Medo de avião

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Conheço muita gente que tem medo de avião, JC é o único que pode dizer que os aviões têm medo dele. E falo sério! JC já perdeu muitos negócios importantes, conecções difíceis de trocar, até amores, porque quando chega no aeroporto o avião que devia estar parado na pista, esperando por ele, já desliza  sbre trilhos de nuvens e as atendentes de bordo fazem as habituais instruções de segurança.

 

Nem sempre a culpa é do trânsito ou do mau tempo. JC consegue perder voos importantes porque demora a achar um banheiro ou porque vai para o portão errado, ou porque tem que comer alguma coisa antes. E não poucas vezes dormiu no setor de embarque. As atendentes da companhia aérea garantem que chamaram o nome do passageiro várias vezes e até esperaram alguns minutos, mas claro que JC refuta essa teoria, garantindo que o avião saiu antes da hora prevista. Já aconteceu várias vezes.

 
Essas eventualidades ocorrem com frequência, mas uma houve que ficou marcada para sempre no curriculum de JC. A empresa o enviou para fechar um grande negócio, envolvendo milhões de dólares e, por incrível que pareça, JC conseguiu pegar o avião antes que ele fugisse. Mas não chegou ao destino, e o concorrente no empreendimento abocanhou o negócio. Humilhante, mas pior foi ouvir o longo discurso recriminatório do patrão, que ignorou ou não aprovou as razões expostas.

 
Não que isso fosse abalar a estrutura da empresa, absolutamente, que é sólida e bem conceituada no mercado internacional. Perder algumas batalhas faz parte de qualquer guerra, e no mundo das  grandes transações guerras não faltam. Nem esse incidente pôs em risco sua posição ou seu salário; afinal, já estão acostumados, e se ainda o mandam fechar grandes negócios é, ou porque conhecem sua capacidade ou porque é o filho do patrão.

 
O chato foi perder um negócio que envolveu muita gente e muito dinheiro, mas na vida tudo tem duas faces- yin-yang – e se tudo deu errado comercialmente, na área emocional não poderiam ter sido mais compensadoras. Tudo porque, por obra do acaso ou do destino, senta-se a seu lado uma garota que tem medo de avião. Não dizem por aí que os opostos se atraem? A garota que tem medo de avião encontra o rapaz de quem os aviões andam fugindo!

 
Vendo a seu lado uma jovem nervosa, suando frio, JC tenta ser simpático – Não se preocupe, que se cair do chão não passa! Piadinha infeliz, que aí a garota desmontou de vez, tremendo e com falta de ar. “Eu queria vir de ônibus, mas todo mundo insistiu que eu precisava enfrentar minhas fobias. Primeira e última vez, se é que sobrevivo!” Que nem naquela estranha canção, foi por medo de avião que ele pegou na mão de Lizzy. E o resto é história…

 
Linda de encantar, e ele tenta acalmá-la, falando suavemente em seu ouvido. Se ele faria isso com uma garota feia, jamais saberemos.  “Feche os olhos e respire fundo, isso… esquece que está nas nuvens e pense em algo agradável… seu namorado, por exemplo”. Ela sussurra que não tem namorado, e ele sugere marido ou noivo ou ficante… qualquer um serviria nesse momento. E enquanto ela diz não a todas as opções, ele vai se sentindo nas nuvens, literalmente.

 
Na primeira escala ela se levanta, “Não dá, desembarco e pego um ônibus”. JC é um cavalheiro, e não ia deixar a garota sozinha, portanto, sai com ela. E como um alto executivo jamais chegaria a uma importante reunião de negócios cavalgando um ônibus, ele aluga um carro e vão juntos para o mesmo destino  –  tanto a cidade como a vida.  Como foi dito, as forças contrárias do yin yang atuaram –  JC perdeu um bom negócio e achou um grande amor. Mas se agiria assim se corresse o risco de de perder o emprego, jamais saberemos.

 

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