Amor no Reveillon

 

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Nada melhor para adentrar um novo ano que um novo amor. Ou nada melhor que achar um novo amor no Ano Novo. Dependendo dos parâmetros, naturalmente. Se Bia ama o Dino mas no reveillon de Copacabana esbarra no Tito e se  apaixonam, não será um bom início de ano para o que virou passado. Tudo porque o Dino perdeu o bonde  e não chegou na praia. Também insatisfeita ficou a Lurdinha, que amava o Tito e esperava uma declaração de reciprocidade no pipocar dos fogos dessa noite festiva.

 

O trânsito engarrafado fez Lurdinha perder os fogos e o namorado – quando chegou ambos já tinham desaparecido.  Tito passaria a noite triste e solitário, mas já sabemos que houve um esbarro, e a vida de quatro pessoas mudou de rumo. Os descuidos do acaso atrapalharam ou os astros favoreceram? Talvez os desprezados não representassem o amor puro e verdadeiro cantado pelos poetas e com o qual todos sonham. Ou quem sabe os caprichos do coração tenham regras próprias e não se curvam diante das manifestações do acaso… Por certo o esbarro foi programado nas estrelas.

 

Nada melhor para aquecer o inusitado frio que assola a terra de eterno verão do que ver o amor surgir de situações inesperadas.  Adriana e Marcos se encontraram no reveillon de Miami Beach apenas porque coincidentemente usavam camisas iguais – a mesma cor verde, a mesma marca e o mesmo Happy New Year em letras douradas. Quer dizer, se não existissem roupas unissex, eles passariam um pelo outro e seguiriam seus rumos na vida. Tal e qual linhas paralelas,  jamais se encontrariam. Marcos nem gostou da camisa, mas a namorada deu de presente e ficava chato passar adiante. Marcos e Adriana estão casados há 20 anos,  mas a ex-namorada continua sozinha, até hoje lamentando o presente dado, ‘Devia ter comprado a de cor azul’.

 

Melhor ainda quando o amor de reveillon derruba impedimentos e ressentimentos arraigados, mesmo que absurdos. Os donos do Supermercado Estrela eram inimigos figadais dos donos do Supermercado Romano, acintosamente  instalado na esquina oposta, embora os Romanos garantam que chegaram primeiro. Tal proximidade provocou um feudo entre as duas  famílias que perdurou por três gerações. Ferrenha rivalidade, porém, não impediu Romeu Estrela de se apaixonar por Julieta Romano no reveillon de Camburi. Iemanjá estava de bom humor e a paixão foi correspondida, mesmo que proibida.

 

As forças ocultas que manipulam os mesquinhos interesses humanos tudo fizeram para impedir o romance, condenado a um final infeliz e trágico. Mas a decisão é minha – morrem os dois de paixão no final dessa história e eu fico famosa, ou deixo o amor vencer e continuo na obscuridade? Melhor deixar os dois pombinhos serem felizes para sempre, envelhecendo cercados de filhos e netos. E como o amor é cego mas não é burro, os supermercados também se uniram, mudando o nome para Estrela Romana.

 

 

 

 

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