Imprescindivel sonhar

Imprescindível sonhar

BAHIA2

Grupo Balé Folclórico da Bahia, North America Tour 2017

(As mãos para o alto foi apenas coincidência)

 

A dramática situação vivida pelos capixabas, um quase estado de guerra, se parece muito com a situação vivida aqui na época dos furacões. No nosso caso, ficamos prisioneiros das intempéries, que não se sabe por quais caprichos, tornaram-se visitantes habituais, indesejados que nem os imigrantes mexicanos para Trump. Também por motivos não especificados pelas leis climáticas, sumiram sem deixar saudades.

 

Nos piores cenários, um furacão traz o mesmo transtorno que essa greve provoca: ficamos presos em casa por tempo indeterminado, com escassez de alimentos, sem eletricidade e com águas contaminadas, carros parados pelo perigo de sair de casa por causa de ruas alagadas ou cheias de entulhos, e por falta de combustível. Vivemos isso na tragédia Wilma e Katrina, dois dos maiores furacões que nos atingiram. E apareceram quase ao mesmo tempo, o que também foi inusitado.

 

Se não conseguimos ainda entender a humanidade, como entender o clima? Dirão os apavorados capixabas, Nossa situação é pior, porque estamos assolados por bandidos. Mas em Nova Orleans, com toda a tragédia pós catástrofe ecológica, abriu-se a caixa de Pandora, com saques, assaltos e assassinatos. Os ricos, as autoridades e a polícia se mandaram, deixando os pobres e desvalidos à mercê da má sorte.

 

Acompanho os fatos em Vitória, que parecem estar se alastrando feito epidemia por outros estados, e me envergonho dos humanos que, tendo uma chance,  tranforman-se em animais selvagens. Nem todos, nem todos. Temos ladrões aos borbotões, tanto diplomados como de pé no chão mas os honestos são maioria, e mesmo massacrados e explorados, vão em frente, suportando com admirável bom humor e criatividade o que de pior tem-lhes sucedido. Rir da própria desgraça é arte refinada.

 

E no entanto é imprescindível sonhar – que algum dia derrubaremos as grades das janelas e as trancas das portas, e andaremos tranquilos por ruas desertas a qualquer hora do dia ou da noite, porque todos terão segurança e boa qualidade de vida; que teremos governos sérios que não deem razões para situações como essa se repetirem. Enquanto isso não acontece, talvez criem leis que proibam a paralização total de atendimento público essencial nos hospitais e na polícia.

 

Mas assaltos acontecem em qualquer tempo e lugar, mesmo se a gente faz novena e sonha acordado. O show do Bon Jovi, essa semana em Miami, tem cadeiras vendidas a seis mil dólares! São 100 lugares privilegiados, e apenas um ainda está disponível. Portanto, quem puder e gostar muito do bom Jovi, ainda dá pra pegar um avião… se é que esses também não estão parados, com medo de assaltos e sequestros.

 

E furacão também pode ser coisa boa. No caso, o show do Balé Folclórico da Bahia, que fui ver e me encantou. A energia, o colorido e a alegria dos participantes atingiu a plateia como um furacão. Todos se levantaram e dançaram com eles, brasileiros e americanos, bem mais daqueles que desses, infelizmente. Terminado o show, a turma saiu dançando e fez o maior carnaval na entrada do teatro. Valeu Bahia.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *