A árvore errada

_mg_7076-1268030[1]

A árvore errada

A primeira planta domesticada pelo homem foi a figueira e o milagre ocorreu em algum lugar em volta do Mar Mediterrâneo, 9.000 anos AC. Estamos há tanto tempo assim por aqui? Porque exatamente o figo e como o processo se desenvolveu é assunto dos especialistas, ou seja, tudo muito complicado. A lenda, porém, não apenas é mais bonita como mais coerente. E essa é a razão da sobrevivência das lendas.

Em tempos muito antigos, houve um reino em que cada ser humano tinha uma árvore personalizada. Ao nascer uma criança, não importa de que sexo ou de qual família, uma plantinha brotava também em seu quintal. Não havia escolha, a fruta que nascia para cada ser humano era uma decisão dos deuses. Assim como hoje em dia uns nascem bonitos e outros feios, uns nascem ricos e outros pobres, havia árvores boas e más, pródigas em frutos ou avaras. Os bem-aventurados ganhavam árvores com as melhores frutas.

Essa diferença marcava o destino de cada um – cada pessoa só poderia se casar com alguém que tivesse a mesma árvore. Como não poderia deixar de ser, esse reino tinha um príncipe que um dia seria rei, e de acordo com as leis vigentes, sua esposa teria a mesma árvore: uma figueira. Não havia excessões para nobres ou plebeus, ricos ou pobres. Jovens bonitas e prendadas com a sorte de ter uma figueira não faltavam no reino, o príncipe teria apenas a agradável missão de escolher uma delas.

Mas por algum desvio das conjunções astrais o jovem príncipe se apaixona por Ziriane, também bela e prendada, mas sua árvore era uma parreira. Nada contra as parreiras, cuja fruta é bem mais popular que o figo. No entanto, esse amor ia contra os as leis do reino, e um futuro rei tinha que dar o bom exemplo. Por mais que sofresse, seu amor estava condenado, porque a lei era igual para todos. Pelo menos naquele reino.

O príncipe demorava a fazer sua escolha, sempre inventando desculpas, “São todas tão lindas, não sei qual escolher…” protelando o mais possível o casamento indesejado mas inevitável. Naturalmente o príncipe não estava sozinho em sua frustração romântica; muitos amores eram frustrados por terem a árvore errada… Dizem que o coração humano é insensato, mas insensatas são as leis que o contrariam. Ou que os deuses contrariam.

Para ajudar os jovens a fazer suas escolhas, era costume se ofertarem mutuamente as frutas de suas árvores. Seria ‘fazer a corte’ com uma cestinha de frutas, embora também essa expressão já tenha desaparecido do vocabulário digital. E para complicar ainda mais as dores do príncipe, quem lhe levava os figos mais doces era Arielle, irmã de Ziriane. Figueira e parreira vicejavam lado a lado no quintal das irmãs. Arielle era também formosa, mas que fazer se o coração do príncipe batia pela irmã?

Chegou o ano em que o príncipe completaria 25 anos, alcançando a maioridade, e não poderia mais protelar sua decisão. Deveria se casar e assumir as responsabilidades do reino ao lado do pai. Quando esse morresse, o filho estaria preparado para substituí-lo. E todos já sabiam que a escolhida seria a bela Arielle. Como sempre acontece nas lendas, um baile foi marcado para comemorar o aniversário do príncipe e anunciar o noivado.

Também apaixonada pelo príncipe, Ziriane se revolta contra a injustiça dos deuses, que lhe deram a árvore errada. Se só poderia se casar com um jovem que tivesse uma parreira, por que deixaram seu coração se apaixonar pelo príncipe? Já nasceu em desvantagem, e isso não era justo. Uma noite, sabendo-se impotente para mudar seu destino e num gesto de desespero e raiva, Ziriane vai para o quintal e arranca um galho da figueira.

Desafiando os deuses, cravou o galho no chão umedecido pelas chuvas como se cravasse uma espada na displicência divina, “Que fiz eu para sofrer em vão, se não posso mudar minha sorte?” E muito chorou sobre aquele galho estéril, símbolo de sua ira. Alguns dias depois, Ziriane percebe com espanto que o galho que fincou no chão, que já deveria estar murcho como seu coração, vicejava com verdes brotos. “Os deuses teriam ouvido meus lamentos?”

E todo o reino ficou sabendo que a jovem Ziriane, por amor ao príncipe, havia feito uma árvore nova brotar do galho seco de uma figueira. Também surpreso, o príncipe pediu ao pai que lhe desse mais tempo para fazer sua escolha. E quando a nova figueira deu frutos, eram ainda mais doces que os da árvore mãe. O príncipe se casou com Ziriane e foram felizes, até que ela teve outra boa ideia, “Se plantar uma figueira me fez princesa, o que serei se plantar muitas figueiras?”

Naturalmente domesticar as plantas foi um grande passo na evolução humana, mas infelizmente toda boa ideia acaba prejudicada pela ganância humana. E vieram os latifúncios, os agrotóxicos, os transgênicos, a monoculture, os supermercados… para acabar com a fome, quanta miséria criaram.

Aniversário devia ser feriado

ipe-amarelo-e1408382927745-2xnev9qtdyhop3ib6wsr2i

Aniversário devia ser feriado

Aniversário devia ser feriado
Apesar de mais uma greve e mais um feriado, maio nos brinda com a florada dos ipês, esparramando beleza por toda parte. Tão exibicionistas. A casa de minha infância tínha um ipê no quintal, e quando se abria em buquês de ouro minha mãe dizia, “Estão anunciando seu aniversário”. Ainda hoje acredito piamente. Apesar da curta vida da floração do ipê, todos o querem por perto, embora a árvore passe quase o ano todo encolhida e humilhada pelas outras espécies. Sem as flores, não tem graça nenhuma.

Não sei se persigo os ipês ou se eles me perseguem, mas os tenho sempre por perto. Morei em Cariacica alguns séculos atrás, e um ipezinho esmirrado se exibia bem em frente da janela do meu quarto. Quer jeito melhor de acordar? Nos 85 lugares em que morei, havia sempre um ipê nas vizinhanças, e não era preciso esticar o pescoço para apreciar sua exuberância. Sei que os distraídos dirão, Qual a novidade? Não foi por escassês da espécie que elegeram o ipê a árvore preferida dos brasileiros.

Mas moro em Miami, onde o ipê amarelo está florindo por toda parte. Na entrada da casa do meu filho tem um pezinho meio lerdo, até agora não se manifestou. O que é bom, pois fará seu showzinho particular quando os outros ipês estiverem com suas pétalas no chão. Um ipê se instalou ou foi instalado bem perto da janela onde garanto meus dólares quinzenais, e não há quem passe sem parar, “Oh sua janela!” como se eu o tivesse ali plantado. Tenho ou não tenho razão para acreditar que os ipês vêm anunciar meu aniversário?

Quando nasci, e em sendo a segunda filha, captei uma certa decepção quando a parteira anunciou, sem muito entusiasmo, “Outra menina.” Eu estava lá, portanto sou testemunha. A reação de pai e mãe foi simpática, “Que Deus lhe dê boa saúde”, disse um; “O importante é que seja feliz”, disse a outra. Era um tempo em que só sabiam o sexo do rebento quando esse pequeno protótipo de ser humano conseguia ultrapassar o túnel do tempo, dar seu primeiro berro e iniciar a contagem regressiva para o retorno.

Que nem as ciganas distribuindo bênçãos para o recém-nascido em Morte e Vida Severina, o que meus pais me desejaram se realizou: tenho boa saúde e ultrapassei a média de vida, tanto do Brasil como dos States, e sou feliz, considerando-se a felicidade como um estado de espírito, não as explosões de entusiasmo quando o time ganha ou acertamos a cartela inteira do bingo; o patrão anuncia aumento de salário ou conseguimos recuperar o texto apagado por engano.

No meu primeiro emprego, professora primária mal paga e tendo que pegar carona na estrada para ir trabalhar, acordei tarde no dia do aniversário e fui tomar um lento café da manhã. Meu pai, a vida toda funcionário público mal pago, tendo que pegar carona para cumprir seu ofício no interior, pergunta porque não vou trabalhar. Explico, e ele fica mais espantado ainda, A diretora autorizou? Ignorei o mau humor e não fui. Além da bronca, a diretora me cortou o dia, apesar do aniversário e do minguado salário.

Nessa época os ipês já floresciam em maio, pelo menos em Miami. Como meu ipê fica encostado na minha janela no segundo andar, tenho uma visão privilegiada sobre a copa florida, e me encanto com o festival de abelhas enlouquecidas se refestelando em tanto néctar. Deve ser o carnaval para elas, e sabem que tudo vai se acabar na quarta-feira. Não vejo as abelhas tão felizes rondando outras flores, portanto a floração do ipê pode ser curta, mas traz alegria para todos. Feliz meu aniversário para meus leitores e leitoras. Uma fatia do bolo vai por email.

Nossa Terra, nossa gente

Nossa Terra, nossa gente

mindfully-share[1]

Dia 22 de abril é ou foi o dia da Terra, portanto semeio boas notícias, a ver se servem de exemplo e produzem bons frutos. Somente em janeiro desse ano 3.2 milhões de americanos deram adeus aos patrão e deixaram o emprego. Um sinal de que a economia está melhorando; se tem tanta gente pedindo demissão é porque foram trabalhar por conta própria ou arranjaram empregos melhores. Há outros bons motivos, claro, como ganhar na loteria ou arranjar um bom casamento, mas menos prováveis.

Parece que tem vaga sobrando para quem está bem preparado. O site Qz.com informa que existem atualmente 530 mil empregos disponíveis na área de informática no país, mas apenas 60 mil estudantes se formam em Ciência da Computação a cada ano. Um estudo do governo prevê que em 2020 haverá 1.4 milhões de vagas na área, enquanto a oferta de mão de obra será de 400 mil apenas. Os indianos estão preparando os passaportes.

FoxNews informa que o censo americano em 1950 listou 270 empregos que estariam extintos nos próximos anos. Errou: 32 empregos sumiram por falta de procura, e o único definitivamente extinto é o de ascensorista de elevador, embora o número de elevadores tenha aumentando consideravelmente. No Brasil essa ocupação continua escalando, mas por que manter uma pessoa sentada o dia inteiro num veículo que anda sozinho e todo passageiro sabe apertar o botão?

lembrando que todos os dias são dias de cuidar da casa, o globo que nos abriga, alimenta e protege. Portanto, continue dando sua ajuda. Uma boa dica do Google: reduza, reuse, recicle, exatamente nessa ordem. Reciclar gasta muita energia, portanto a melhor opção é reduzir o consumo e reusar o que for possível. Cuidar bem do planeta vai nos deixar tão felizes quanto os noruegueses? De acordo com Word Happiness Report de 2017, a Noruega é o país mais feliz do mundo. Por que não temos um planeta onde todos os países sejam igualmente felizes?

Um engenheiro da Apple criou um jeito diferente de ajudar os mendigos de sua cidade: montou uma lavanderia ambulante com máquinas de lavar e secar em uma camionete, e passa os fins de tarde e de semana rodando pela cidade, lavando e secando a roupa dos mendigos, no que ele chama de Loads of Love. Haja amor pra dar. Segundo ele, ‘A roupa limpa restitui a dignidade das pessoas’.

Pedro Viloria, que trabalha em um McDonald de Miami, teve seu dia de glória quando uma mulher desmaiou na fila do drive-thru com duas crianças no carro. O carro andou sozinho e Pedro pulou a janela do restaurante e correu atrás. Felizmente o carro parou numa curva antes que um acidente grave acontecesse. Viloria e outro funcionário socorreram a mulher, administrando-lhe CPR. Ele disse, “Se tivesse que morrer para salvar essa mulher, eu morreria.”

Numa sociedade assolada por corrupção e preconceitos, esses gestos simples nos mostram que ainda há esperança de uma vida melhor. Bom saber que um menino de 8 anos devolve o dinheiro que encontrou, que um modesto atendente de fast-food arrisca a vida para salvar outras, que um engenheiro gasta tempo e dinheiro ajudando o próximo. No dia da Terra, parabéns pra você que está fazendo o mundo melhor.

Promoção imperdível

promocao

Promoção imperdível

Professsora de português em Miami, Dalvinha vai garantindo o hamburguer de todo dia dando aula pra gringo, ainda mais que estão numa promoção imperdível, por $5.00, pague um e leve dois. O hamburguer, não os alunos. Procurando a gente acha – tem sempre alguma coisa com algum desconto: um é 10,00 – leve dois por 14.00. Mas quem resiste à campanha pró-excessos e leva apenas um, vai pagar o mesmo 7,00 no caixa. Sem faltar o free-refill dos sucos e refrigerantes, com três tamanhos a escolher, e mesmo podendo repôr à vontade, há quem pague pelo copo maior.

Dalvinha se inspira nas promoções imperdíveis e cria uma própria: “Aulas de Português, uma semana 200,00; duas 150.00. Cafezinho brasileiro e pão de queijo”. O fluxo de estudantes dobrou, e nenhum aluno reparou que o preço anterior já era 150,00 e que o cafezinho não é brasileiro, mas colombiano, vendido em todos os supermercados. Pelo menos o pão de queijo é brasileiríssimo, mas também está sendo vendido em qualquer supermercado. Congelado, mas que outra opção têm os expatriados?

O Walmart tem uma ideia melhor: traga a revista, jornal, panfleto, flier, foto, com qualquer promoção de qualquer concorrente, e vendemos pelo mesmo preço. O que eles sabem: pouca gente se dá ao trabalho de recortar, pôr na bolsa e mostrar. O junk mail que vem pelo correio também está cheio de cupons com descontos, Save 1,00 na compra da pasta de dente, 0,50 no litro de suco de cramberry, 0,25 no pacote de pão integral… Tem cupons com descontos altos, mas claro, o produto deve custar cem pra ganhar desconto de dez. Mesmo o de graça sai caro.

Na leva de novos alunos chega o Jason, que não tem intenção de ir ao Brasil ou trabalhar em alguma empresa que exija o conhecimento da língua. Poucas, mas que existem, existem. Jason apenas não consegue resistir a uma promoção, mesmo se não precisa do produto. Imagine-se o excesso nos armários. Mas no melhor exemplo de pague um leve dois, Jason pagou a aula e levou o coração até então desapropriado da garota. “Sabia que tem descontos pela ocupação de áreas improdutivas?” ele pergunta, no capítulo Cultivos. Dalvinha demora a entender que ele se refere ao estéril coração da professora.

Entre olhares e sorrisos, elogios e discretos toques de mão, e outra rodada de pão de queijo e cafezinho, a escrivaninha de Dalvinha está sempre adornada com buquês de rosas que ele compra na esquina, “Quer levar dois, moço? Faço um desconto.” Dalvinha nota que algumas vezes as rosas fizeram estágio na geladeira, mas o amor é cego, a não ser que alguma ótica ofereça descontos na compra de bifocais. Até que, no capítulo da Conversa no Restaurante, ele a convida para saírem no sábado, um cinema e um jantar, “Para treinar conversação…”

Vão a um restaurante fino no point da moda, o que não deve surpreender. O rapaz não é sovina, ou um extremado pão-duro. Com bom emprego, boa educação, boa renda, ele apenas não resiste aos descontos e promoções que nos tentam por toda parte. Quando o garçon traz a carta de vinhos ele pergunta, “Degustamos um vinho?” Dalvinha diz que não bebe. Não por motivos religiosos ou morais, apenas não gosta. O rapaz se escandaliza, “Como assim? Nunca encontrei uma pessoa que não apreciasse um bom vinho.”

“Tudo tem sua primeira vez”, ela ri, sem entender a gravidade da situação. O rapaz examina com calma a lista de preços, e lá no finalzinho encontra a tentação, ‘Vinho da casa, pague um copo, beba dois’. E cria-se o impasse. Nada menos romântico que tomar vinho sozinho num jantar a dois, mas a oferta é imperdível. O garçom esperando. Dalvinha pede uma coca-cola, preço cheio, sem promoção e sem refil. Menos romântico impossível. Jason suando frio, olhos fixos na carta de vinho, entre o amor e a mania.

Olha pra garota, olha pro garçon, reexamina a lista.”E então senhor? Já escolheu? Temos uma promoção imperdível com o vinho da casa. Da melhor qualidade”. Dalvinha entende o dilema, “Olha, cancela a coca. Vamos experimentar o vinho, Jason?” O amor vence o primeiro round, no primeiro encontro, mas Dalvinha pensa lá com suas pulseiras, “Na próxima quem tem que ceder é ele”. E no final da noite teve que admitir, o vinho era mesmo bom.

A vida íntima das flores

A vida íntima das flores

A vida íntima das flores

No singelo jardim da casa de Jane – um metro por dois, se tanto, mais grama que planta – nada de interessante acontece. Pelo menos é o que ela pensa. No entanto, quebrando a mesmice que deve ser a vida das plantas, uma semente distraída navega o vento e ali decide se instalar. No princípio é apenas um ramo frágil, e precisa lutar desesperadamente para se impôr entre a folhagem que ali já demarcou seu espaço e não pretende dividir seus privilégios.

Outras vieram antes e não conseguiram sobreviver a essa primeira fase, massacradas por ventos fortes, chuvas intermitentes, muito frio ou muito calor, formigas destruidoras, o gato que tudo remexe. Muitas são estranguladas ainda no berço – a guerra no subsolo por espaço e alimento; a disputa no solo pela conquista por um raio de sol. Poucas conseguem vencer essa primeira etapa e seguir adiante, se esticando, se intrometendo e se impondo para sobreviver.

Também no grande jardim humano, onde os espaços estão cada vez mais escassos e a disputa por um lugar ao sol é ainda mais acirrada, a chance de uma jovem modesta vencer são mínimas. Onde há vida há competição, seja no quintal de uma casa suburbana ou na revista em que Jane trabalha, ‘A vida das flores’, especializada em jardinagem. Embora o ciclo natural se renove constantemente, o poder tende a permanecer onde está – o diretor passa a direção aos filhos como a árvore espalha em volta suas sementes.

Jane chegou de mansinho, como quem não quer nada, e ela mesma acreditava nisso. Não tinha curso superior em jornalismo ou jardinagem, como exigia a chamada de emprego, mas era boa em computação e rápida nas pesquisas, e foi ficando. Gentil, tímida, prestativa, a supervisora se irritava, Menina, fala mais alto, faça-se ouvir, e Jane balbuciava, Quieta no meu canto não incomodo ninguém. Entrou como temporária, foi ficando, sem ambições, sem reclamações.

Jane mora em um condomínio fechado onde todas as casas são iguais e pintadas da mesma cor, com um pequeno jardim na frente com as mesmas plantas podadas uma vez por mês no mesmo tamanho e formato. Um dia qualquer, ao sair de casa Jane se surpreende ao ver um galhinho magricela despontando acima da folhagem verde-amarela do jardim. Foi aos poucos se esticando e numa bela manhã de sol, Jane vê brotar uma esplendorosa flor amarela acima da mesmice do canteiro.

Uma flor apenas, mas puro ouro, como um raio de sol vencendo um dia chuvoso. O jardineiro do condomínio passa com a serra elétrica, nivelando a liberdade dos canteiros. Jane pela primeira vez chega atrasada na redação, esperando por ele. “Não corte minha flor,” avisa. A flor amarela é uma aberração fora do contexto e será eliminada, avisa a síndica quando informada da estranha determinação da residente. Uma jovem sempre tão pacata, vai agora criar caso por causa de uma flor?

Jane explica que mesmo uma flor deve ser protegida, justamente por sua fragilidade. A senhora nada entende, e com o estatuto do condomínio em punho cita regras e normas que devem ser seguidas por todos, Ou viramos terceiro mundo, onde todo mundo faz o que quer. Jane rebate que uma pequena flor que sobrevive aos concorrentes mais fortes merece o privilégio de cumprir sua finalidade na natureza e desfrutar um raio de sol, breve que seja. Portanto, a flor fica.

A síndica convoca uma reunião do condomínio, onde nada fica decidido, como em todas as reuniões de condomínio. Recorre portanto à instância superior. Informada do impasse, a Administração geral do condomínio convoca uma reunião de emergência da diretoria, mas antes que tal aconteça, a flor morre por conta própria. No dia seguinte, Jane entra na disputa para a vaga de diretor gráfico da revista.

Brasileira expulsa de Miami

Primeiro de abril
Primeiro de abril

Fechamos o mês de março com uma terrível apreensão: quem vai me pegar nesse auspicioso dia primeiro de abril de sol e ventos brandos? Caindo num sábado, mais tempo terão os engraçadinhos de fazer graça às minhas custas, o que não será nem um pouco engraçado para mim. Não foi por falta do que fazer que criaram o dia dos tolos – somos todos tolos, na verdade, e um dia a mais ou a menos não faz muita diferença.

Nos meus tempos de criança o dia era levado a sério, e a gente saía de casa em estado de alerta, sabendo que uma pegadinha poderia acontecer a qualquer momento. Mesmo porque, na véspera a gente ia pra cama tarde, bolando quem pegar, e como. Hoje, com tantos aparelhinhos nos distraindo, o evento está caindo em desuso. Ou estamos perdendo a criatividade. Há várias versões das origens do dia dos tolos, portanto pesco na Internet a que mais me agrada. Ou a que considerei mais plausível.

Depois de intensas pesquisas, um professor da Universidade de Boston, em Massachusetts – onde minha neta se prepara para ser médica – encontrou uma versão até então ignorada. O dia dos tolos começou no reinado de Constantino, quando um grupo de bobos da corte disse ao imperador que eles poderiam administrar Roma melhor que ele. Constantino achou a ideia tão engraçada que nomeou um dos palhaços, chamado Kugel, rei dos romanos por um dia.

Um parenteses aqui para lembrar que Constantino criou Constantinopla, que foi capital do Império Romano; do Império Bizantino, também chamado Império Romano do Oriente; do Império Latino; e quando tomada pelos turcos, do Império Otomano. Na Idade Média, Constantinopla foi a maior e mais rica cidade da Europa. Nesse primeiríssimo primeiro de abril, Kugel determinou que o povo fizesse coisas absurdas. A brincadeira agradou e se tornou um evento anual, que depressa se espalhou pelo resto do mundo.

Essa explicação foi publicada em vários jornais no dia primeiro de abril de 1983, e bem aceita nos meios acadêmicos. Levou uma semana para a Associated Press descobrir que a história foi inventada – eles haviam caído num primeiro de abril. Mas ninguém foi executado, porque essas pegadinhas nos jornais eram comuns em tempos antanhos. Uma das mais antigas e famosas ocorreu em Londres, em 1698, quando publicaram a notícia de que ocorreria na Torre de Londres a cerimônia anual da lavagem dos leões.

O povo acorreu para assistir, mas obviamente não havia leões sendo lavados. A brincadeira agradou tanto que o povo a adotou, e a cada primeiro de abril as pessoas avisavam outras sobre o evento, principalmente turistas e visitantes estrangeiros. E uma multidão se formava no local – os que iam para ver a lavagem dos leões, e os que iam para rir deles. Mas aí os espertinhos começaram a vender bilhetes para a cerimônia.

Mas abril, espremido entre o esplendor de maio e a suavidade de março, tem outros encantos
e foi eleito o mês da poesia! E ainda dizem que a vida está perdendo a poesia, ou que a lira poética esteja se extinguido. Digitando ‘poesia’ no Google.br, encontrei 71 milhões de resultados. digitando ‘Poetry’, surgiram 160 milhões. O que não significa que uns sejam mais poéticos que os outros. Para comemorar, encerro a coluna com um trecho do poema Motivo, de Cecília Meirelles: “Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”.

Entre sustos e suspresas

Entre sustos e suspresas

Causou espanto a notícia de que a próxima espécie em extinção no linguajar escrito é a exclamação. Coitada, tão empenadinha. Essa não, exclamam os puristas, enquanto os que com nada mais se espantam resmungam, Finalmente. Segundo o famoso tio que virou dicionário, “(!) um sinal de pontuação que se utiliza para assinalar uma interjeição, ou uma frase exclamativa, notadamente na expressão de sentimento ou emoção, admiração, surpresa, susto.

A língua falada, como sabemos por uso próprio, foi criada pelo povo e para o povo, que a mantém viva e mutante. Já a linguagem escrita foi elaborada em tubos de ensaio por monges eruditos fazendo penitência nos claustros, entendiados de ouvir sempre os mesmos pecados nas confissões – Êta povo sem imaginação. Tinham tempo de sobra e foram elaborando acentos, regras, um ponto, três pontos, com o fim específico de castigar os pecadores. Já o ponto-e-vírgula, o defunto trema e a crase foram inventados como diversão. Para eles, claro.

Mal falando e piormente escrevendo chegamos à era tecnológica, onde digitar é preciso e quanto mais rápido melhor. Portanto eliminando o incoveniente e o supérfluo. No banco dos réus está o famigerado ponto-de-exclamação, em vias de ser levado à forca, mesmo já vivendo de cabeça pra baixo. A defesa alega que fica bonitinho no final da frase, e quando o texto é fraco, acrescenta emoção. A acusação alega que seu uso é desnecessário – se alguém grita Ai meu Deus, sabe-se que está exclamando e não rezando.

Em efeito cascata, o ponto-de-interrogação está perdendo o sono, que nem figurão no Brasil – “Serei o próximo? Delaterei o ponto e vírgula”. Pois se digo, Quem é voce, desnecessário incluir o ponto contorcionista, a indagada pessoa sabe que faço uma pergunta. Tá sabendo que o ponto de exclamação será eliminado do vernáculo. Não. Impossível. Como vamos exclamar ou reclamar daqui pra frente. A acusação diz que por excesso de pontos e acentos muita gente abandona a escola e ingressa no sistema penintenciário. Ou larga bons livros no primeiro capítulo.

No caso das vírgulas, a acusação alega que cansam a leitura, mesmo sendo pausas para respirar. Mas quem lê alto hoje em dia? A defesa alega que, mesmo se algumas podem ser eliminadas sem prejuízo do texto, ou sem impedir que se advinhe quem é o assassino, casos há em que sem ela recebemos a notícia errada, a informação truncada ou o diagnóstico trocado. Morreu não, está vivo; Morreu, não está vivo. As mesmas palavras, escritas na mesma ordem, mas uma simples vírgula vai impedir que enterrem quem ainda não virou defunto.

Alegando clareza no texto e elegância de estilo, vamos distribuindo remanescentes dos hieroglifos aqui e ali, rezando para que se encaixem no espaço que lhes foi destinado, pelo menos a maioria deles. A premissa é, se você não sabe, quem vai ler sabe menos ainda, portanto, confie no seu instinto. Algumas vezes, porém, o bolo queima no forno. Na coluna Carta Enigmática (10 de março), parece que ninguém entendeu que estava me referindo ao filme Casablanca: Ilsa, Rick, Victor… Um bar, a estação de trem em Paris… Acho que faltou ponto de exclamação.

Sob o céu de Miami

IMG_0069
(Foto: Michel Sily, sem Photoshop)

Quando Fidel Castro tomou o governo de Cuba deu início à migração cubana para os Estados Unidos, mais precisamente, Miami aqui vou eu. Opção óbvia, pela proximidade geográfica e pelo clima. Entre os primeiros a chegar estava Juan Morales, com esposa e filha. Juan alugou um pequeno quarto e sala, comprou uns móveis usados, pôs a menina na escola pública e foi lavar pratos num restaurante, esperando o dia da volta – que nem nordestino em São Paulo, sempre sonhando em voltar pro Norte. Juan não estava sozinho; as primeiras levas de imigrantes cubanos tinham a mesma mentalidade – se adaptar como possível a uma vida temporária.

Um antigo costume americano, nas vésperas do Dia de Ação de Graças os patrões presenteiam os empregados com o peru para a tradicional ceia do Thanksgiving. Juan adorou, mas o presente lhe trouxe um problema – não havia na casa uma travessa suficientemente grande para servir o peru. Não ficaria bem esquartejá-lo, uma vez que o irmão viria de Nova York com a família para os feriados. Portanto, Juan Morales foi às compras, e encontrou uma travessa compatível com o tamanho do galináceo de honra de seu jantar. Tudo correu melhor que o esperado, mas terminados os festejos, Juan depara com outro problema – onde guardar a grandiosa travessa no exíguo apartamento?

Tal como o Sr. Morales da nossa história, todos os cubanos na América esperavam a situação em Cuba se normalizar para fazerem a viagem de volta, se não queriam deixar nada para trás. Mas a história escreveu diferente, e a vida do Juan foi mudando – arranjou um emprego melhor, a esposa começou também a trabalhar, a filha estava se adaptando bem na escola, e o armário da cozinha não tinha espaço para a imensa travessa que deveria sustentar o peru do próximo ano. Juan Morales ficou uma noite sem dormir, e no dia seguinte tomou uma decisão que mudou sua vida – tirou do banco as economias acumuladas para recomeçar a vida na pátria amada e comprou um terreno. Com a ajuda de amigos conterrâneos contruiu uma casa com três quartos e uma cozinha grande o suficiente para abrigar um bom armário, onde guardou a travessa do peru e mais um belo jogo de mesa completo – 130 peças, doze de cada tipo – que comprou por 12 dólares numa liquidação.

No segundo Thanksgiving que a família passou na Flórida, a casa estava pronta, com dois andares, murada e com piscina. Tal como o Sr. Morales, os outros cubanos foram entendendo que mesmo se a situação política e econômica na ilha mudasse, lá nunca teriam a vida que tinham aqui. As razões de cada um variaram – uma simples travessa que precisa de um armário maior, um filho que nasce, uma filha que se casa com um gringo, um negócio que começou do nada e de repente vai de vento em popa – aos poucos os cubanos aceitaram que nunca fariam a viagem de volta. Portanto, bateram estacas e criaram raízes, e nesse processo dominaram e mudaram o sul do país.

O próximo jogo de pratos comprado tinha 90 peças – 8 de cada – que para Juan simbolizava sua adaptação a uma vida imposta. Um furacão destruiu a casa e outra maior foi erguida, a cozinha também crescendo para mostrar o sucesso dos Morales, agora com a filha já trabalhando. Mas o jogo de pratos comprado desta vez tinha 50 peças – 4 de cada – indicando também como as famílias estavam encolhendo. A primeira travessa comprada pelo Morales, no entanto, continuou ocupando o lugar de honra do armário, e Juan agora repetia para os netos, “Nunca se esqueçam que tudo começou com essa travessa”. Que hoje está pendurada, ou melhor, entronizada, na parede da sala da filha, que tal como seus pais, nunca mais voltou a Cuba.

Carta enigmática

A carta enigmática
casablanca

Quando foi retirar contas e junkmails da caixa do correio, Ilsa leva o primeiro susto – uma carta! A não ser cobrança, ninguém mais recebe cartas hoje em dia; amigos e conhecidos se comunicam de forma mais civilizada, por emails, mensagens de texto, Facebook, Messenger, WhatsApp, Instagram, as chamadas sete maravilhas da idade tecnológica. No entanto, não mais que de repente, uma carta se mistura ao excesso de propaganda enganosa na caixa que o agente dos correios insiste em superlotar diariamente. Essa gente não descansa?

Mas aí, no meio do caminho aparece uma carta. O nome e endereço estão corretos, não deixando dúvidas sobre quem é a destinatária. Mas não há indicação de remetente, falha que os correios deveriam proibir, evitando muitos transtornos. Podemos abrir uma conta bancária, mesmo apenas para depositar ou receber o mínimo, sem Identidade e CPF? Entramos no avião para Miami sem passaporte? O voto é obrigatório, mas votamos sem tirar o título de eleitor?

Resta apenas uma pista: o selo. Ilsa examina minuciosamente esse pedaço de papel impresso, que embora minúsculo tem dons milagrosos – sem ele a carta não viaja. Alguns deles hoje descansam em redomas de vidro dos museus, mas esse que permitiu a essa estranha carta chegar às mãos da destinatária é dos mais insignificantes. Ou seja, foi reduzido a um simples carimbo, onde consta apenas a cidade e o estado. Para encurtar o suspense, Ilsa rasga nervosamente o envelope…

“Querida Ilsa, o trem chegou na gare e você não estava lá, como combinamos. Dá pra entender? Você não mandou explicações, e sua frívola atitude trará sérias consequências para todos. Além de viajar sozinho, perdi também o valor da sua passagem, que não foi barata nem fácil de obter, como você bem sabe. Eu que sempre fui um sujeito bom-caráter e responsável, diria até patriota, com sua ausência me transformei num Hulk social, ou seja, um indivíduo moralmente feio, cínico, indiferente aos eventos que andam rolando por aí. Você sabe quais são.

Ou seja, me transformei num canalha. Talvez um dia nos encontremos, só o destino decide. Talvez você se case com outro mais digno de sua dedicação, ou até já fosse casada e não me contou (PS: Ouvi uns rumores sobre um certo Victor, mas não acreditei, ingênuo que fui). Talvez eu compre um bar com o dinheiro que economizei para investir no nosso casamento. De qualquer forma, e apesar do chute, pelo menos em sonhos continuarei de olho em você, garota! Eternamente seu, Ricardo (Rick para os íntimos).

Ilsa lê e relê a carta, sem entender patavina, se é que tal palavra já não está extinta e enterrada com os alfarrápios ilustrados. Sou Ilsa, isso é certo, mas quem é Ricardo, ou Rick, esse bom sujeito que mudou de personalidade só porque peguei o trem errado, sem saber que alguém, o remetente dessa estranha carta – tinha as melhores intenções de se casar comigo… ou de comprar um bar, não entendi bem essa parte. Em qual local e quais bebidas pretende vender, não poderia ser mais específico?

A carta vai pro lixo, junto com o manancial de papel impresso que Ilsa rcebe e não lê, mas perde muita coisa por esse desinteressse. Como o fato do Uber estar entregando refeições do McDonald na sua porta, por uma taxa módica, ou que um novo bar foi inaugurado perto de sua casa. O dono, um certo Rick, sujeito frio e cínico, vende uísque fabricado com cereais não orgânicos, indiferente aos danos que essas plantações causam ao meio ambiente.

Algo de novo no ar

planeta

Finalmente acharam algo de novo no ar além de jatinhos levando políticos para suas bases. Eu sei, todos já sabem que os exoplanetas estão girando por aí; talvez não estejamos sós nesse deserto estelar com alguns trilhões de astros e planetas em constante expansão, até voltarem a se contrair, feito um ioiô cujas proporções estão muito além do nosso medíocre entendimento. Até agora, são 41 planetas em 20 sistemas estelares, e a gente nem desconfiava.

Passada a euforia das primeiras notícias, porém, uma questão mais profunda se alevanta – e depois? Segundo aprendemos nos livros de história, houve um tempo em que o mundo terminava na costa leste do Oceano Atlântico, esse que nos abençoa com lindas praias, até que um dia um certo Cristóvão Colombo fez a grande descoberta: “Encontramos outro continente até então ignorado! E talvez haja outros…” Não foi bem assim, mas foi o resultado final. Houve grande regozijo nas cortes europeias, não exatamente por amor à humana raça, mas pelas possibilidades de riquezas.

Deu no que deu: dominamos essas terras a preço de sangue e lágrimas, e receio que isso venha a se repetir em cósmicas proporções. Ou a vida imita a arte: no filme Avatar, achado outro planeta, a invasão e exploração foram inevitáveis. Consequentemente, a destruição. Vivemos em círculos, visto que moramos numa bola giratória, repetindo as experiências do passado. George Bernard Shaw avisou, “Aprendemos com a história que nada aprendemos com a história”.

Pelos exemplos da história, caso haja vida inteligente em alguns desses planetas, e se conseguirmos viajar até eles, as guerras de conquista das Américas podem se repetir, mas qual vai invadir qual eis a questão – eles cá ou os terráqueos lá? Winston Churchill, que comandou o domínio e exploração dos ingleses na India, disse, “Quem não aprende com a história está condenado a repeti-la”.

Ao invadir a Rússia, Hitler não aprendeu com a derrota de Napoleão. O que é bem explicado por Albert Speer no livro Inside he Third Reich: “Hitler nada sabia sobre seus inimigos e até se recusava a usar as informações disponíveis para ele. Ao contrário, confiava em seus instintos, não importa o quanto fossem contraditórios”. Naturalmente, cada megalomaníaco se acha melhor e mais inteligente que os anteriores; ou cada novo ditador ignora os erros dos anteriores. Hitler tirou a Alemanha do caos e transformou-a numa potência. Ficasse quieto em seu canto, poderia ter tido uma longa vida e deixado o país inteiro.

Soube recentemente que a Alemanha de hoje é o único país que ensina nas escolas, desde os cursos primários, os erros políticos do passado. Algum país colonizador hoje reconhece ter cometido genocídio em nome do cristianismo e no interesse dos seus monarcas? S.M. Singerson disse, “Uma nação que não consegue lembrar adequadamente os pontos mais importantes de sua própria história é como uma pessoa com Alzheimer. E essa pode ser uma doença social muito mais destrutiva”.

Mas vamos esquecer os exemplos do passado e ser otimistas – que pelo menos um desses longínquos planetas seja mais pacífico e mais justo que o nosso, e já tenha descoberto remédios para todas as doenças porque não desperdiçou a maior parte de seu orçamento em armamentos. Um país que nos ensine a viver em paz. É sonhar demais? Talvez sim, mas enquanto não chegarmos a eles, não saberemos. E mais uma vez ignorando os exemplos do passado, esperemos que Platão estivesse errado quando disse, “Só os mortos viram o fim da guerra”.