Quem quer dinheiro?

Money

Não sei a razão ou o motivo, mas hoje resolvi escrever sobre dinheiro. O alheio, claro, que o meu não daria para escrever duas linhas. Mas não sei por qual razão ou motivo, com a matéria já escrita e revisada, decidi não dissecar as banalidades do vil metal. Vil, no caso, é uma clssificação injusta, uma vez que o dinheiro propriamente dito nunca fez mal a ninguém. Seria o mesmo que ofender a bala, que não mata por vontade própria.

 

Não sei porque temos essa atração pela vida e obra, mais precisamente pelos detalhes pessoais ou escabrosos dos ricos e famosos. Vejo no jornal duas notícias estampadas lado a lado na primeira página : 1 – Bill Gates tropeça no meio fio e cai quando visita o Rockefeller Center; 2 –  Funcionária do Walmart escorrega numa casca de banana e cai dos 102 andares do Empire State Building. Qual das duas notícias você vai ler primeiro?

 

Mesmo reconhecendo que a segunda notícia é mais instigante – Caiu como, tinha seguro, morreu, sobreviveu? Escorregou ou alguém empurrou? – vamos dar uma olhadinha primeiro na primeira notícia, porque o Walmart tem mais de um milhão de funcionários, enquanto os bilionários do mundo são apenas 1.500. A maioria deles, ou seja, 563 , são americanos, mas o grupo da Ásia ameaça superá-los em apenas quatro anos. Vamos aguardar.

 

Se as pessoas que mais nos interessam são as mais ricas, então tem mais gente interessante nas notícias citadas acima, e o mais rico não é o Bill. John D. Rockefeller, que construiu o Rockefeller Center, sobe ao pódio como o americano mais rico de todos os tempos. Outro bilionário participando nessa história, embora indiretamente, é o dono do Walmart, Sam Walton. Mas não se apresse em concluir que o americano mais rico de todos os tempos é também o homem mais rico do mundo.

 

Deu na Forbes: Mansa Musa I, de Mali, um rei africano do Século XIV, é o homem mais rico de todos os tempos. Com o ajuste da moeda para os valores de hoje, o africano acumulou 400 bilhões. O segundo lugar na lista ficou pobre. Mas sempre se fica com a pulga atrás da orelha, como se dizia no tempo dos mercados das pulgas, quando os mais ricos são cabeças coroadas, ou filhos/filhas deles. Questão de privilégios ou desvios, ou as duas coisas juntas. Somos especialistas no assunto.

 

Vamos dar uma olhada na queda do Walmart, ou melhor, da funcionária que deu azar em dobro: primeiro, por cair, segundo, cair na mesma hora do Gates. Pobre não tem vez mesmo. Joana Mirenes, porto-riquenha, três filhos pequenos, marido também funcionário do Walmart, quer dizer, também mal pago. Com sorte caiu sobre o toldo na entrada do prédio, tal como acontece nos filmes de ação, quebrou duas costelas e passa bem. O Sam lhe mandou uma cesta de frutas, sem bananas.

 

O que nos intriga nessa notícia não é o Bill Gates ir assistir ao acender das luzes da famosa árvore de natal do Rockefeller Center, bem no meio do povão, mas a Joana estar visitando o Empire State, com a entrada custando 36 dólares. A notícia não esclarece, mas se Joana levou os três filhos, imaginem quanto gastou para subir num elevador e ver a vista. Se não quiser enfrentar uma longa fila, paga dobrado.

 

Quanto ao agora famoso Mansa, não o julguemos por desvios de verbas apenas porque era rei. Segundo consta, o africano era bonzinho, tendo construído muitos centros educacionais e mesquitas em toda a África. Outra boazinha e também frequentadora das listas de bilionários da Forbes, a apresentadora Oprah Winfrey diz numa entrevista que a fortuna não mudou seu modo de ser, “Mantenho os pés no chão, mas o sapato é mais caro”.

Parece que foi ontem

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O tempo passa devagar, quase parando, e os dias se empurram uns aos outros sem pressa de virar passado. E de repente, numa esquina qualquer, deparamos com os primeiros sinais de que esse ano no qual vivemos perigosamente acaba ali no fim do mês. Perigo, aliás, está na ordem do dia – para todo lado que se olha depara-se com uma possibilidade de desastre, seja uma bala perdida ou um maluco bem armado, um novo escândalo no Brasil ou um novo trumpismo nos States… Equilíbrio precário.

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Chegamos em dezembro? Mas parece que ontem mesmo falamos tudo isso sobre 2016! Os adornos natalinos já brilham nas portas e janelas, aos poucos sendo superados pelos bonecos de plástico cada vez maiores e mais iluminados, cada vez mais cafonas, se é que tal expressão já não morreu também, extirpada do vernáculo por ser de péssimo gosto. Chegou o novo iPhone da Apple e a próxima princesa da família real britânica entra na história por entrar na linha de sucessão, mesmo se vier outro irmão depois dela.

 

Há cem anos era 1917, e o cinema ainda não tinha criado a festa do Oscar para incrementar as bilheterias. Nem precisava, porque a televisão ainda não havia invadido os lares e a distração era mesmo ir ao cinema. O sucesso de então era Charles Chaplin, e mesmo tendo passado 36.500 dias, ainda não inventaram um comediante melhor. Ler era a palavra de ordem  e o Prêmio Nobel de Literatura já existia. Em 1917, o vencedor foi Henrik Pontoppidan, da Dinamarca. Já leu alguma coisa dele?

 

Não sei se foi lembrado no Brasil como deveria, mas esse ano Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro completou cem aninhos, sendo ainda  cantado por gente famosa e admirado pela plebe. Pergunto, houve fogos de artifício e badalar de sinos para comemorar? Um especial de TV com artistas famosos cantando juntos e doando o apurado para a preservação e glória da música popular brasileira? Cem anos? Mas parece que foi ontem…

 

E porque andei meio distraída, passou despercebido pela colunista o primeiro aniversário deste blog. Um ano? Mas  ainda nem sei lidar direito com a coisa. Para comemorar vou ao shopping, ou melhor, ao mall mais próximo da residência, e na loja âncora da direita deparo com a vizinha que teve um bebê recentemente, e a menina já está noiva. Como assim? Parece que foi ontem! A mãe ri, Na casa dos outros as crianças  crescem depressa.

 


Na loja âncora da esquerda encontro a Leda abraçada com um desconhecido, pelo menos para mim. Ela apresenta o bonitão como o atual ficante, e levo um susto, Outro? Você acabou de casar com o Ledo! Ela ri, Que nada, amiga, isso foi em 2016, e em menos de seis meses vimos que não ia dar certo. Insisto, Mas parece que foi ontem! e desta vez ela não ri, Pra você, porque pra mim pareceu uma eternidade. Tal e qual, ontem mesmo comemoramos a chegada de 2017, e lá vem Papai Noel outra vez.