Parece que foi ontem

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O tempo passa devagar, quase parando, e os dias se empurram uns aos outros sem pressa de virar passado. E de repente, numa esquina qualquer, deparamos com os primeiros sinais de que esse ano no qual vivemos perigosamente acaba ali no fim do mês. Perigo, aliás, está na ordem do dia – para todo lado que se olha depara-se com uma possibilidade de desastre, seja uma bala perdida ou um maluco bem armado, um novo escândalo no Brasil ou um novo trumpismo nos States… Equilíbrio precário.

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Chegamos em dezembro? Mas parece que ontem mesmo falamos tudo isso sobre 2016! Os adornos natalinos já brilham nas portas e janelas, aos poucos sendo superados pelos bonecos de plástico cada vez maiores e mais iluminados, cada vez mais cafonas, se é que tal expressão já não morreu também, extirpada do vernáculo por ser de péssimo gosto. Chegou o novo iPhone da Apple e a próxima princesa da família real britânica entra na história por entrar na linha de sucessão, mesmo se vier outro irmão depois dela.

 

Há cem anos era 1917, e o cinema ainda não tinha criado a festa do Oscar para incrementar as bilheterias. Nem precisava, porque a televisão ainda não havia invadido os lares e a distração era mesmo ir ao cinema. O sucesso de então era Charles Chaplin, e mesmo tendo passado 36.500 dias, ainda não inventaram um comediante melhor. Ler era a palavra de ordem  e o Prêmio Nobel de Literatura já existia. Em 1917, o vencedor foi Henrik Pontoppidan, da Dinamarca. Já leu alguma coisa dele?

 

Não sei se foi lembrado no Brasil como deveria, mas esse ano Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro completou cem aninhos, sendo ainda  cantado por gente famosa e admirado pela plebe. Pergunto, houve fogos de artifício e badalar de sinos para comemorar? Um especial de TV com artistas famosos cantando juntos e doando o apurado para a preservação e glória da música popular brasileira? Cem anos? Mas parece que foi ontem…

 

E porque andei meio distraída, passou despercebido pela colunista o primeiro aniversário deste blog. Um ano? Mas  ainda nem sei lidar direito com a coisa. Para comemorar vou ao shopping, ou melhor, ao mall mais próximo da residência, e na loja âncora da direita deparo com a vizinha que teve um bebê recentemente, e a menina já está noiva. Como assim? Parece que foi ontem! A mãe ri, Na casa dos outros as crianças  crescem depressa.

 


Na loja âncora da esquerda encontro a Leda abraçada com um desconhecido, pelo menos para mim. Ela apresenta o bonitão como o atual ficante, e levo um susto, Outro? Você acabou de casar com o Ledo! Ela ri, Que nada, amiga, isso foi em 2016, e em menos de seis meses vimos que não ia dar certo. Insisto, Mas parece que foi ontem! e desta vez ela não ri, Pra você, porque pra mim pareceu uma eternidade. Tal e qual, ontem mesmo comemoramos a chegada de 2017, e lá vem Papai Noel outra vez.

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