Vitória (ES), edição de 07 de novembro de 2007
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Quadros que contam história



Leonardo ViSo

  
Foto: Divulgação
  
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) teve seu fim decretado em 1963. Após diversas desavenças entre seus conselheiros administrativos, o acervo do museu foi doado para o Universidade de São Paulo (USP) que criou o Museu de Arte Contemporânea. Sem sede, sem dinheiro e sem sua coleção, o MAM-SP estava fadado ao fim se não fosse a organização dos seus sócios e “amigos” que lutaram e conseguiram reestruturá-lo.

Agora, 44 anos depois do seu “fim”, parte do acervo do MAM-SP será mais uma vez retirado de sua sede no Parque do Ibirapuera. Porém, agora o destino não é definitivo e a saída das obras representa uma extensão concedida do museu paulista a terras capixabas. Nesta terça-feira (18), o Museu de Arte do Espírito Santo (Maes) recebe em suas paredes a exposição Pintura Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Quem fez o contato inicial entre o MAM-SP e o Maes foi a própria secretária de Estado da Cultura, Dayse Lemos. Visando parceiras, ela contatou diversas instituições do Brasil e a primeira a responder foi justamente o MAM-SP. “A parceira com o MAM-SP vai além da exposição e inclui também um projeto de arte e educação”, conta a secretária. “Estou muito feliz com a exposição e emocionada por receber grandes trabalhos”, diz.

A felicidade não é gratuita. A exposição conta através dos quadros - cerca de 70 - a história da pintura feita na Brasil desde a Semana de Arte de 1922 até os dias atuais. Não são poucos os grandes nomes que compõem a exposição. Dentre os mais conhecidos: Iberê Camargo, Di Cavalcanti,Volpi, Tarsila do Amaral, Dionísio del Santo, Amilcar de Castro, Lygia Clark, Hélio Oiticica e Tomie Ohtake. “São tantos trabalhos que seria uma leviandade destacar alguns”, fala Dayse Lemos.

Na exposição, a divisão das obras é feita em salas identificadas pelo período em que foram produzidas. São eles Anos 1930 e 1940, Anos 1950, Anos 1960, Anos 1980 e Momento Presente. Mas como em arte nada é tão pragmático e delimitado, entre as obras de cada período estão inseridos trabalhos de outras épocas, para que o público possa estabelecer as relações possíveis. Assim é possível evidenciar aspectos formais, temáticos e de estilo e compreender a adaptação e apropriação de que a pintura vem participando ao longo dos anos. É uma divisão que amplia a divisão cronológica para uma compreensão mais ampla da pintura e de suas transformações.

Adaptações e exigências
A mostra também marca o início das comemorações do décimo aniversário do Maes. Apesar de todos os confetes, a vinda das obras para o Espírito Santo não foi tão simples. Profissionais e vacinados, os administradores do MAM-SP só emprestaram as obras depois de fazer uma série de exigências. Para receber as obras, o Maes teve que se comprometer a cumprir com todas as reivindicações do MAM-SP e para isso precisou passar por muitas mudanças.

“As dificuldades foram muitas. Tivemos que instalar equipamentos de segurança internos e externos, cada sala precisou receber sensores de calor, luz e umidade; e semanalmente temos que emitir um relatório sobre a situação das obras.”, enumera Dayse. “É uma parceria de confiança, mas antes de tudo de profissionalismo”, completa. Após as adaptações o curador da exposição, Andrés Hernández, veio até Vitória dar seu aval.

Mudanças realizadas e aval concedido, o Maes se credenciou a receber outras grandes exposições nacionais e internacionais. E imagine que mesmo sem essas adaptações, o museu já recebeu obras do porte de Rodin, Camille Claudel, Brecheret, entre outros. Agora, então, vamos esperar muito mais. Megalomanias à parte e resgate em primeiro lugar, a próxima exposição já é certa: será uma mostra com obras do artista concretista Dionísio Del Santo, o capixaba que dá nome ao Maes.

  
Foto: Divulgação
  
Confira os períodos que compõem a exposição

Anos 1930 e 1940
Aldo Bonadei, Iberê Camargo, Mick Carnicelli, Ernesto de Fiori, José Pancetti, Emiliano Di Cavalcanti (2 obras), Alfredo Volpi, Fulvio Penacchi, Tarsila do Amaral, Clóvis Graciano, Francisco Rebolo (2 obras), Raphael Galvez, Sergio Milliet, Paulo Rossi Osir, Teresa Viana, Mário Zanini.

Anos 1950
Alfredo Volpi, Hércules Barsotti, Dionísio del Santo (2 obras), Judith Lauand, Amilcar de Castro, Lygia Clark (2 obras), Hélio Oiticica (2 obras), Willys de Castro, Hermelindo Fiaminghi, Lygia Pape, Luiz Sacilotto, Mira Schendel (2 obras), Ivan Serpa, Tuneu.

Anos 1960 e 1970
Cláudio Tozzi, Rubens Gerchman, José Roberto Aguilar, Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Rubem Valentim, Samson Flexor, Yolanda Mohalyi, Marcello Nitsche.

Anos 1980
Caetano de Almeida, Rodrigo Andrade, Leda Catunda (2 obras), Alex Vallaur, Daniel Senise, Beatriz Milhazes, José Leonilson, Nuno Ramos, Jorge Guinle, Paulo Pasta, Sérgio Romagnolo.

Momento Presente
Dora Longo Bahia (2 obras), Eduardo Sued, Carlos Zílio, Emmanuel Nassar
Cabelo (Cachoeiro do Itapemirim), Tatiana Blass, Valdirlei Dias Nunes, Marco Giannotti, Fábio Miguez, Sergio Sister.

Serviço
A exposição Pintura Brasileira do Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Museu de Arte do Espírito Santo (Maes). Avenida Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória. Visitação até 30 de março, de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h. (Matéria publicada em 18 de dezembro de 2007, dia da abertura oficial da exposição).

 

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