa quer sempre retirar o máximo de lucro na produção, a escolha fica exclusivamente em terras que ficam no raio máximo de 150 a 200 quilômetros de sua fábrica, distância em que o preço do frete não atinge a margem de lucro.

Fora dessa faixa os preços despencam, como aponta a pesquisa: a variação do preço médio da terra nua no Estado fica entre R$ 2 mil, em Baixo Guandu (noroeste do Estado), a até R$ 12,5 mil, em Jaguaré, região mais próxima da fábrica da Aracruz, inclusive contando com larga infra-estrutura de rodovias, pelas quais é feito o transporte da madeira.