Algo de novo no ar

planeta

Finalmente acharam algo de novo no ar além de jatinhos levando políticos para suas bases. Eu sei, todos já sabem que os exoplanetas estão girando por aí; talvez não estejamos sós nesse deserto estelar com alguns trilhões de astros e planetas em constante expansão, até voltarem a se contrair, feito um ioiô cujas proporções estão muito além do nosso medíocre entendimento. Até agora, são 41 planetas em 20 sistemas estelares, e a gente nem desconfiava.

Passada a euforia das primeiras notícias, porém, uma questão mais profunda se alevanta – e depois? Segundo aprendemos nos livros de história, houve um tempo em que o mundo terminava na costa leste do Oceano Atlântico, esse que nos abençoa com lindas praias, até que um dia um certo Cristóvão Colombo fez a grande descoberta: “Encontramos outro continente até então ignorado! E talvez haja outros…” Não foi bem assim, mas foi o resultado final. Houve grande regozijo nas cortes europeias, não exatamente por amor à humana raça, mas pelas possibilidades de riquezas.

Deu no que deu: dominamos essas terras a preço de sangue e lágrimas, e receio que isso venha a se repetir em cósmicas proporções. Ou a vida imita a arte: no filme Avatar, achado outro planeta, a invasão e exploração foram inevitáveis. Consequentemente, a destruição. Vivemos em círculos, visto que moramos numa bola giratória, repetindo as experiências do passado. George Bernard Shaw avisou, “Aprendemos com a história que nada aprendemos com a história”.

Pelos exemplos da história, caso haja vida inteligente em alguns desses planetas, e se conseguirmos viajar até eles, as guerras de conquista das Américas podem se repetir, mas qual vai invadir qual eis a questão – eles cá ou os terráqueos lá? Winston Churchill, que comandou o domínio e exploração dos ingleses na India, disse, “Quem não aprende com a história está condenado a repeti-la”.

Ao invadir a Rússia, Hitler não aprendeu com a derrota de Napoleão. O que é bem explicado por Albert Speer no livro Inside he Third Reich: “Hitler nada sabia sobre seus inimigos e até se recusava a usar as informações disponíveis para ele. Ao contrário, confiava em seus instintos, não importa o quanto fossem contraditórios”. Naturalmente, cada megalomaníaco se acha melhor e mais inteligente que os anteriores; ou cada novo ditador ignora os erros dos anteriores. Hitler tirou a Alemanha do caos e transformou-a numa potência. Ficasse quieto em seu canto, poderia ter tido uma longa vida e deixado o país inteiro.

Soube recentemente que a Alemanha de hoje é o único país que ensina nas escolas, desde os cursos primários, os erros políticos do passado. Algum país colonizador hoje reconhece ter cometido genocídio em nome do cristianismo e no interesse dos seus monarcas? S.M. Singerson disse, “Uma nação que não consegue lembrar adequadamente os pontos mais importantes de sua própria história é como uma pessoa com Alzheimer. E essa pode ser uma doença social muito mais destrutiva”.

Mas vamos esquecer os exemplos do passado e ser otimistas – que pelo menos um desses longínquos planetas seja mais pacífico e mais justo que o nosso, e já tenha descoberto remédios para todas as doenças porque não desperdiçou a maior parte de seu orçamento em armamentos. Um país que nos ensine a viver em paz. É sonhar demais? Talvez sim, mas enquanto não chegarmos a eles, não saberemos. E mais uma vez ignorando os exemplos do passado, esperemos que Platão estivesse errado quando disse, “Só os mortos viram o fim da guerra”.

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