Halloween diet

fca4ce85-0b3b-4b59-b288-0ab3d781338a-1024x789Quando desconfiam que alguma mercadoria vai faltar, todos correm para armazenar para o futuro imediato. Basta um boato de um banco quebrar e todos correm para retirar seu dinheiro; quando avisam que o preço da gasolina ou do álcool vai subir, correm todos para encher o tanque, embora nem dê tanta diferença assim. E isso vale para tudo, como nas ameaças de furacão. Mesmo assim, causou espanto a notícia de que houve um grande aumento nas vendas de armas de fogo depois dos trágicos eventos em Las Vegas. Querem estocar antes que proibibam as vendas, a) para vendê-las depois com o preço triplicado; b) para usá-las num próximo ataque?

 

 

A mania americana de comprar armas combina bem com a principal atração de outubro – o Halloween, que é festa de horrores e pesadelos. O mês mal começou e os apressadinhos já nos divertem decorando as portas com caveiras e esqueletos, bruxas, fantasmas e tumbas com o tradicional R.I.P., que quer dizer descanse em paz. A televisão nos bombardeia com filmes apropriados para a data, ou seja, de terror.

 

 

Mas ao invés de assustar, o Halloween faz a alegria das crianças e dos fabricantes de balas, mesmo nesses tempos de excesso de peso, guerra ao açúcar e refrigerantes diet, que como dizem os entendidos, só os gordos tomam. Minha filha reclama da quantidade de balas que vai ter que comprar antes que os estoques se esgotem, e pergunto por que não dar algo mais saudável e diminuir a epidemia de obesidade que aflige a nação, Que tal lançar a moda do Halloween-diet?

 

 

Ela me olha como se eu tivesse acabado de desembarcar de um foguete espacial, Porque fica muito mais caro. Então é isso, balas em profusão porque com tantas crianças – e adultos – batendo na porta, as balas deixaram de ser uma tradição e se tornaram a opção mais barata. Agora imagina se o governo, preocupado com a saúde da população, proibisse a distribuição de balas no Halloween. Compraríamos nossos estoques com meses de antecedência ou cairíamos nas mãos dos contrabandistas de balas, que as venderiam a preços exorbitantes?

 

 

A recente correria para a compra de armas e munições é por temerem a proibição, que tal como aconteceu com a lei seca no passado, desencadearia a ação dos contrabandistas. Como a chamariam, lei da bala? Tudo porque, quando chacinas como essa acontecem – e com que frequência estão acontecendo – a pressão dos grupos pró-desarmamento ganha força. Mas dificilmente conseguiriam vencer com Mr. Trump no governo. Pró-violência.

 

 

Falando em balas não podemos esquecer da nossa especialidade, as balas perdidas, que como diziam no tempo em que um fio de barba valia como documento, quando vejo a barba do vizinho arder ponho a minha de molho. Justamente agora, quando as barbas voltaram à moda. Quem diria. Resta torcer para que retorne também a seriedade daqueles idos, quando a palavra empenhada era lei – Não fechou a transação ainda? Cancela e pago o dobro. Não posso, já empenhei minha palavra e sacramentei com um fio da barba.

 

 

Nem terminei a coluna lembrando à humanidade que o Halloween está no ar, abro a porta e vejo que a vizinha em frente já esparramou as luzinhas de natal no jardim. Aposto que é a primeira do país. E olha que nem retiramos ainda os protetores de furacão, e para sondar o que vai pela vizinhança tenho que abrir a porta: as janelas estão lacradas. O que é estranho – lá fora brilha o sol mas em casa reina a penunbra da noite.

 

 

E tudo parece combinar bem – Halloween e furacões ainda no ar, balas e balas em noites de terror. No entanto, a origem do Halloween era exatamente espalhar figuras de monstros e caveiras para afastar as bruxas. O que era amedrontador virou festa, e as festas estão virando pesadelos. Ao invés de evoluírmos estamos involuindo, e as bruxas, por mais que a gente reze, continuam soltas.

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