Nós, fantoches

Image result for Internet

Uma chuvinha incessante atrapalha a programação do fim de semana e nos deixa sem Internet. Isso no sábado, quando os netos passam o dia, às vezes também a noite, com pizza obrigatória. E para comprovar nossa total e absoluta dependência da alta tecnologia, ficamos num barco sem remo e sem rumo – sem televisão, telefones celulares e fixo, joguinhos eletrônicos, e-mails, Netflix, HBO; e tudo mais que se conecta nas ondas virtuais. A turminha parece formiga que perdeu o caminho do formigueiro, se é que isso pode acontecer.

 

Ofereço meus dons criativos para contar uma história – aos netos, não à formiga. Era uma vez um tempo em que eles adoravam, desde que fossem os protagonistas principais. Mas neste sábado com cachoeiras escorrendo pelos vidros das janelas, a resposta é Não obrigado. Então vamos ler um livro, Não obrigado, já lemos os livros do mês na escola. E aí fico pensando se o tiro não está saindo pela culatra, e ao invés de estimular o hábito da leitura, as escolas estão tornando-o uma obrigação. Portanto, Não obrigado. Mas o mundo já girava antes da explosão virtual e sempre há o que fazer sem estar conectado a algum fio.

 

Com os festejos do Halloween ainda recentes e o excesso de balas ainda entulhando potes e cestos, sugiro escreverem uma história de fantasmas em homenagem ao Dia de los Muertos dos mexicanos. Não foi assim que Mary Shelley bolou o Dr. Frankestein? Ficaram famosos, e nem existia o Kindle. Mesmo feio de cara e péssimo de caráter, desenvolvendo hábitos assustadores, no próximo ano nosso monstro favorito completa  200 aninhos.

 

Espalho sobre a mesa pincéis e tintas, lápis de todas as cores e crayons ídem, uma pilha de papel branco como sorvete de coco, e nada funciona além das frequentes visitas à geladeira. Até que finalmente faz-se a luz, ou melhor, a rede ressuscita. E se tudo está de algum modo conectado nas nuvens como fios invisíveis movendo fantoches, fico imaginando um futuro distópico, talvez não muito distante, em que tudo estará subordinado a essa nova força motriz que nos controla – Dona Internet.

 

Para dor de cabeça ou  mal de amor, para veias entupidas onde outrora o sangue fluía, para o Parkinson e a calvície, chegará o tempo em que a Internet que nos mantém catatônicos na frente de telinhas e telonas vai curar todos os males e resolver todos os problemas. O carro não precisa de gasolina, o fogão dispensa o gás, a comida não tem calorias. Dela virá a energia que faz motores, elevadores e computadores funcionarem, que clareia a escuridão e controla os sinais de trânsito. Hospitais sem médicos, tudo robotizado, da consulta à cirurgia.

 

Exagero? Uma pesquisa recente entre adolescentes apurou que 63% dos jovens consultados disse que não viveriam sem seus celulares; 30% disse que o mundo tornaria o caos; e a minoria restante disse que a vida perderia a graça. E falando em caos, um recente estudo apurou que a maioria dos jovens viciados em drogas vêm de famílias com bom poder aquisitivo e com as melhores notas nas faculdades. Também são os que continuam no vício depois dos 26 anos. O estudo foi feito nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *