Meu dia, seu dia

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Dia dos colunistas

Fechando com chave de ouro o mês de junho e a metade de mais um ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, dia 26 comemoramos o dia do colunista de jornal. Portanto, eu, portanto nós, todos esse incansáveis fabricantes de palavras e semeadores de ideias, que com ambas o mundo segue em frente. O que seria de tantas culturas diversas e distintas se palavras e obras não fossem amplamente divulgadas e cultivadas?

 
Quantas injustiças se consumaram quando palavras e ideias foram ( e em muitos lugares ainda são) de alguma forma controladas ou censuradas. Pássaros que exigem espaço amplo e asas soltas para livremente se expressarem, uns com mais sucesso ou mais sorte que os outros, uns muito aplaudidos outros ignorados, uns bem pagos outros nem tanto, se tanto. Tem mais wandas que Paulos e Antures, mas se fôssemos todos a uma convenção de divulgadores de pensamentos, teríamos no crachá a mesma ocupação: colunista de jornal.
 

Hmm, pensando assim, me sinto quase uma Lya Luft, com o direito de sentar no mesmo recinto e usar da palavra. Engraçada essa expresão, usar da palavra. Pois não a usamos todos nós, diariamente, para tudo e com todos? A não ser os mudos e eremitas, todos usam a palavra para expressar pensamentos palavras e obras, tanto na forma oral como escrita e até mesmo com expressões corporais.

 
Hoje saio mais cedo do trabalho e rabisco uma breve nota para o carteiro: Favor deixar a correspondência na sala ao lado. Mesmo se não nos vemos, houve aí uma comunicação e transmissão de ideias. Pego o telefone para avisar que me ausento mais cedo, e no número digitado me vem a mensagem: Favor deixar seu recado. O que faço a seguir, portanto, houve também uma comunicção virtual, embora as duas pessoas envolvidas não se encontrassem.

 
Saio de fininho mas a colega que se mete em tudo me olha enviezado, como a dizer, Saindo cedo outra vez? Envio-lhe de volta um olhar bumerangue, que significa, Não é da sua conta. Portanto, embora não tenha havido uma comunicação verbal entre nós, ambas transmitimos opiniões e ideias com uma simples piscadela. Ou duas. As mensagens foram transmitidas e entendidas, pois como diz o vulgo, um olhar vale mais que mil palavras.

 
Usar da palavra, portanto, é um dom de todos, embora uns tenham mais dons que os outros. Se usar da palavra para transmitir um simples bom-dia não faça ninguém ter tremedeira e suar frio, usar da mesma palavra numa assembleia que comemora o dia do colunista, mesmo para uns poucos gatos-pingados no auditório, para muitos essa tarefa é mais difícil que completar as doze tarefas do Hércules, depois ampliadas para 14. Sem aviso prévio, alteração de contrato ou reajuste salarial.

 
Os estatísticos garantem que tem mais gente com medo de usar da palavra do que de morrer. Fácil de entender, porque ninguém gagueja e dá vexame na hora de morrer. Até os infelizes mandados para o cadafalso, mor das vezes inocentes, eram drogados antes, para não dar vexame ou criar problemas para o carrasco. E tinha um monte de gente que ia assistir, mas pudera, nesse tempo não existia, televisão, cinema, circo, teatro, facebook, joguinho no celular… ver alguém perder a cabeça era a coisa mais interessante que acontecia.

 
Nada disto, porém, diminui ou deprecia o valor do colunista de jornal, esse semeador de ilusões e realidades em doses homeopáticas, uma pitada de sal e uma pitada de açúcar, para o bem de uns e desgosto de outros. Ou nem tanto, pois o que realmente importa é a liberdade de expressarem o que acham importante e necessário, triste ou engraçado, benéfico ou prejudicial. Que nos julgue o leitor.

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