Entre Tonga e Samoa

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Mais um ano se esgota no calendário do tempo, chora o pessimista; mais um ano que chega, regozija-se o otimista. Com sorte, suor e um bom gene ganhamos mais 365 dias para vencer os obstáculos de  2018 e chegar a 2019 – 12 meses, 51 semanas, 8640 horas, que se esgotarão com a rapidez do piscar das luzinhas do extinto natal. O presente que ganhamos a cada novo ano é esquecer as pedras do caminho, renovando as mesmas esperanças para a próxima jornada.

A entrada de um novo ano é comemorada em quase todo o mundo há mais de 4 mil anos, mas se nosso esférico habitat tem horários tão diversos, onde 2018 vai chegar primeiro? A pequena ilha de Tonga, no Pacífico,  vai receber o Ano Novo quando o Big Ben em Londres bater as 10 da matina. Já os últimos suspiros de 2017 soarão nas pequenas ilhas americanas Baker e Howland ao meio dia de primeiro de janeiro. Mas não pegue um avião para terminar o ano por último, pois não vai ter festa: essas ilhas não são habitadas. Mas você pode comemorar em Samoa, o último lugar com gente para festejar o evento. A ironia dos nossos fusos horários é que  Samoa fica a uns mil quilômetros de Tonga, onde a festa já acabou há muito tempo.  

Procurando no Google os melhores lugares do mundo para comemorar a chegada de 2018, deparo com a Praia de Copacabana nos primeiros lugares das listas. “Embora o Rio seja mais conhecido por seu carnaval, a comemoração de Ano Novo chega perto no segundo lugar. A famosa Praia de Copacabana tem a maior e mais selvagem festa de Ano Novo do planeta, quando mais de 2 milhões de pessoas se apertam em seus 4 quilômetros de areia”. Devo esclarecer que minha pesquisa tem  razões informativas, apenas – não planejo viajar em busca da melhor festa de Ano Novo do planeta. Mas bem que gostaria.

A chegada de mais um ano provoca nos inquietos seres pensantes uma avalanche de boas intenções e interações, que Oscar Wilde definiu muito bem: “As boas resoluções de fim de ano são simplesmente cheques que passamos de um banco onde não temos conta”. Quem não tem pelo menos uma já morreu e não foi informado. Além do esforço para emagrecer e fazer exercícios, campeões de todos os anos, tem até quem prometa beijar os filhos, pelo menos na noite do próximo natal. Ou lavar o cabelo uma vez por mês em 2018.

Ouvidas ao acaso nos corredores dos shoppings ou nas caminhadas matinais: Economizar água reusando os pratos sem lavar;  Gastar tempo real com a esposa em vez de só se comunicar com ela no WhatsApp; Gastar menos do que ganha, se conseguir um bom aumento; Trocar a senha 00000000 por outra mais criativa. Mas até que não é má ideia – quem vai raquear meu computador tentando essa senha? Meus ardentes votos de boas entradas para meus pacientes leitores se inspiram em Joey Adams, “Que seus problemas em 2018 durem tanto quanto suas resoluções de Ano Novo”.

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